Mercedes prepara upgrade maior para Zandvoort e Red Bull freia
Simone Resta confirmou que a Mercedes guarda um pacote de peso para depois do recesso, enquanto Laurent Mekies admite que a Red Bull não sustenta o ritmo de desenvolvimento até dezembro. No meio está o teto de US$ 215 milhões — e uma Ferrari que não desacelera.

A Mercedes entra no recesso de verão com 72 pontos de vantagem, os dois campeonatos na mão e um recado que o resto do grid não queria ouvir: o upgrade mais pesado do W17 ainda não foi usado. Simone Resta, diretor técnico adjunto, confirmou que o plano é levar um pacote de porte maior assim que as fábricas reabrirem — com Zandvoort como primeiro alvo. A Red Bull sinaliza o contrário: Laurent Mekies admite que não dá para manter o ritmo do primeiro turno até dezembro.
As duas declarações desenham o eixo do segundo turno de 2026. Não é sobre quem tem o carro mais rápido hoje, e sim sobre quem ainda tem dinheiro para deixá-lo mais rápido.
O upgrade da Mercedes que fica para depois do recesso
Resta descreveu a estratégia como uma linha contínua com um degrau no meio: desenvolvimento forte já para a primeira corrida, "um pequeno passo aqui e ali" em quase todo fim de semana e um salto maior no Canadá. O próximo degrau vem agora.
"Depois do shutdown, vamos tentar focar em ter algo mais substancial no carro", disse. É uma frase curta com implicação longa: a líder do campeonato não gastou tudo o que tinha.
O motivo de poder segurar o pacote está no diagnóstico dele sobre o W17 — carro competitivo em todas as condições, sem um defeito isolado a apagar. Quem acerta o conceito na largada da temporada compra tempo, e Brackley acertou, como detalha o domínio da Mercedes em 2026.
A Hungria, porém, serviu de alerta: a Mercedes reconheceu que os cinco componentes novos do MCL40 encurtaram a distância para a McLaren, que venceu com Lando Norris.
Red Bull: "difícil imaginar que vamos continuar nesse ritmo"
A Red Bull fez o caminho oposto. Começou 2026 cerca de 1,3 segundo por volta atrás na Austrália e na China, despejou desenvolvimento no RB22 — dois pacotes grandes em Miami e na Áustria — e chegou ao recesso a dois ou três décimos da ponta, em 4º entre os construtores com 177 pontos.
O problema é a conta. "Trouxemos uma quantidade enorme de desenvolvimento para o carro entre a primeira corrida e aqui, para tentar corrigir o mais rápido possível o grande déficit que tínhamos no início", disse Mekies. "E é provavelmente difícil imaginar que vamos continuar nesse ritmo. Mas ainda precisamos ver qual é a melhor forma de fechar esses últimos três décimos."
Mekies ainda antecipou a decisão que costuma ser tomada em silêncio: "em algum momento vamos precisar decidir o equilíbrio entre este ano e o próximo. Espero que isso aconteça mais cedo do que fizemos no ano passado, especialmente com os regulamentos como estão."
A referência é direta a 2025, quando a Red Bull jogou tudo na briga com a McLaren e pagou o preço na largada de 2026 — o histórico técnico dessa conta está em o diagnóstico do colapso do RB22. Com o teto de gastos em US$ 215 milhões e uma revisão de regulamento à espreita em 2027, repetir a aposta seria comprar o mesmo prejuízo duas vezes — a mesma lógica que levou a Audi a guardar o token de motor para 2027.
A Ferrari é a exceção — e virou assunto do paddock
No meio das duas posturas está a Ferrari, que passou o ano inteiro trazendo peça nova e só pausou o programa duas vezes até a Bélgica. Até o início de julho, a contagem de atualizações declaradas à FIA mostrava 32 itens da Ferrari contra 17 da Mercedes.
Toto Wolff não escondeu o incômodo: disse estar surpreso com o volume de peças que a Ferrari joga no carro e emendou que a equipe italiana "vai ficar sem verba de teto em breve", porque a Mercedes não teria folga para fazer o mesmo. Fred Vasseur respondeu no tom que se espera de Maranello — quando a Red Bull desenvolve, é genialidade; quando a Ferrari desenvolve, é trapaça.
A discussão é menos sobre moral e mais sobre calendário de gastos. O teto é anual, não por corrida: quem concentra investimento no começo tem menos munição em novembro, e quem segura corre o risco de chegar tarde.
O que está em jogo nas 12 corridas restantes
Andrea Stella, da McLaren, resumiu o segundo turno em uma frase: "é uma corrida de upgrades". O chefe da equipe de Woking calcula que o melhor carro do fim do ano vai somar décimos até a última prova — "provavelmente até meio segundo" — e que a diferença não estará mais em acertar o upgrade, e sim em quantos cada equipe conseguirá entregar.
Faltam 12 etapas. Com Kimi Antonelli 50 pontos à frente de Lewis Hamilton e a Mercedes 72 na frente da Ferrari na classificação, a matemática pesa para Brackley — o balanço do primeiro turno está em os números da metade da temporada.
A resposta começa a aparecer no GP da Holanda, entre 21 e 23 de agosto, primeira etapa após o shutdown de 3 a 17 de agosto e fim de semana de sprint — formato que dá menos treino livre para validar peça nova e expõe quem chegar com o pacote cru. Se o "algo mais substancial" da Mercedes funcionar logo de cara em Zandvoort, a briga de 2026 acaba antes de setembro. Se falhar, a Ferrari terá provado que gastar cedo era o plano certo. Horários e transmissão da retomada estão em que horas é a corrida do GP da Holanda.
Perguntas frequentes
Quando a Mercedes vai levar o próximo upgrade grande do W17?
Depois do recesso, com Zandvoort como primeiro alvo. Simone Resta, diretor técnico adjunto, disse que a equipe vai focar em levar 'algo mais substancial' ao carro após o fim do shutdown, em 17 de agosto.
Por que a Red Bull vai desacelerar o desenvolvimento em 2026?
Por causa do teto de gastos, fixado em US$ 215 milhões neste ano. Laurent Mekies afirmou que é 'difícil imaginar' manter o ritmo de upgrades do primeiro turno e que a equipe fará mais cedo do que em 2025 a escolha entre investir no carro atual ou em 2027.
Qual é a vantagem da Mercedes no Mundial de 2026 no recesso?
São 72 pontos sobre a Ferrari entre os construtores (379 a 307) e 50 pontos de Kimi Antonelli sobre Lewis Hamilton entre os pilotos (219 a 169), após 11 das 23 corridas.
Por que Toto Wolff reclamou dos upgrades da Ferrari?
Wolff questionou como a Ferrari consegue levar tantas peças novas sob o teto de gastos e disse que a equipe italiana 'vai ficar sem verba de teto em breve'. Fred Vasseur rebateu dizendo que, quando a Red Bull desenvolve, é genialidade, e quando a Ferrari desenvolve, é trapaça.
Quantas corridas faltam na temporada 2026 da F1?
Doze, da rodada 12 à 23. A retomada é no GP da Holanda, em Zandvoort, entre 21 e 23 de agosto, e o fim de semana tem corrida sprint.