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Ocon ameaçado na Haas: Câmara entra no radar de Komatsu em 2026

Reportagem da jornalista brasileira Julianne Cerasoli reabriu a crise entre Esteban Ocon e o chefe Ayao Komatsu na Haas. Com 1 ponto contra 17 de Bearman após quatro corridas, o francês vira candidato a saída antecipada — e o nome de Rafael Câmara, da Ferrari Academy, ganha tração para 2027.

PorRicardo Mendes
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Ocon ameaçado na Haas: Câmara entra no radar de Komatsu em 2026
Foto: Read Motorsport / Reprodução — Esteban Ocon entra no GP do Canadá com o pior placar interno do grid e o futuro discutido em paddock

Esteban Ocon entra na semana do GP do Canadá vivendo o pior momento da carreira. Uma fala da jornalista brasileira Julianne Cerasoli em entrevista à UOL Esporte reabriu a discussão sobre o futuro do francês na Haas — e colocou outro nome brasileiro, Rafael Câmara, no centro da conversa de paddock antes mesmo de a temporada de 2026 chegar à metade.

"O Komatsu não gosta do Ocon. Ele claramente não gosta dele, e não está feliz com o desempenho atual. Aliás, ouvi que ele não tem certeza se Ocon vai conseguir competir até o fim do ano", afirmou Cerasoli. A resposta do escritório do chefe Ayao Komatsu veio rápida, e classificou a relação como "profissional" — mas não desmentiu o conteúdo.

A frase de Cerasoli e o eco no paddock

Cerasoli é referência brasileira em paddock europeu, escreve para a UOL Esporte e tem histórico de antecipar movimentos do mercado de pilotos. A entrevista, replicada em sequência por Read Motorsport, Grand Prix.com e The Judge 13, fez Komatsu emitir um comunicado curto que remete qualquer decisão sobre o segundo carro para depois do verão europeu.

A própria jornalista, em postagem na noite de terça, esclareceu que não há registro de briga em Miami: o gancho original era a chegada de Rafael Câmara à Haas em 2027, dentro do guarda-chuva da fornecedora Ferrari Power Unit Team, e não uma demissão imediata em Montreal.

Mesmo com a correção, o pano de fundo se instalou. Pela primeira vez desde o anúncio da contratação no fim de 2024, a Haas trabalha com a hipótese de mexer no segundo carro ainda em 2026 como cenário plausível, não apenas teórico.

1 contra 17: o placar interno que pesa contra Ocon

O ataque ao francês tem lastro estatístico. Após quatro etapas — Austrália, China, Japão e Miami — Ocon soma um único ponto, conquistado no P10 do GP do Japão. O companheiro Oliver Bearman, sete anos mais novo, chega ao Canadá em 8º no Mundial de Pilotos com 17 pontos, incluindo um P5 inédito na China. A diferença interna de 16 pontos figura entre as maiores do grid.

Para uma equipe que terminou abril como 4ª no Construtores e despencou para 6º após zerar em Miami — cenário detalhado em Haas zera em Miami e cai para 6º no Construtores —, manter um piloto que não pontua deixou de ser custo aceitável dentro do limite orçamentário.

A leitura técnica de Komatsu reforça a queda de braço. O VF-26 não responde bem ao input agressivo de freio que Ocon preserva da era Alpine, enquanto Bearman, com a base britânica do Prema, opera o carro com mais tolerância de degradação — comportamento que já apareceu em Bearman no meio de campo da China e foi reforçado pelo desempenho do britânico após a batida no Japão e a revisão da FIA.

Quem entra se a Haas decidir trocar

A Haas tem três caminhos diretos. O primeiro é o piloto-reserva Jack Doohan, contratado em janeiro depois de perder a Alpine, que já rodou no VF-26 nos testes de Barcelona e está no programa de simulador em Banbury. O segundo é o próprio Câmara, atual líder da F2 com a Invicta, que completou na semana passada um teste em SF-25 e qualificou-se automaticamente para a superlicença da FIA.

O terceiro nome é o sueco Dino Beganovic, também da Ferrari Driver Academy, segundo na F2 e com tempo de carro em Le Castellet no fim de abril. As três opções dependem da mesma engrenagem: o aval da Ferrari Power Unit Team, que fornece motor à Haas e administra os contratos dos juniores envolvidos.

A leitura do paddock é que Câmara é a aposta de médio prazo, com o GP da Itália em setembro como cenário mais provável caso Ocon não pontue em Montreal e Áustria. O brasileiro chega à Haas pelo mesmo eixo que levou Bortoleto à Audi em 2026: título de F3, salto direto para uma escuderia de fundo de grid e contrato amparado por academia de fabricante.

Próximos passos: Montreal vira janela curta

A Haas leva ao Canadá o segundo pacote de upgrades do ano, focado em assoalho e correção do bouncing em curvas lentas. Komatsu já admitiu publicamente que espera os dois carros disputando o top 10 no Circuito Gilles Villeneuve — leitura que coloca pressão direta sobre Ocon. Se o francês sair de Montreal somando a sétima ou oitava posição que falta, o assunto evapora. Se Bearman pontua e Ocon não, a janela de saída antecipada, hoje retórica, vira agenda concreta.

O paddock relembra que substituições pontuais na Haas têm precedente: em 2024, o próprio Bearman entrou no lugar de Kevin Magnussen no GP do Azerbaijão pelo banimento de uma corrida do dinamarquês. A infraestrutura legal existe, o piloto-reserva está pago — e agora, com um nome brasileiro pronto na FDA, o cenário acumula combustível para chegar quente em setembro.

Perguntas frequentes

Por que Esteban Ocon pode sair da Haas no meio da temporada 2026?

A jornalista brasileira Julianne Cerasoli relatou que o chefe Ayao Komatsu não está satisfeito com o desempenho do francês e cogita não levá-lo até o fim do ano. Ocon soma só 1 ponto em quatro corridas, contra 17 do companheiro Oliver Bearman, e a Haas caiu para 6º no Construtores após zerar em Miami.

Quem é Julianne Cerasoli e por que a reportagem dela repercutiu?

Cerasoli é correspondente brasileira em paddock europeu, escreve para a UOL Esporte e tem histórico de antecipar movimentos do mercado de pilotos. A entrevista dela foi replicada por Read Motorsport, Grand Prix.com e The Judge 13, forçando a Haas a se posicionar oficialmente.

Quem pode substituir Ocon na Haas se ele sair antes do fim de 2026?

Três opções estão na mesa: Jack Doohan, piloto-reserva da equipe que já rodou no VF-26 em Barcelona; Rafael Câmara, líder da F2 com a Invicta e atual integrante da Ferrari Driver Academy; e Dino Beganovic, também da FDA e segundo na F2.

Qual a ligação entre Rafael Câmara e a Haas em 2027?

Câmara é piloto da Ferrari Driver Academy, ganhou a F3 em 2025 e completou recentemente um teste em SF-25 que lhe garantiu a superlicença da FIA. O acordo de motor entre Haas e Ferrari Power Unit Team coloca o brasileiro como candidato direto à vaga em 2027, antes mesmo de qualquer movimento em 2026.

Como está o Mundial de Pilotos para Ocon e Bearman após o GP de Miami 2026?

Bearman é o 8º colocado, com 17 pontos e melhor resultado de P5 na China. Ocon aparece em 16º, com 1 ponto somado no P10 do GP do Japão. A diferença interna de 16 pontos é uma das maiores do grid em 2026.

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Sobre o autor

Ricardo Mendes

Editor-Chefe

Jornalista especializado em F1 há 15 anos. Acompanha o paddock desde 2010.