Haas zera em Miami, cai para 6º e mira reação no Canadá 2026
A TGR Haas chegou a Miami como surpresa do ano e saiu zerada nas duas corridas do fim de semana, ultrapassada por Red Bull e Alpine no Mundial de Construtores. Bearman (P11) e Ocon (P13) destruíram pneus, e Ayao Komatsu admite que o teto do VF-26 sem upgrades já apareceu — três semanas até Montreal.

A semana começa com uma carta amarga pendurada no escritório de Banbury. A TGR Haas saiu de Miami zerada nas duas corridas do fim de semana e perdeu duas posições no Mundial de Construtores — passou de 4º para 6º depois de uma única rodada, ultrapassada por Red Bull e Alpine. Sete dias antes, o título do site oficial era outro: uma equipe de orçamento curto encaixada acima de Ferrari B e Williams, com 18 pontos somados em três corridas. A queda foi tão rápida quanto a degradação dos pneus dianteiros do VF-26 nas voltas finais do domingo.
Ollie Bearman cruzou a linha em P11 e Esteban Ocon em P13, ambos a uma volta dos líderes. No sprint do sábado, a chegada da Cadillac ao top-12 empurrou o britânico para fora dos pontos antes da bandeirada. Na corrida principal, a Haas tinha ritmo para brigar pelo top-10 enquanto os pneus aguentavam — mas a janela durou pouco mais de meia hora. Foi o pior fim de semana da equipe na temporada e, no paddock, o primeiro em que Ayao Komatsu admite ter visto o teto do projeto 2026 sem upgrades.
O fim de semana que custou duas posições
A primeira pista veio na manhã de sábado. Ocon largou em P18 e ganhou duas posições no sprint, terminando em P12 antes da desqualificação da Audi de Bortoleto promover ele a P11 e Bearman a P12. Mas o francês saiu do carro reclamando de subviragem extrema, freios escorregando e temperatura dianteira fora da janela já na quarta volta. "A gente destruía os pneus em cinco, seis voltas", disse no paddock, segundo o recap oficial da equipe. "Era como pilotar sem grip de frente desde o aquecimento."
Na corrida do domingo, o roteiro se repetiu com filme novo. Bearman ficou nas posições de pontos enquanto rodava em ar limpo, mas a janela durou pouco. Quando o safety car saiu na volta 6, depois do acidente triplo entre Gasly, Lawson e Hadjar, a Haas tentou inverter a estratégia para um stint longo de pneu médio. Não funcionou: as 23 voltas finais foram um lento desaparecimento. Bearman terminou 10 segundos atrás de Albon, com os pneus dianteiros entregues. Ocon, sem ar limpo, fechou em P13 e admitiu que o VF-26 "ainda tem muito a ser destravado".
A conta no Construtores
Os números da segunda-feira são pesados. A Haas continua com 18 pontos — os mesmos com que chegou a Miami — e agora corre atrás da Red Bull, que retornou a marcar com Verstappen, e da Alpine, que somou antes da capotagem de Gasly. O time perdeu vantagem para todos os rivais diretos: foi de margem confortável sobre a Red Bull em abril a duas equipes de distância depois do domingo. O topo da tabela continua intocável — Mercedes 180, Ferrari 110, McLaren 94 —, mas a guerra é outra: agora pelo grupo de meio.
A janela de oportunidade era exatamente Miami. A equipe foi a Banbury com um pacote de zero novidades, apostando que o VF-26 nascido bem do regulamento 2026 seguraria a posição de surpresa enquanto os adversários se reorganizavam. Funcionou em três pistas; quebrou na quarta. "A base é boa, mas o ritmo de corrida em pista quente expôs algumas fraquezas que precisamos resolver antes do Canadá", disse Bearman ao paddock, em fala recolhida por Formula1.com. Ocon foi mais direto: "Quero voltar ao lugar onde a gente sabe que pertence."
Simulador novo e três semanas até Montreal
A virada de chave esperada chega em maio mesmo. Komatsu confirmou que o novo simulador interno da equipe entra em operação ainda neste mês na sede de Banbury. É o último item de infraestrutura crítica que faltava à Haas para ficar emparelhada com o resto do grid em capacidade de pré-trabalho — até aqui o time dependia de simulações terceirizadas e do túnel de vento da Ferrari para validar cargas. Um modelo herdado de Gene Haas que sobreviveu até a chegada da Toyota como parceira de título e o rebranding para TGR Haas neste ano.
A parceria com a Toyota Gazoo Racing entra agora na fase mais visível. Os japoneses passaram a usar o cockpit da Haas como vitrine de desenvolvimento de software de simulação, e o time abriu, em janeiro, uma janela formal para treinar engenheiros da TGR no factory inglês. Komatsu insiste que o pacote não é compra disfarçada: "É treinamento de pessoas, é compartilhamento de ferramenta. É o que precisávamos."
O calendário ajuda. Antes da Haas estão três semanas até o GP do Canadá no Circuit Gilles-Villeneuve, entre 22 e 24 de maio. Tempo para revisar a janela operacional do pneu dianteiro, validar o que sair do simulador novo e — segundo o próprio Komatsu — voltar ao "lugar onde a gente sabe que pertence". O 4º lugar perdido em Miami é o teto que Banbury quer reocupar em Montreal, antes que Red Bull e Alpine se acomodem nas posições novas.
Perguntas frequentes
Em que posição a Haas terminou o Mundial de Construtores após o GP de Miami 2026?
6ª, com 18 pontos. Caiu de 4º para 6º numa única rodada, ultrapassada por Red Bull (4º) e Alpine (5º). Foi o pior fim de semana da equipe na temporada.
Quem são os pilotos da TGR Haas em 2026?
Oliver Bearman e Esteban Ocon. O britânico passou ao posto titular após Nico Hülkenberg trocar a Haas pela Sauber, e o francês veio da Alpine no acordo que reorganizou metade do paddock no fim de 2024.
Por que a Haas terminou em zero pontos em Miami 2026?
Degradação severa do pneu dianteiro. Bearman terminou em P11 e Ocon em P13 — fora da zona de pontos no sprint e na corrida. Ocon disse que destruía os pneus em cinco ou seis voltas e descreveu o VF-26 como impossível de pilotar no início dos stints.
Quando entra em operação o novo simulador da Haas?
Em maio de 2026, na sede de Banbury, segundo Ayao Komatsu. É a última peça de infraestrutura que faltava à equipe para ficar emparelhada com os rivais — até aqui a Haas dependia de simulações terceirizadas e do túnel de vento da Ferrari.
Onde será o próximo GP de F1 depois de Miami em 2026?
GP do Canadá, no Circuit Gilles-Villeneuve em Montreal, entre 22 e 24 de maio. A janela de três semanas é a mais longa do início da temporada e dá tempo para a Haas validar correções aerodinâmicas e a janela de pneus antes de chegar à pista.