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Alpine supera Red Bull no Mundial de Construtores 2026

Com Gasly pontuando nas três corridas e o A526 adaptável a qualquer traçado, a Alpine encerrou as três primeiras etapas em 5º no Campeonato de Construtores — à frente da Red Bull pela primeira vez em anos.

PorRicardo Mendes
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Alpine supera Red Bull no Mundial de Construtores 2026
Ilustração — A526 em pista, onde Gasly completou três pontuações consecutivas nas três primeiras etapas da temporada 2026

Dezesseis pontos. Cinco no Campeonato de Construtores. À frente da Red Bull. Esses são os números da Alpine após três corridas — e nenhum deles era esperado em janeiro.

A equipe que encerrou 2024 com o motor próprio falido, trocou tudo para 2026 com o HPP da Mercedes e chegou à pré-temporada com expectativas modestas está, matematicamente, acima de Milton Keynes depois de Suzuka. Pierre Gasly pontuou nas três etapas. Franco Colapinto foi P16 no Japão após o envolvimento no incidente de Bearman no Spoon Curve, mas o carro não quebrou. Esse dado importa.

O cenário no campeonato após o Japão

A tabela de construtores após as três primeiras etapas não mente:

PosEquipePontos
1Mercedes135
2Ferrari90
3McLaren46
4Haas18
5Alpine16
6Red Bull16
7Racing Bulls14
8Audi2
9Williams2
10Cadillac0
11Aston Martin0

A Alpine está à frente da Red Bull pelo critério de desempate — Gasly em P7 em Suzuka contra Verstappen em P8. A margem é zero pontos. A diferença é o padrão de resultados.

A Red Bull tem 16 pontos concentrados em poucas pontuações individuais. A Alpine tem 16 pontos distribuídos em três corridas em três circuitos diferentes. Isso não é a mesma coisa.

Três corridas, três traçados, três pontuações

Melbourne foi o aviso. Em condições adversas, Gasly terminou em P10 enquanto Colapinto amargava penalidades e cruzava em P14. Um ponto para a Alpine, resultado modesto — mas o carro foi à linha de chegada num fim de semana em que a McLaren perdeu os dois carros antes do começo da corrida.

Xangai foi a confirmação. Gasly foi a P6, Colapinto ao P10 — oito pontos numa corrida, a melhor performance da equipe na era HPP. A estratégia de uma parada foi executada com precisão. A unidade de potência Mercedes funcionou dentro do envelope exigido pelo traçado. A equipe saiu da China sabendo que tinha algo real.

Suzuka foi o exame mais rigoroso. O circuito japonês pune assimetrias aerodinâmicas e exige máxima extração de energia nas curvas de alta velocidade. Gasly largou em P7 e cruzou em P7, segurando Verstappen por 26 voltas finais com uma margem de 0.337 segundos. A defesa foi feita com gestão inteligente da bateria — quando sentia o Red Bull se aproximando, reduzia a recuperação e liberava mais energia para o motor. "Tive que jogar um pouco e ser esperto com a bateria sempre que via que ele estava perto", disse Gasly. "No fim, gerenciamos muito bem, mas foi intenso."

A avaliação do piloto sobre o carro foi direta: "Acho que é o melhor carro que tive na minha carreira, talvez junto com o AlphaTauri de 2021."

O que a pausa de abril vai revelar

A troca do motor próprio pelo HPP Mercedes foi a decisão estrutural que mudou a Alpine. Não é só potência — é previsibilidade. A unidade entrega energia de forma consistente nas diferentes janelas de harvesting, o que reduz os erros de estratégia e dá ao piloto mais margem nos limites. O A526 funcionou em Melbourne (traçado misto), Xangai (rápido e de alta degradação) e Suzuka (técnico e exigente em energia). Três perfis diferentes. Três pontuações.

Nenhuma outra equipe fora do top três fez isso.

A pausa de cinco semanas até o GP de Miami (1–3 de maio) chega num momento específico: a Alpine tem dados de três corridas para analisar e melhorias direcionadas para implementar. A equipe já declarou que trabalhará durante o intervalo. O que não muda é o contexto que encontrarão em Miami: a Racing Bulls está a dois pontos com inconsistência maior, a Haas tem dois pontos a mais mas Bearman em recuperação. O 4º lugar no Campeonato de Construtores está ao alcance.

Para o panorama completo do campeonato após as três primeiras etapas, incluindo as 26 tentativas de pontuação que acabaram sem resultado para McLaren e Aston Martin, os números estão disponíveis.

A Alpine não ganhou nenhuma corrida. Não fez nenhuma pole. Mas está à frente da Red Bull no Mundial, e há argumentos técnicos para acreditar que não foi sorte.

Perguntas frequentes

Como a Alpine ficou à frente da Red Bull no Mundial de Construtores 2026?

Empate de 16 pontos após três corridas, com a Alpine vencendo no critério de desempate: Gasly em P7 em Suzuka contra Verstappen em P8. A diferença é o padrão de resultados — Alpine pontuou nos três traçados, Red Bull concentrou em poucas pontuações.

Quem marcou os pontos da Alpine nas três primeiras corridas?

Gasly pontuou em todas as etapas (P10 em Melbourne, P6 em Xangai, P7 em Suzuka). Colapinto contribuiu apenas com a P10 na China e foi P16 no Japão após envolvimento em incidente.

Por que a unidade de potência Mercedes mudou a Alpine?

Não é só potência — é previsibilidade. A unidade entrega energia de forma consistente nas diferentes janelas de harvesting, o que reduz erros de estratégia e dá ao piloto mais margem nos limites do carro.

Como Gasly avaliou o A526?

Disse ser 'o melhor carro' que teve na carreira, talvez junto com o AlphaTauri de 2021. Em Suzuka, segurou Verstappen por 26 voltas finais com margem de 0.337 segundos.

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Sobre o autor

Ricardo Mendes

Editor-Chefe

Jornalista especializado em F1 há 15 anos. Acompanha o paddock desde 2010.