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F1 2026 na metade: os números que explicam o novo grid

Onze de 22 corridas disputadas: a Mercedes venceu 8, a Red Bull nenhuma e a Aston Martin de Adrian Newey somou 1 ponto. Lucas Kim abre a planilha do primeiro turno da F1 2026 e mostra onde o novo regulamento realmente redesenhou o grid.

PorLucas Kim
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F1 2026 na metade: os números que explicam o novo grid
Ilustração — pit lane vazio durante o recesso de verão, o momento em que a F1 fecha a planilha do primeiro turno de 2026

A Fórmula 1 fechou o primeiro turno de 2026 no Hungaroring com uma conta redonda: 11 corridas disputadas, 11 pela frente. Metade exata de uma temporada que começou prometendo redesenhar o grid e, pelos números, entregou exatamente isso — só que não da forma que o mercado apostava em janeiro.

O primeiro turno da F1 2026 produziu um líder de 19 anos com 219 pontos, uma Red Bull sem vitórias, uma Aston Martin com Adrian Newey e Honda de fábrica somando um único ponto, e um pelotão do meio em que sete equipes dividiram menos pontos do que a Mercedes marcou sozinha. Abaixo, a planilha completa — e o que cada número diz sobre o que vem em Zandvoort.

O que os dados mostram: 8 vitórias em 11 para a Mercedes

A distribuição de vitórias é o dado mais brutal do primeiro turno.

VencedorVitóriasCorridas
Kimi Antonelli6China, Japão, Miami, Canadá, Mônaco, Bélgica
George Russell2Austrália, Áustria
Lewis Hamilton1Barcelona
Charles Leclerc1Inglaterra
Lando Norris1Hungria

Oito das 11 corridas foram para carros prateados. Cinco vencedores diferentes parecem indicar variedade, mas a leitura correta é outra: três deles venceram uma vez cada, e as duas equipes que não são Mercedes precisaram de circuitos muito específicos — Barcelona, Silverstone e Hungaroring — para colocar um carro na frente.

No Mundial de Pilotos, o efeito é uma liderança que já não se explica só por ritmo:

PosPilotoEquipePontosVitórias
1Kimi AntonelliMercedes2196
2Lewis HamiltonFerrari1691
3George RussellMercedes1602
4Charles LeclercFerrari1381
5Lando NorrisMcLaren1281
6Max VerstappenRed Bull1090
7Oscar PiastriMcLaren920
8Isack HadjarRed Bull680

Antonelli entrou no recesso com 50 pontos de vantagem sobre Hamilton e 59 sobre o próprio companheiro de equipe. Traduzindo para o calendário: para assumir a liderança já em Monza, Hamilton precisaria de algo muito perto do máximo possível nas duas primeiras rodadas do segundo turno — incluindo vencer a sprint de Zandvoort — e ainda contar com dois domingos ruins do italiano. É a folga de quem administra, não de quem ataca, e a história de um campeonato liderado aos 19 anos ganha um capítulo diferente quando a matemática começa a trabalhar a favor.

A Red Bull chegou ao recesso com zero

O número que mais destoa de tudo que a F1 produziu na última década: a Red Bull não venceu nenhuma das 11 corridas. Max Verstappen é o sexto colocado, com 109 pontos, atrás dos dois pilotos da Mercedes e dos dois da Ferrari. Isack Hadjar, companheiro do tetracampeão, tem 68 e é o oitavo do Mundial — 25 à frente de Liam Lawson, o piloto mais bem pontuado de fora das quatro primeiras equipes.

A conta da equipe no Mundial de Construtores mostra por que isso não é apenas uma questão de piloto:

PosEquipePontosVitórias
1Mercedes3798
2Ferrari3072
3McLaren2201
4Red Bull1770
5Racing Bulls660
6Alpine610
7Haas210
8Audi120
9Williams110
10Aston Martin10
11Cadillac00

Os 177 pontos da Red Bull são um resultado respeitável em termos absolutos — mais que o dobro de qualquer equipe do meio de grid. O problema é o contexto: 202 atrás da Mercedes, com metade do campeonato consumido. Recuperar isso exige ganhar cerca de 18 pontos por corrida sobre o líder nas 11 restantes, algo que nenhuma equipe fez em nenhum trecho do primeiro turno.

É esse cenário que sustenta a movimentação do mercado de pilotos para 2027, muito mais do que qualquer rumor isolado do paddock.

A conta do meio de grid: 172 pontos para sete equipes

Aqui está a distorção estrutural do primeiro turno. Somando as quatro primeiras equipes, dão 1.083 pontos. As outras sete, juntas, somam 172 — menos da metade do que a Mercedes marcou sozinha.

A briga real do meio de grid é por sobras, e ela tem um recorte claro:

  • Racing Bulls (66) e Alpine (61) formam uma classe própria, cinco pontos de diferença e um ritmo de desenvolvimento que as outras cinco não acompanharam. A disputa entre as duas pelo quinto lugar é o único duelo de campeonato genuinamente aberto no recesso.
  • Haas (21) é o caso mais cruel da temporada. A equipe marcou 17 dos seus 21 pontos nas duas primeiras corridas e não pontua desde Mônaco. A queda da arrancada para a estagnação já rendeu de Ayao Komatsu a admissão pública de que foi superada no desenvolvimento.
  • Audi (12) e Williams (11) estão praticamente empatadas, cada uma por motivos opostos: na Audi, Gabriel Bortoleto responde sozinho por 10 dos 12 pontos e puxou a equipe para cima na reta final do turno; a Williams desabou de uma temporada de 2025 muito superior, quando tinha 55 pontos no mesmo ponto do calendário.

