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Alpine 2026: a surpresa virou sobrevivência em Spa

A Alpine 2026 foi vendida como o conto de fadas do meio de grid. Em Spa, o conto terminou: a equipe empatou em pontos com a Racing Bulls, segura o quinto lugar só no desempate e transformou o ponto solitário de Colapinto no melhor resultado de um fim de semana inteiro. Isso não é surpresa. É maré.

PorCarla Ribeiro
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Alpine 2026: a surpresa virou sobrevivência em Spa
Ilustração — A Alpine chega à pausa de verão empatada em pontos com a Racing Bulls na briga pelo quinto lugar de 2026

Vou começar pelo fim, porque a Alpine merece essa honestidade: a temporada surpresa da Alpine em 2026 acabou, e ninguém teve a decência de avisar. O que sobrou é uma equipe que passou de "revelação do ano" a inquilina do quinto lugar por conta de um desempate — e que saiu de Spa-Francorchamps comemorando um ponto de Franco Colapinto como se fosse pódio. Um ponto. Décimo lugar. Foi o melhor que o A526 conseguiu produzir no fim de semana inteiro.

Não me entendam mal. Eu gostei da Alpine em março. Todo mundo gostou. O problema é que gostar de alguém em março não obriga ninguém a fingir, em julho, que nada mudou.

O que a Alpine era e o que a Alpine virou

Rebobinem para abril. Gasly pontuando nas três primeiras corridas, o carro se adaptando a qualquer traçado, a equipe francesa passando a Red Bull no Mundial de Construtores pela primeira vez em anos. Era bonito. Era, de verdade, o melhor enredo do meio de grid. A imprensa — eu inclusa — comprou o pacote inteiro: motor Mercedes novo, packaging enxuto, Briatore de volta fazendo mágica política nos bastidores.

Agora rebobinem menos. Depois do pódio de Gasly em Mônaco, a Alpine liderava a briga pelo quinto lugar por quinze pontos. Quinze. Uma corrida inteira de folga sobre a Racing Bulls. Canadá, Áustria, Silverstone e Bélgica depois, essa vantagem é exatamente zero. As duas equipes chegam à pausa de verão empatadas em 61 pontos, e a Alpine só aparece na frente na tabela porque o critério de desempate ainda a favorece — não porque o carro seja melhor. Os números dessa sangria já estavam escritos antes de Spa; a Bélgica só assinou embaixo.

O ponto que denuncia a temporada

Vamos falar do tal ponto. Colapinto em décimo, atrás de um Bortoleto que pilota uma Audi, atrás de um Lindblad que é estreante numa Racing Bulls. O argentino fez o trabalho dele — não é dele a crítica. A crítica é da estrutura que colocou um único ponto na conta num circuito onde a Alpine, com motor Mercedes, deveria ser rápida por natureza. Spa premia potência. A Alpine tem a mesma potência de quem venceu a corrida. E marcou um ponto.

Enquanto isso, a Racing Bulls colocou Lindblad em nono e seguiu pontuando em dobro como faz há semanas. Não foi a Alpine que despencou sozinha — foi a vizinha que aprendeu a andar. A diferença é que uma delas foi apresentada ao mundo como projeto de futuro e a outra, como acidente de percurso. Os pontos na tabela agora dizem que era o contrário. Quem quiser conferir o tamanho do estrago pode revisitar como terminou o GP da Bélgica: a Alpine está lá no rodapé, com Gasly fora dos pontos e Colapinto raspando o último lugar da zona.

Antes que me acusem de exagero

Sei o que vem: "Carla, é o quinto lugar, é o melhor resultado da Alpine em anos, para de reclamar." Justo. Segurar o quinto posto contra Red Bull, Aston Martin e o resto do pelotão continua sendo mérito, e a temporada de 2026 da Alpine é, sim, melhor que a de 2025. Reconheço.

Mas mérito congelado em abril não é mérito de julho. A questão não é onde a Alpine está — é para onde ela está indo. E a resposta, medida em ritmo de desenvolvimento, é ladeira abaixo. Uma equipe que abre quinze pontos e depois entrega todos eles não está "consolidando o quinto lugar". Está sendo alcançada em câmera lenta, sorrindo para a foto enquanto o adversário estaciona ao lado. Foi a mesma aposta de motor e estrutura que rendeu o começo empolgante que agora expõe o teto do projeto: deu tudo o que tinha para dar no primeiro terço do ano, e o resto do grid teve tempo de responder.

O veredito

A Alpine não é uma fraude — é uma maré. Subiu cedo, subiu forte, e todo mundo confundiu a maré com terra firme. Spa foi a hora em que a água baixou e mostrou o que sempre esteve embaixo: um carro correto, um par de pilotos competentes e zero margem para crescer no momento em que os rivais crescem.

Se a Racing Bulls passar a Alpine na primeira corrida depois da pausa — e eu apostaria nisso — não me venham com espanto. O empate de Spa já contou a história toda. A surpresa de 2026 não foi a Alpine ser boa. A surpresa vai ser quantas semanas ainda vão levar para admitir que ela parou de ser.

Nos vemos na Hungria. Levem protetor solar: a maré vira rápido.

Fontes: classificação de construtores na Formula1.com, cobertura do GP da Bélgica no Motorsport.com e tabela do campeonato no RacingNews365.

Perguntas frequentes

Em que posição a Alpine está no Mundial de Construtores de 2026?

Quinto lugar, com 61 pontos após o GP da Bélgica — mas empatada em pontos com a Racing Bulls, também com 61. A Alpine segura o quinto posto apenas pelo critério de desempate, por ter resultados melhores ao longo da temporada.

Quantos pontos de vantagem a Alpine já teve sobre a Racing Bulls em 2026?

Quinze pontos, logo após o pódio de Gasly em Mônaco. Em Canadá, Áustria, Silverstone e Bélgica essa folga foi zerada por completo: as duas equipes chegam à pausa de verão empatadas.

Quantos pontos a Alpine marcou no GP da Bélgica 2026?

Apenas um, com Franco Colapinto em décimo. Pierre Gasly terminou fora da zona de pontos em Spa, e o ponto solitário de Colapinto foi o melhor retorno da equipe no fim de semana.

A Alpine ainda é a surpresa positiva da temporada 2026?

No começo do ano, sim — bateu a Red Bull nas três primeiras etapas. Na segunda metade, não: parou de evoluir enquanto a Racing Bulls dobrou de ritmo, e o quinto lugar hoje se sustenta no desempate, não na velocidade.