Honda usa a pausa para tentar a correção do motor da Aston Martin
O Japão deu à Aston Martin sua primeira chegada do ano — Alonso em P18. Honda diz que vai corrigir 'na raiz'. Mike Krack nega rachaduras na parceria. A pausa de cinco semanas é a janela para a Honda mudar a especificação do motor antes de Miami.

Fernando Alonso cruzou a linha de chegada no Japão em 18º lugar. Lance Stroll aposentou com problema de pressão d'água. Para a Aston Martin, isso foi — surrealmente — um motivo de alívio: a primeira vez nos três GPs de 2026 que pelo menos um carro viu a bandeirada.
O número que explica tudo: DNFs duplos na Austrália, DNFs duplos na China. Seis carros largaram nas duas primeiras corridas. Nenhum chegou. A crise do motor Honda que a análise de dados já havia mapeado não é apenas uma questão de velocidade — é uma questão de sobrevivência.
Com a pausa de cinco semanas entre o GP do Japão e o de Miami, Honda e Aston Martin têm até 1 de maio para responder a uma pergunta que se torna cada vez mais urgente: é possível corrigir o problema antes que o campeonato escape completamente?
O que está quebrando no motor Honda
A Honda admitiu que as vibrações que afetam o AMR26 são "extremamente desafiadoras". Os engenheiros da marca japonesa explicaram publicamente que as oscilações partem da unidade de potência e chegam até as mãos dos pilotos pelo volante — com risco real de dano permanente nos nervos, segundo relatos do próprio time.
O mecanismo é o seguinte: vibrações anormais em determinadas faixas de rotação danificaram baterias nas primeiras corridas, primeiro deixando os carros sem energia elétrica e depois sem componentes sobressalentes. Cada saída de pista consumia uma peça que não havia como repor no ritmo dos fins de semana de corrida.
Em Suzuka, a Honda trouxe contramedidas para o Japão voltadas ao lado do piloto — ajustes em como as vibrações chegam ao volante, não à origem do problema. Alonso completou a corrida, P18, mas qualificou em P21. Stroll fez P22 no quali, aposentou na corrida.
"Controlamos a situação o suficiente para terminar a corrida", disse Mike Krack após Suzuka. "Mas ainda há muito trabalho pela frente."
A janela que a Honda precisa aproveitar
A pausa de abril existe por razões externas ao esporte: os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita foram cancelados em função do conflito no Oriente Médio. Para a maioria das equipes, esses cinco semanas são uma janela de desenvolvimento intenso. Para a Honda, é uma janela de sobrevivência.
Segundo o The Race, a Honda planeja trazer uma primeira mudança real de especificação de motor para o GP de Miami. Não será ainda a "correção definitiva" — mas seria a primeira alteração na própria unidade de potência, e não apenas nas contramedidas de amortecimento ou software que foram testadas até agora.
O presidente da Honda Racing Corporation, Koji Watanabe, foi direto: a empresa vai "corrigir o problema de vibração na raiz". Krack, questionado ontem (7 de abril) sobre uma possível tensão entre Aston Martin e Honda, negou qualquer divergência: "Somos uma equipe. Estamos trabalhando nisso juntos."
O comunicado de Krack vem num momento em que rumores de atrito entre as duas organizações circularam pelo paddock — parte deles alimentados pela saída repentina de Jonathan Wheatley da Audi, que segundo múltiplas fontes está a caminho da Aston Martin para assumir funções de gestão, enquanto Adrian Newey foca no trabalho técnico.
Quanto tempo a Honda realmente tem?
A questão mais desconfortável é a da linha do tempo. Fontes ouvidas pelo Last Word on Sports em março indicaram que a recuperação total do motor Honda pode se estender até 2027 — ou seja, o ano inteiro de 2026 pode ser de gerenciamento de danos.
É um cenário que a Aston Martin não quer aceitar publicamente. O projeto de Newey, construído ao longo de 2025 com contratações específicas e uma filosofia aerodinâmica nova, foi projetado para ser competitivo exatamente sob as regras de 2026. A estrutura do AMR26, pelos dados de GPS e as imagens disponíveis, sugere potencial real. O problema está debaixo do capô.
A Honda tem ciência de que essa batalha é reputacional além de técnica. A montadora japonesa retornou à F1 como fabricante de motores depois de construir sua saída da Red Bull como fornecedora em 2023 — um processo longo e delicado. Entregar um motor que danifica permanentemente seus próprios pilotos não é o tipo de manchete que a marca quer carregar.
Miami como a primeira resposta real
O GP de Miami, em 1–3 de maio, será o verdadeiro teste para a parceria. Se a Honda trouxer a mudança de especificação prometida e o AMR26 conseguir completar corridas sem problemas graves, a narrativa pode começar a mudar. Se Alonso e Stroll voltarem para casa com mais DNFs, a pressão sobre a Honda — e sobre a viabilidade do projeto de 2026 — se tornará insustentável.
Para a Aston Martin, que acumula zero pontos nos dois primeiros GPs e uma chegada simbólica em Suzuka, a pausa não é folga. É a última janela antes que o campeonato se feche de vez.
Perguntas frequentes
Quantas corridas a Aston Martin completou nos três primeiros GPs de 2026?
Apenas uma chegada — Alonso em P18 no Japão. Foram DNFs duplos na Austrália e na China; em Suzuka, Stroll também aposentou com problema de pressão d'água.
Quando a Honda planeja trazer a primeira correção real de motor?
No GP de Miami, em 1–3 de maio de 2026. Será a primeira mudança real na especificação da unidade de potência, indo além das contramedidas de amortecimento e software testadas até então.
Por que o motor Honda está vibrando?
As oscilações partem da unidade de potência e chegam até as mãos dos pilotos pelo volante, com risco real de dano permanente nos nervos. Vibrações em determinadas faixas de rotação também danificaram baterias nas primeiras corridas.
Quem assumiria funções de gestão na Aston Martin?
Jonathan Wheatley, ex-Audi, segundo múltiplas fontes. A ideia é deixar Adrian Newey focado no trabalho técnico enquanto Wheatley cuida da gestão da equipe.