A classificação atualizada mostra que uma única corrida boa reordena metade dessa tabela — o que explica por que quase todas essas equipes escolheram concentrar upgrades para depois do recesso.

Newey, Honda e um ponto: a maior distorção do primeiro turno

A Aston Martin entrou em 2026 com o pacote mais caro de expectativas do grid: Adrian Newey no comando técnico, motor Honda de fábrica e um dos maiores orçamentos entre as 11 equipes. Terminou o primeiro turno com 1 ponto, marcado por Fernando Alonso em Mônaco. Lance Stroll não pontuou.

Não foi por falta de tentativa. O pacote de atualizações levado ao Hungaroring foi o maior salto de desempenho de um único fim de semana em toda a temporada — cerca de 1,8s por volta — e ainda assim não colocou nenhum dos carros no Q3. O déficit acumulado era grande demais para ser resolvido por aerodinâmica.

O detalhe que importa para o segundo turno: a evolução da unidade de potência Honda foi adiada de propósito para depois do recesso. A Aston Martin é a única equipe do grid cuja maior atualização do ano ainda não entrou em pista.

Na outra ponta do problema, a Cadillac fechou o primeiro turno com zero — resultado esperado para uma estreante, mas que confirma que o novo regulamento não facilitou a entrada de ninguém.

O regulamento entregou o embaralhamento — só não onde se esperava

O objetivo declarado das novas regras de 2026, com divisão 50/50 entre motor a combustão e energia elétrica e aerodinâmica ativa nas duas asas, era reduzir a distância entre equipes. Pelos números do primeiro turno, o efeito foi o inverso na parte de cima e real na parte de baixo.

A distância entre a primeira e a quarta equipe é de 202 pontos — bem maior do que o grid vinha entregando nos últimos anos do regulamento anterior. Mas a ordem entre elas mudou por completo: a Mercedes, que não conquista um Mundial de Construtores desde 2021, lidera com folga, enquanto a Red Bull chegou à metade da temporada sem vencer uma corrida sequer.

Vale lembrar que o calendário perdeu duas etapas. Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, marcados para 12 e 19 de abril, foram cancelados por questões de segurança, o que reduziu a temporada de 24 para 22 corridas e criou um intervalo de cinco semanas entre o Japão e Miami. Essa pausa não programada foi o divisor de águas de pelo menos duas equipes — a Haas nunca mais foi a mesma depois dela, e a Mercedes voltou ainda mais forte. O calendário completo mostra que o segundo turno é mais compacto que o primeiro.

O que o segundo turno precisa provar

Três perguntas ficam abertas para as 11 corridas restantes:

  1. A Mercedes tem teto? Oito vitórias em 11 sugerem que não, mas duas das três últimas corridas antes do recesso foram vencidas por Leclerc, em Silverstone, e Norris, no Hungaroring. É pouco para chamar de tendência e demais para ignorar.
  2. A Red Bull consegue vencer uma? Verstappen subiu ao pódio na Áustria, na Bélgica e na Hungria. A distância para a vitória encolheu — o que falta é um circuito que combine com o RB22.
  3. Quem paga a conta dos upgrades adiados? Aston Martin, Haas, Audi e Williams empurraram atualizações para depois do recesso. Só uma delas vai encontrar os pontos que procura.

A resposta começa em 23 de agosto, em Zandvoort, num fim de semana de sprint — o formato que menos perdoa quem chega ao segundo turno sem ter resolvido o carro. O guia completo do circuito holandês e os horários da corrida no Brasil já estão no ar.

Fontes: RacingNews365, Formula1.com e Motorsport.com, além dos dados oficiais de classificação da FIA.

Perguntas frequentes

Quem lidera o Mundial de Pilotos da F1 2026 no recesso de verão?

Kimi Antonelli, com 219 pontos e 6 vitórias em 11 corridas. Ele abriu 50 pontos para Lewis Hamilton (169) e 59 para o companheiro George Russell (160).

Quantas corridas a Mercedes venceu no primeiro turno da F1 2026?

Oito das 11 disputadas — 6 de Antonelli e 2 de Russell. A equipe lidera o Mundial de Construtores com 379 pontos, 72 à frente da Ferrari.

Por que o calendário da F1 2026 tem 22 corridas e não 24?

Os GPs do Bahrein (12 de abril) e da Arábia Saudita (19 de abril) foram cancelados por questões de segurança após o conflito no Irã. A temporada caiu de 24 para 22 etapas, com um intervalo de cinco semanas em abril.

Max Verstappen venceu alguma corrida na F1 2026?

Nenhuma nas 11 primeiras etapas. O tetracampeão é o sexto colocado, com 109 pontos, e a Red Bull chega ao recesso sem vitórias pela primeira vez desde a mudança de regulamento.

Quando é a próxima corrida da F1 depois do recesso de verão de 2026?

O GP da Holanda, em Zandvoort, no dia 23 de agosto. É um fim de semana de sprint, o quinto da temporada.