Rafael Câmara na Haas: a vaga de 2027 escapa para Fornaroli
O brasileiro da Ferrari Driver Academy era o nome mais citado para herdar a cadeira de Esteban Ocon. Dois meses depois, a fila mudou: Leonardo Fornaroli já testou o carro da Haas, tem carta de intenções da McLaren e lidera a disputa. A Câmara sobra o papel de reserva em 2027.

Em maio, quando a Haas ainda tentava fingir que a crise interna era ruído de paddock, o nome de Rafael Câmara era o mais repetido para herdar a cadeira de Esteban Ocon. Dois meses e meio depois, o brasileiro continua no centro da conversa — só que num papel bem menos glamouroso. A fila mudou de ordem, e quem está na frente agora é um italiano de 21 anos que nem sequer é piloto da Ferrari.
Por que Fornaroli passou Rafael Câmara na fila da Haas
Leonardo Fornaroli chegou a 2026 como campeão da F2 e reserva da McLaren. Deveria ser um problema para a Haas — piloto de rival não se empresta. Não é o caso: existe uma carta de intenções que autoriza a equipe americana a tomá-lo emprestado da McLaren se quiser. Somado a isso, Fornaroli já rodou com um Haas do ano anterior em Jerez, e o chefe Ayao Komatsu saiu do teste elogiando velocidade e qualidade de feedback, segundo o The Race.
Câmara joga o mesmo jogo com um baralho pior. É terceiro na F2, com 145 pontos, em temporada de estreia na categoria — desempenho sólido, mas de quem ainda está aprendendo. Fornaroli venceu essa mesma F2 no ano passado. A leitura interna da Haas, que o The Race resumiu sem meias palavras, é que o brasileiro precisa de mais tempo de forno. A Ferrari empurra o nome dele; a Haas não está convencida de que seja para já.
O desfecho provável foi antecipado pela UOL: Câmara assina como reserva oficial da Haas em 2027. Não é pouco — é o degrau padrão antes da promoção, e o mesmo caminho que a própria Ferrari desenhou para Oliver Bearman antes de virar titular. Mas é um ano a mais de espera para um piloto que, em maio, aparecia como o candidato natural à vaga.
O placar interno que condenou Ocon
A sucessão só está aberta porque o titular atual se inviabilizou. Ocon fecha a primeira metade de 2026 com 3 pontos em 11 corridas, contra 18 de Bearman. Quinze pontos de diferença — a maior distância entre companheiros de equipe em todo o grid, e a Haas é sétima no Construtores com 21 pontos, dos quais o francês respondeu por 14%.
Guenther Steiner, que dirigiu a equipe por nove anos e conhece a sala de decisão, foi direto ao comentar o caso ao Motorsport.com: a diferença é grande demais, sobretudo na classificação, e este seria o último ano do francês ali. Steiner apostaria em Câmara como sucessor e descarta Yuki Tsunoda pelo vínculo com a Honda.
O próprio Ocon evita cravar qualquer coisa. Em Budapeste, disse não ter nada a anunciar e admitiu que o recesso seria movimentado. O contrato dele vai até o fim de 2026; o The Race registra que há uma opção de extensão para 2027 na mesa, o que dá à Haas a conveniência de não precisar decidir agora.
Komatsu tira a nacionalidade da equação
Há um detalhe que muda o cálculo para quem torce por um segundo brasileiro no grid. A Haas é bancada pela Toyota, e a tentação comercial de escalar um japonês — Tsunoda ou Ryo Hirakawa, que fez o FP1 da Hungria — é real. Komatsu cortou o assunto pela raiz em entrevista ao Autosport: escolher piloto por nacionalidade desacreditaria quem toma a decisão, e o critério é performance, "100%".
Vale para os dois lados. Se blinda Câmara de perder a vaga por passaporte, também elimina qualquer bônus por ser da Ferrari Driver Academy — e é exatamente aí que Fornaroli abre vantagem, porque o critério puro de currículo favorece o campeão da F2.
O dominó Verstappen ainda pode reordenar tudo
Nada disso é definitivo, e a Haas sabe. A equipe não tem pressa em anunciar a dupla de 2027 pelo motivo mais banal do mercado: enquanto Max Verstappen não definir o futuro na Red Bull, nenhuma peça abaixo dele se mexe. Um veterano liberado no topo da cadeia muda instantaneamente o cálculo de risco de apostar num estreante — e devolve Câmara e Fornaroli para o fim da fila. É a mesma trava que segura meia dúzia de negociações no recesso.
Para Câmara, o roteiro realista é o menos empolgante e o mais comum: fechar a temporada de F2 no pódio do campeonato, assinar como reserva, acumular quilometragem em testes e sessões de sexta, e esperar 2028. Foi assim com Bearman. Foi assim com Gabriel Bortoleto. A F1 raramente promove por mérito imediato — promove quando a vaga aparece e o piloto já está dentro do prédio.
Perguntas frequentes
Rafael Câmara vai correr pela Haas em 2027?
Não pela porta da frente. A apuração da UOL indica que o brasileiro deve assinar como piloto reserva oficial da Haas em 2027, não como titular. A vaga de corrida está entre Leonardo Fornaroli e Yuki Tsunoda.
Por que Leonardo Fornaroli passou Rafael Câmara na fila da Haas?
Fornaroli é campeão da F2 de 2025, já rodou com um Haas do ano anterior em Jerez e tem uma carta de intenções que permite à Haas tomá-lo emprestado da McLaren. Câmara está no primeiro ano de F2 e é avaliado como precisando de mais tempo de formação.
Quantos pontos Esteban Ocon somou em 2026?
Três pontos em 11 corridas, contra 18 de Oliver Bearman. A diferença de 15 pontos é a maior entre companheiros de equipe no grid em 2026 e deixou o francês em 17º no Mundial.
O contrato de Esteban Ocon com a Haas termina quando?
No fim de 2026. The Race aponta que existe uma opção de renovação para 2027, mas o próprio Ocon disse em Budapeste não ter nada a anunciar e classificou o recesso como movimentado.
Como está Rafael Câmara na Formula 2 de 2026?
Terceiro no campeonato, com 145 pontos pela Invicta Racing, em sua temporada de estreia na categoria. Ele chegou à F2 como campeão da F3 de 2025.