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Haas perde o ritmo de 2026 e aposta em Bearman para reagir

A Haas começou 2026 como a surpresa do grid, mas perdeu o embalo depois de Miami. Agora, com a Áustria no horizonte, a equipe deposita em Oliver Bearman a missão de voltar à briga por pontos — e o futuro de Esteban Ocon segue no jogo.

PorRicardo Mendes
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Haas perde o ritmo de 2026 e aposta em Bearman para reagir
Foto: Wikipedia / CC-BY-SA — Oliver Bearman, peça central do projeto da Haas em 2026.

A Haas entrou em 2026 como o time que ninguém esperava ver no pelotão de frente do meio de grid, e por algumas corridas viveu o melhor momento da sua história recente. A equipe mais enxuta do grid, com o menor orçamento e a menor folha de pessoal, transformou um chassi bem resolvido em pontos consistentes — e chegou a ocupar a quarta posição no Mundial de Construtores, à frente da Red Bull. O problema é que esse embalo escorreu pelos dedos depois de Miami, e agora a Áustria vira um teste de credibilidade.

A pergunta que se faz em Banbury não é mais "até onde a Haas pode subir", e sim "como a Haas volta a pontuar como pontuava em março". A resposta tem nome e sobrenome: Oliver Bearman.

Haas e a ressaca da arrancada de 2026

O começo de temporada da Haas foi a leitura correta do novo regulamento. O VF-26 nasceu competitivo em curvas lentas e rápidas, com boa gestão de pneus e de carga de combustível — exatamente o perfil que rende em corrida. Bearman somou 7º na Austrália e 5º na China, e a equipe foi a única do meio de grid a marcar em todas as primeiras provas — um feito que o Motorsport.com classificou como a surpresa do início de 2026. Repeti o que já tínhamos antecipado na análise do GP da China, quando Bearman lançou a Haas ao 4º lugar: aquilo não era sorte, era projeto.

A queda veio na sequência. A Haas zerou em Miami, escorregou na tabela e viu a Alpine, recauchutada pelo motor Mercedes, assumir a dianteira do meio de grid. Williams e Racing Bulls também trouxeram pacotes e apertaram a disputa. De surpresa solitária, a Haas virou mais uma na briga embolada por sobras de pontos — e o cenário do Mundial de Construtores de 2026 deixou claro que a margem para erro encolheu.

A raiz do problema é conhecida e nada tem de novidade: a classificação. O motor Ferrari recupera energia de forma menos eficiente que os pacotes de Mercedes e Red Bull, e isso machuca na volta lançada de sábado. O VF-26 larga atrás do que merece, e no domingo precisa remar para recuperar posições que a falta de potência atira fora no sábado. É a mesma assimetria que move a hierarquia de motores que detalhei na comparação dos propulsores de 2026.

Bearman puxa o carro, Ocon segura o passo

Dentro da equipe, a conta é simples. Bearman tem batido Esteban Ocon na maioria dos fins de semana em corrida e lidera a pontuação interna. O britânico, em seu segundo ano completo, deixou de ser promessa para virar referência — e a Haas sabe que tem nas mãos o ativo mais valioso do seu grid em anos.

Ocon, por outro lado, faz uma temporada discreta. O francês foi contratado para ser o piloto experiente, o termômetro de desenvolvimento, mas vê o companheiro mais jovem ditar o ritmo. Ayao Komatsu segura o discurso público de apoio, mas, nos bastidores, ninguém em Banbury garante o francês além de 2026. Já tratei desse balanço de cadeira quando a Ferrari Academy começou a rondar o assento de Ocon, e o que mudou desde então foi só a intensidade.

A engenharia, comandada por Andrea De Zordo, tem trabalhado para tirar o VF-26 da armadilha do sábado sem comprometer a base que funciona no domingo. É um equilíbrio delicado para uma equipe que não tem o luxo de gastar à vontade dentro do teto orçamentário. Cada peça nova precisa render — não há margem para experimento caro que não vire ponto.

Áustria e o xadrez de 2027

O próximo capítulo é o GP da Áustria, no Red Bull Ring, entre 26 e 28 de junho. O traçado é curto, rápido e de poucas curvas — o tipo de pista em que um chassi bem nascido como o do VF-26 pode esconder parte do déficit de motor. Se há um lugar para a Haas reencontrar o embalo perdido, a Estíria é um bom candidato. Bearman precisa de um fim de semana limpo para devolver a equipe ao território dos pontos antes que o pelotão do meio se distancie de vez.

No pano de fundo, o mercado de pilotos de 2027 já mexe os tabuleiros. Bearman é tratado internamente como a base do projeto, peça em torno da qual a Haas quer construir o ciclo seguinte. O outro assento é o ponto de interrogação: além de Ocon, nomes ligados à academia da Ferrari — entre eles o brasileiro Rafael Câmara — aparecem nas conversas. A definição não é para amanhã, mas cada corrida em que Bearman supera o companheiro empurra a equipe para uma decisão mais cedo do que tarde.

Por ora, a missão é mais imediata e menos política. A Haas precisa provar que o início de 2026 foi a régua, e não o teto. E confia no piloto mais jovem da sua dupla para fazer isso já no Red Bull Ring.

Perguntas frequentes

Por que a Haas surpreendeu no início de 2026?

O VF-26 nasceu com um chassi forte em curvas lentas e rápidas, e Oliver Bearman somou pontos logo nas primeiras corridas — incluindo 7º na Austrália e 5º na China. A equipe chegou a aparecer entre as quatro primeiras do Mundial de Construtores.

Qual é o ponto fraco do carro da Haas em 2026?

A classificação. O motor Ferrari recupera menos energia que os rivais Mercedes e Red Bull, o que custa caro na volta lançada de sábado. Por isso a Haas larga atrás do que o ritmo de corrida do VF-26 mereceria.

Bearman está à frente de Ocon na Haas em 2026?

Sim. Oliver Bearman vem batendo Esteban Ocon na maioria dos fins de semana em corrida e lidera a pontuação interna da equipe, o que reforça o britânico como a aposta da Haas para 2027.

Qual é o próximo GP depois da Espanha em 2026?

O GP da Áustria, no Red Bull Ring, entre 26 e 28 de junho de 2026. O traçado rápido e de poucas curvas tende a favorecer o chassi da Haas.

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Sobre o autor

Ricardo Mendes

Editor-Chefe

Jornalista especializado em F1 há 15 anos. Acompanha o paddock desde 2010.