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Aston Martin: ausência de Newey reacende a novela Wheatley

Adrian Newey segue afastado da fábrica e do muro dos boxes da Aston Martin por problemas de saúde, e a lacuna no comando reabriu nos bastidores a especulação que ronda Silverstone desde março: a chegada de Jonathan Wheatley. Em Montreal, uma placa de estacionamento com o nome do ex-Audi jogou lenha na fogueira.

PorRicardo Mendes
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Aston Martin: ausência de Newey reacende a novela Wheatley
Foto: The Judge 13 / Reprodução — Adrian Newey segue afastado da fábrica da Aston Martin em recuperação, e a equipe trata a ausência como temporária

A Aston Martin saiu do GP do Canadá com mais perguntas do que pontos — e a maior delas não está no carro, mas no comando. Adrian Newey, anunciado em 2025 como o homem que reergueria a equipe de Silverstone, não aparece na fábrica nem no muro dos boxes há semanas, em recuperação de problemas de saúde. A lacuna na liderança reacendeu nos bastidores a especulação que ronda a equipe desde março: a chegada de Jonathan Wheatley.

O contexto não ajuda. Enquanto Kimi Antonelli venceu em Montreal pela quarta vez seguida e empurrou a Mercedes para a liderança do Mundial, a Aston Martin terminou o fim de semana no fundo do grid, sem somar ponto e com mais um relatório de incidentes do que de progresso.

Newey ausente: o que a Aston Martin confirma e o que não confirma

O dado verificável é a ausência. Segundo fontes da fábrica ouvidas pelo The Judge 13, Newey "raramente foi visto em Silverstone nas últimas semanas" e segue afastado tanto do trabalho de pista quanto da sede, em recuperação de problemas de saúde — ele chegou a ser hospitalizado no início do ano.

A posição oficial da equipe é de continuidade: a Aston Martin sustenta que Newey "segue liderando o time como team principal e managing technical partner". Na prática, quem ocupa o posto mais sênior nos fins de semana é Mike Krack, hoje chief trackside officer e principal voz pública da equipe, enquanto Andy Cowell responde como chief strategy officer.

A dúvida que ninguém em Silverstone responde no microfone é a mais relevante: se, e quando, Newey retoma a função de chefe no formato tradicional. A leitura predominante no paddock é que dificilmente ele voltará a acumular as duas pastas — o que abre espaço para a parte da história que a equipe insiste em tratar como rumor.

A placa de Montreal e a novela Wheatley

Wheatley não é um nome novo nessa conversa. O britânico deixou a Audi em março, com Mattia Binotto assumindo a chefia, e desde então figura em "gardening leave" como o candidato lógico para coordenar a operação da Aston Martin enquanto Newey se concentra no projeto técnico. Faz sentido no organograma: a equipe tem diretor técnico de peso, mas a liderança operacional nunca foi totalmente preenchida.

Em Montreal, a especulação virou imagem. Uma placa de estacionamento com os dizeres "Jonathan Wheatley, Aston Martin" apareceu no paddock e circulou rápido. A organização do circuito tratou o episódio como "erro de impressão" e afirmou que "o problema foi resolvido" — versão que ninguém na pista comprou por completo.

O que sustenta a cautela: do lado factual, Wheatley ainda consta como funcionário da Audi, e nenhuma das duas partes confirmou a transferência. Há relatos, como os do GPFans, de que um anúncio "está a caminho", mas isso permanece no campo da expectativa, não do comunicado. Entre o que está confirmado — a ausência de Newey — e o que é projeção — Wheatley no comando —, a equipe convive com o pior dos mundos: liderança em compasso de espera no meio de uma crise esportiva.

Um fim de semana para esquecer no Canadá

A urgência da definição vem do desempenho. No Canadá, Fernando Alonso abandonou no meio da corrida por um inusitado "problema no banco" do carro, e a equipe ainda levou duas multas da FIA — de 5 mil e 7,5 mil euros — por liberações inseguras nos boxes. Lance Stroll largou do pit lane em duas ocasiões ao longo do fim de semana, entre ajustes de acerto e de suspensão.

O retrato no campeonato é cruel. A Aston Martin segue zerada e divide a lanterna do Mundial de Construtores com a estreante Cadillac, enquanto Alonso e Stroll ocupam 22º e 21º entre os pilotos. Para um projeto montado como superequipe no papel — Newey no comando técnico, motor Honda de fábrica e um bicampeão mundial ao volante —, chegar à quinta etapa da temporada sem pontuar é um descompasso que vai muito além do azar pontual, como o portal já vinha apontando na exposição do blefe da era Newey-Honda.

O que está em jogo antes de Mônaco

A próxima parada é o GP de Mônaco, entre 5 e 7 de junho — um circuito que perdoa um carro lento, mas castiga indisciplina operacional como poucos. Em Monte Carlo, erro de pit stop e largada de pit lane custam caro, e a Aston Martin chega justamente com esse histórico fresco de liberações inseguras e procedimentos atrapalhados.

A definição da liderança deixou de ser detalhe de organograma. Cada semana de ausência de Newey e de limbo em torno de Wheatley é uma semana a menos de reconstrução para uma equipe que prometeu brigar na frente e ainda não saiu do zero. O carro precisa de respostas técnicas — mas, antes delas, Silverstone precisa decidir quem manda.

Perguntas frequentes

Quem comanda a Aston Martin com a ausência de Adrian Newey?

Oficialmente, Newey segue como team principal e managing technical partner, mas anda afastado da fábrica e do muro dos boxes por problemas de saúde. Nos fins de semana de corrida, Mike Krack é a figura mais sênior e o rosto público da equipe.

Jonathan Wheatley já é chefe da Aston Martin?

Não. Nada foi confirmado. Wheatley deixou a Audi em março, está em 'gardening leave' e é o nome mais cotado para a parte operacional, mas até o GP do Canadá não havia anúncio oficial. Uma placa com seu nome surgiu em Montreal e foi atribuída a 'erro de impressão'.

Quantos pontos a Aston Martin tem em 2026?

Zero. Após o GP do Canadá, a equipe é a lanterna do Mundial de Construtores, ao lado da estreante Cadillac. Fernando Alonso e Lance Stroll aparecem em 22º e 21º entre os pilotos.

Por que Alonso abandonou o GP do Canadá?

Por um problema no banco do carro, segundo a própria equipe. Foi mais um capítulo de um fim de semana com duas multas da FIA por liberações inseguras e dois pit lane starts de Stroll.

Quando é a próxima corrida depois do Canadá em 2026?

O GP de Mônaco, entre 5 e 7 de junho de 2026, no Circuito de Monte Carlo. É a sexta etapa da temporada.

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Sobre o autor

Ricardo Mendes

Editor-Chefe

Jornalista especializado em F1 há 15 anos. Acompanha o paddock desde 2010.