Aston Martin enfim pontua em 2026 e aposta no upgrade de Newey
Fernando Alonso transformou o caos de Mônaco no primeiro ponto da Aston Martin em 2026, e Adrian Newey — de volta ao paddock — confirmou um pacote de upgrades para antes do recesso. Mas um 10º lugar herdado de punições alheias não esconde que a superequipe ainda briga só com a Cadillac no fundo do grid.

A Aston Martin saiu de Mônaco com algo que não via desde a largada da temporada: um ponto no Mundial. Fernando Alonso cruzou a linha em 10º no GP mais caótico do ano e, depois de uma enxurrada de punições aos rivais, garantiu o primeiro ponto da Aston Martin em 2026. Não é a virada que a equipe prometeu quando montou a superequipe de Adrian Newey, motor Honda e um bicampeão mundial ao volante — mas, depois de seis corridas no fundo do grid, qualquer ponto vira manchete em Silverstone.
O primeiro ponto da Aston Martin veio do caos, não do ritmo
Convém separar o que foi mérito do que foi sorte. A Aston Martin apostou numa estratégia agressiva em Monte Carlo: Alonso parou já na terceira volta para calçar o pneu macio e tentou esticar a corrida de 78 voltas, aproveitando os períodos de safety car para administrar a borracha. Pedro de la Rosa, conselheiro da equipe, classificou o plano à Formula1.com como "muito agressivo" e "muito ambicioso", e destacou que os dois carros "rodaram com confiabilidade até o fim" — detalhe nada óbvio para quem começou o ano sem completar provas.
O resto foi o caos de Mônaco trabalhando a favor. Sergio Pérez levou duas punições (uma na largada, outra por excesso de velocidade no pit lane) e Nico Hülkenberg recebeu acréscimo de tempo por causar uma colisão. Foi essa sequência de penalidades que empurrou Alonso para dentro da zona de pontos. "Assumi muito risco na primeira volta e na relargada, e tentei consolidar a posição que tínhamos", resumiu o espanhol — sem fingir que o 10º lugar nasceu de ritmo de carro.
No campeonato, a foto melhora pouco. A Aston Martin é a 10ª colocada entre as construtoras, com 1 ponto: à frente apenas da estreante Cadillac (zero) e atrás da Audi (2), que pontuou com mais regularidade. Lance Stroll segue zerado. Enquanto isso, Kimi Antonelli emendou mais uma vitória e a Mercedes abriu folga na ponta, num contraste cruel com a equipe que prometia brigar lá na frente. O salto para fora da lanterna é real, mas modesto — bem distante da ambição de uma campanha que começou expondo o blefe da era Newey-Honda.
Newey de volta ao paddock e o upgrade prometido
A novidade de bastidores talvez seja mais importante que o ponto. Adrian Newey reapareceu no paddock em Mônaco — a primeira vez desde a Austrália — depois de semanas afastado da fábrica e do muro dos boxes por problemas de saúde. E voltou anunciando trabalho: "Estamos trabalhando no upgrade, que provavelmente teremos pronto antes do recesso de verão", disse o projetista.
Alonso reforçou o discurso, mas pediu calma. Em entrevista ao RacingNews365, o bicampeão explicou que a equipe segurou de propósito as grandes melhorias para diagnosticar os problemas um a um — motor na Austrália, energia na China, chassi em Mônaco, câmbio no Canadá — antes de atacar tudo de uma vez. "O pacote que vamos tentar trazer vai mirar esses problemas todos juntos, e não individualmente. Tenho total confiança na equipe, porque nossa impressão é de que o carro vai mudar drasticamente", afirmou. O prazo que ele pede é direto: "Só precisamos esperar mais quatro ou cinco corridas."
O pano de fundo continua sendo o motor. As fortes vibrações da Honda — que no início do ano limitavam Alonso a cerca de 25 voltas seguidas antes de virarem insuportáveis — foram a primeira muralha a derrubar, e só caíram parcialmente desde Suzuka. Newey de volta, motor mais estável e um pacote aerodinâmico a caminho formam o tripé da aposta. A pergunta é se chega a tempo de salvar algo de 2026.
O que está em jogo antes do recesso
A próxima parada é o GP da Espanha, em Barcelona-Catalunya, entre 12 e 14 de junho — pista de referência técnica, onde curvas de média e alta velocidade expõem sem dó as limitações aerodinâmicas. Não será ali que o grande upgrade aparece, mas é o tipo de circuito que mede o tamanho real do buraco que a Aston Martin precisa tapar.
O alvo, pela boca de Alonso, é deliberadamente humilde: "Se com os upgrades conseguirmos andar entre o 12º e o 15º, você fica naquela faixa em que os pontos ficam mais acessíveis." Traduzindo: a meta de curto prazo não é vencer, é deixar de depender do caos alheio para pontuar. Mike Krack, voz pública da equipe nos fins de semana, já havia admitido que "o nível de performance do pacote está longe de onde precisa estar".
Para um projeto que a ESPN já classificou como superequipe à beira do desastre, esse é o saldo de meia temporada: um ponto herdado, um chefe técnico que mal pôde trabalhar e um motorista de 44 anos com contrato a vencer esperando um carro que ainda não existe. O recesso de verão virou linha de chegada simbólica — se o pacote de Newey entregar o salto prometido, a Aston Martin compra um segundo semestre de relevância. Se não, 2026 entra para a galeria das promessas mais caras que a Fórmula 1 já viu.
Perguntas frequentes
Quantos pontos a Aston Martin tem em 2026 depois de Mônaco?
Um ponto. O 10º lugar de Fernando Alonso em Mônaco foi o primeiro da equipe na temporada. A Aston Martin é a 10ª no Mundial de Construtores, à frente apenas da Cadillac (zero) e atrás da Audi (2).
Como Alonso pontuou no GP de Mônaco 2026?
Com uma estratégia agressiva — parada já na 3ª volta para o pneu macio — e ajuda das punições aos rivais. Sergio Pérez levou duas punições e Nico Hülkenberg uma, o que promoveu Alonso ao 10º lugar. Ele admitiu que o ponto veio mais do caos do que do ritmo.
Quando chega o grande upgrade da Aston Martin em 2026?
Adrian Newey disse em Mônaco que o pacote deve estar pronto 'antes do recesso de verão'. Alonso pediu paciência por 'mais quatro ou cinco corridas' e prometeu uma mudança radical no carro, atacando de uma vez os problemas de motor, energia, chassi e câmbio.
Adrian Newey voltou a trabalhar na Aston Martin?
Sim. Após semanas afastado da fábrica e do paddock por problemas de saúde, Newey reapareceu no paddock em Mônaco — a primeira vez desde a Austrália — e confirmou o trabalho no pacote de upgrades.
Qual é a próxima corrida da Aston Martin depois de Mônaco?
O GP da Espanha, no Circuito de Barcelona-Catalunya, entre 12 e 14 de junho de 2026. É a sétima etapa da temporada e o próximo teste antes do pacote de melhorias.