Verstappen fez P4 em Barcelona e a Red Bull saiu do título
Todo mundo passou a segunda fazendo conta de título depois da vitória de Hamilton. Carla Ribeiro avisa: reabriu, sim — entre DUAS equipes, e nenhuma se chama Red Bull. Verstappen fez P4, o teto que ela mesma previu, segue em sétimo a 101 pontos do líder e virou figurante da própria temporada.

Acordei nesta segunda com a timeline inteira fazendo conta de título. Hamilton venceu em Barcelona, o motor do Antonelli explodiu a três voltas do fim e, de repente, todo mundo decidiu que a temporada "reabriu". Reabriu mesmo — eu não vou brigar com a matemática que o Lucas fez aqui de manhã. Só que ela reabriu entre DUAS equipes, Ferrari e Mercedes, e nenhuma delas se chama Red Bull. O dado que ninguém quis colocar na manchete de domingo é o mais cruel de todos: Max Verstappen, tetracampeão do mundo, terminou em quarto. E quarto, em 2026, é o teto dele num bom dia.
Em maio eu escrevi, com todas as letras, que o teto do Verstappen seria "brigar pelo P4 se tudo der certo". Barcelona deu tudo certo: Safety Car virtual na hora exata, Leclerc quebrando a direção, Antonelli explodindo o motor, meio grid se atrapalhando atrás. Num domingo em que o céu desabou sobre os rivais, o melhor que o melhor piloto da geração conseguiu foi a quarta posição, a 40 segundos do vencedor. Quando o caos joga a favor e a recompensa é P4, o problema parou de ser azar faz tempo.
Verstappen em sétimo é o retrato de 2026
Os números não deixam margem para poesia. Verstappen está em sétimo no Mundial, com 55 pontos, a 101 do líder Antonelli. Cinquenta e cinco. O Pierre Gasly, num Alpine, está logo atrás com 41 — e isso devia ser proibido de tão constrangedor. A Red Bull subiu para o quarto lugar entre os construtores depois de meses apanhando até da Alpine, o que só conta como "evolução" porque o ponto de partida era o porão.
Em Barcelona, o circuito que mais castiga o desgaste de dianteira, o carro até se comportou — e ainda assim a conta fechou em P4 e P6, com Isack Hadjar fazendo o número de respeito do dia atrás do companheiro. O resultado completo, com Verstappen em quarto, é o teto estrutural da máquina. Não tem upgrade do Mekies, não tem promessa do Wache, não tem volta mágica que transforme um quarto lugar em pódio quando os três da frente não quebram. O RB22 segue sendo, por consenso do paddock, o pior carro da Red Bull em quinze anos.
O contra-argumento que não para de pé
Vão me dizer: "Carla, P4 num carro ruim é obra-prima. O Max tirou leite de pedra." Concordo com a primeira metade e recuso a segunda. Sim, levar aquele RB22 ao quarto lugar é mérito brutal de pilotagem — ninguém mais no grid faz isso. Mas obra-prima de piloto que não muda uma vírgula no campeonato é consolo, não é projeto. A função de um tetracampeão num time grande não é maximizar a sétima colocação. É brigar pela primeira. E a Red Bull, neste momento, não consegue entregar isso a ele nem no melhor domingo do ano.
O resto da história já é velho conhecido: Verstappen corre Mercedes-AMG nos fins de semana de folga, conversa com a Ford para a Le Mans de 2028 e já admitiu em público que pensa em pausar a carreira. Barcelona não inventou nada disso. Só carimbou, com um quarto lugar em dia de caos total, que o homem está num campeonato à parte — só que, ao contrário do Antonelli, no sentido de baixo.
O veredito da Carla
Então não, a "reabertura" do título de 2026 não tem nada a ver com a Red Bull. É sobre Ferrari e Mercedes brigarem por um troféu que a equipe de Milton Keynes assistiu da quarta fila. E o calendário tem um humor cruel: a próxima parada é a Áustria, no Red Bull Ring, dia 26 — a corrida de casa da marca. O lugar onde, há dois anos, Verstappen abria os braços para a arquibancada laranja. Em 2026, essa mesma torcida vai para lá rezando por um pódio que, no melhor cenário, depende de quantos carros quebrarem na frente.
Esse é o retrato honesto da Red Bull hoje: uma equipe que precisa torcer pelo azar alheio para sonhar com o degrau mais baixo do pódio, na própria casa, com o melhor piloto do mundo no cockpit. Barcelona não reabriu nada para eles — fechou. P4 era o teto, o teto foi atingido, e o teto é baixo demais para caber a palavra "título". Da próxima vez que alguém te disser que 2026 "voltou a ser interessante", pergunte para quem. A resposta tem dois nomes. E o número 1 não está em nenhum deles.
Perguntas frequentes
Em que posição Verstappen terminou o GP de Barcelona de 2026?
Em quarto, a cerca de 40 segundos do vencedor Lewis Hamilton. Foi o melhor resultado possível para a Red Bull num domingo de caos, com os abandonos de Antonelli e Leclerc à frente.
Quantos pontos Verstappen tem no Mundial de 2026 após Barcelona?
55 pontos, em sétimo lugar, a 101 do líder Kimi Antonelli (156). É a pior campanha de meio de temporada da carreira do tetracampeão.
A Red Bull ainda briga pelo título de 2026?
Não. A disputa pelo título de pilotos ficou restrita a Antonelli (Mercedes) e Hamilton (Ferrari), separados por 41 pontos. A Red Bull é apenas quarta entre os construtores, com 89 pontos.
Onde é o próximo GP depois de Barcelona 2026?
No Red Bull Ring, na Áustria, entre 26 e 28 de junho. É a corrida de casa da Red Bull, mas a equipe chega sem expectativa real de vitória.
Por que a Red Bull caiu tanto de rendimento em 2026?
O RB22 é considerado o pior carro da equipe em quinze anos: excesso de peso, janela de acerto estreita e dificuldade com solavancos. Verstappen já o chamou de 'horror show'.