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Lawson entra no recesso sem saber se tem vaga em 2027

Liam Lawson fez 43 dos 66 pontos da Racing Bulls, colocou a equipe à frente da Alpine e começou o recesso dizendo que não faz ideia se continua em 2027. O problema da Red Bull não é escolher entre ele e Tsolov. É nunca marcar a data da escolha.

PorCarla Ribeiro
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Lawson entra no recesso sem saber se tem vaga em 2027
Foto: Motorsport Week / Reprodução — Lawson chega ao recesso como nono do Mundial e sem garantia de vaga para 2027

O piloto que mais pontuou na Red Bull inteira depois de Max Verstappen começou o recesso de verão dizendo que não faz ideia se tem emprego em 2027. Não é força de expressão minha, é a frase dele: perguntado nesta segunda se resolver o futuro era prioridade, Liam Lawson respondeu que, pessoalmente, não faz ideia — e que essa conversa "normalmente acontece por volta do recesso". Ele tem 43 pontos. O programa que o formou tem duas cadeiras e três candidatos. E a resposta oficial continua sendo "mais tarde na temporada".

Guarde essa frase. Ela é o assunto da coluna de hoje, e não o Tsolov.

Os números do Lawson não são o problema

Vamos ao que dá para medir. Lawson fecha o primeiro turno em nono no Mundial, com 43 dos 66 pontos da Racing Bulls — 65% da produção da equipe. O companheiro Arvid Lindblad, único estreante do grid em 2026, tem 23 e é décimo primeiro. A equipe está em quinto no Mundial de Construtores, cinco pontos à frente da Alpine, numa briga de desenvolvimento pelo P5 que ninguém previa em março.

Coloque ao lado disso o desempenho da equipe principal. A Red Bull está em quarto, com 177 pontos e zero vitórias. Verstappen é sexto, com 109 e quatro pódios. Isack Hadjar, promovido, soma 68 — 25 a mais que Lawson, num carro que ganha uns bons segundos por volta do VCARB 03. Você pode discutir a comparação entre chassis diferentes o quanto quiser. O que não dá para discutir é que Lawson não está devendo nada a ninguém dentro do que lhe deram para pilotar. Os números do primeiro turno de 2026 são claros nesse ponto.

Então não é uma questão de mérito. É uma questão de método.

O que "mais tarde na temporada" quer dizer na prática

Alan Permane já foi público e direto ao negar que a vaga esteja prometida: disse que a equipe não conversou sobre isso internamente, que não sabe de onde veio o boato e que ele certamente não partiu da Racing Bulls. Acredito nele. O problema não é o chefe de equipe mentir — é que a resposta honesta dele descreve exatamente o vício da casa.

Porque "mais tarde na temporada" significa que Lawson vai passar as próximas 12 corridas correndo com duas tarefas: pilotar e provar. E provar num ambiente onde a régua nunca é anunciada antes da prova. Não existe "se você fizer X pontos, a vaga é sua". Existe um teste permanente cujo gabarito só aparece depois.

Lawson conhece esse filme melhor do que qualquer um no grid. Ele foi promovido à equipe principal em 2025 e devolvido à equipe B depois de duas corridas. Duas. É o mesmo programa, agora, pedindo que ele espere para saber se o desempenho de uma temporada inteira compra o que a de duas corridas já custou.

O contra-argumento existe — e não fecha a conta

Sejamos justas: há um caso legítimo do outro lado. Nikola Tsolov lidera a Fórmula 2 com 167 pontos após nove rodadas, à frente de Gabriele Minì (147) e do brasileiro Rafael Câmara (145). Ele é do programa júnior, tem 19 anos e está fazendo o que se pede a um piloto de F2 fazer. Um celeiro que não promove ninguém não é celeiro, é depósito. E Hadjar em quarto lugar entre os pilotos da casa é prova de que, quando a Red Bull promove, às vezes acerta feio.

Só que nada disso obriga a decisão a ser tomada em silêncio e sem prazo. Dá para dizer a Lawson, hoje, que a avaliação vai até Monza. Dá para dizer que o critério é a diferença para Lindblad. Dá para dizer, se for o caso, que a vaga já é do garoto e liberar o piloto para negociar com Haas, Alpine ou Cadillac enquanto ainda existem cadeiras vagas em 2027. Qualquer uma dessas três é uma decisão. Nenhuma delas é "mais tarde".

A conta que a Red Bull não faz

O programa de pilotos da Red Bull sempre foi vendido como meritocracia bruta: performa ou sai. Tudo bem, é um modelo. Só que meritocracia sem prazo não é meritocracia — é discricionariedade com sotaque austríaco. Se o piloto tem que entregar em uma data, quem decide também tem.

E há um custo prático nisso, não só uma injustiça abstrata. Um piloto que não sabe se fica é um piloto que, na volta 40 de Zandvoort, tem um motivo a mais para arriscar o que não devia — ou para não arriscar o que devia. A Racing Bulls está a cinco pontos de segurar um quinto lugar histórico no Mundial de Construtores. Esse quinto lugar vale dinheiro real na divisão de prêmios. Deixar o principal pontuador da equipe pilotando com o futuro em aberto até novembro é uma forma cara de economizar uma reunião de vinte minutos.

Lawson passou o fim de semana da Hungria mantendo a Racing Bulls à frente da Alpine na classificação. Ele merecia terminar esse fim de semana sabendo de uma coisa só: quando saberá. Não é pedir a vaga. É pedir a data.

A F1 volta em Zandvoort, dia 21. A Red Bull tem duas semanas de recesso obrigatório e nenhum carro para desenvolver. Tempo, portanto, não é desculpa.

Perguntas frequentes

Liam Lawson tem contrato com a Racing Bulls para 2027?

Não há contrato confirmado. Perguntado nesta segunda sobre resolver o futuro, Lawson respondeu que não faz ideia e que essa conversa costuma acontecer durante o recesso de verão.

Quantos pontos Liam Lawson marcou na F1 em 2026?

Quarenta e três pontos em 11 corridas, o nono lugar no Mundial de Pilotos. São 65% dos 66 pontos da Racing Bulls — o companheiro estreante Arvid Lindblad tem 23.

Quem é Nikola Tsolov e por que ele ameaça a vaga de Lawson?

É o búlgaro de 19 anos da Campos que lidera a Fórmula 2 de 2026 com 167 pontos após nove rodadas. Como piloto do programa júnior da Red Bull, é o nome apontado como próximo da fila para a Racing Bulls.

Em que posição a Racing Bulls está no Mundial de Construtores de 2026?

Quinto lugar, com 66 pontos, cinco à frente da Alpine. É a melhor colocação da equipe desde que passou a se chamar Racing Bulls.

Quando a Red Bull decide a dupla da Racing Bulls para 2027?

Não há prazo público. Alan Permane disse que a decisão sai 'mais tarde na temporada' e negou que exista acordo fechado com Tsolov. A temporada volta em Zandvoort, entre 21 e 23 de agosto.