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Aston Martin tem zero pontos e o próximo GP é no Japão da Honda

Dois GPs, dois DNFs duplos, zero pontos no Mundial. A China só confirmou o que a Austrália já havia mostrado: a Aston Martin está em queda livre — e o próximo exame é em Suzuka, na casa da Honda.

PorCarla Ribeiro
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Aston Martin tem zero pontos e o próximo GP é no Japão da Honda
Foto: Autosport / Reproducao — Fernando Alonso no AMR26 durante o GP da China 2026, corrida que terminou com mais um DNF

Vou colocar em dois números: zero e dois. Zero pontos no Mundial de Construtores depois de dois Grandes Prêmios. Esse é o balanço da Aston Martin em 2026 — o projeto que custou centenas de milhões de libras, que tem o maior projetista da história da Fórmula 1 e uma parceria de motores de fábrica com a Honda. Zero pontos. Mesma pontuação da Cadillac, a equipe estreante que ninguém sabia nem pronunciar o nome direito há seis meses. E o próximo Grand Prix é em Suzuka. No Japão. Na casa da Honda. Não consigo decidir se isso é tragédia ou comédia.

Os dados que a Aston Martin não pode mais ignorar

A China foi um espelho cruel da situação real. Fernando Alonso se qualificou em 19º. Lance Stroll em 21º — o último do grid. Durante a corrida, Alonso relatou ter perdido a sensibilidade nas mãos e nos pés por causa das vibrações do AMR26. Não é força de expressão: o piloto perdeu a percepção física nos membros dentro do carro. Parou na corrida. Stroll parou também, outra falha relacionada à bateria.

É o segundo fim de semana consecutivo com duplo DNF. No balanço da temporada que o Lucas Kim publicou hoje cedo, a situação fica ainda mais clara quando você olha o quadro geral: enquanto Mercedes acumula 98 pontos no Construtores e Ferrari está em 67, a Aston Martin está em zero. Ao lado da Cadillac. A diferença é que a Cadillac é uma equipe novata que ninguém esperava ver nos pontos antes do segundo semestre. A Aston Martin foi construída para ganhar o título.

O problema não é novidade — é a persistência dele que assusta. A Honda entregou uma unidade de potência com vibrações severas o suficiente para colocar em risco a saúde dos pilotos. Na Austrália já era assim. Na China continuou sendo assim. Entre os dois GPs, a equipe rodou, trabalhou, trouxe engenheiros da Honda para Silverstone. E na hora que importa, Alonso ficou com as mãos dormentes dentro do cockpit.

O Japão de Suzuka como teste de fogo — e de constrangimento

O próximo Grand Prix acontece em Suzuka, de 27 a 29 de março. É a corrida mais importante do calendário para a Honda: a torcida japonesa, a história da montadora no circuito, o orgulho nacional em jogo toda vez que o grid entra na primeira curva. A Honda voltou para a Fórmula 1 como fornecedor de fábrica exatamente para momentos como esse.

Eles vão chegar lá com zero pontos e dois pilotos que mal conseguiram completar voltas suficientes para classificar nos dois eventos anteriores. A questão não é técnica — a questão é o que acontece com o moral de um projeto quando ele precisa enfrentar o próprio público com a credibilidade em frangalhos. Se houver um terceiro fim de semana sem pontuar em Suzuka, a Honda vai explicar esse resultado diante de patrocinadores, executivos e da imprensa japonesa que cobre Fórmula 1 com o mesmo rigor que cobre o mercado financeiro. Não vai ser bonito.

O contra-argumento dos que ainda acreditam — e minha resposta

Já ouvi o argumento. "A Aston Martin tem tempo para virar o jogo." "O regulamento técnico 2026 ainda está no começo, todo mundo vai evoluir." "A Honda é a Honda, eles vão resolver." "Adrian Newey nunca fez um carro que não melhorou ao longo da temporada."

Ouvi isso também depois da Austrália, quando escrevi sobre o colapso do projeto em Silverstone. A resposta foi a mesma: dois DNFs em Melbourne era uma má fase, um susto técnico, o começo da curva de aprendizado. E então veio Xangai para confirmar que não era susto nenhum.

Tem diferença entre carro que não tem ritmo e carro que coloca piloto em risco físico. Alonso perdeu a sensação nos membros dentro de um cockpit de Fórmula 1. Isso não é "refinamento de setup". É uma falha de engenharia séria que deveria ter sido resolvida entre os dois eventos e, evidentemente, não foi. E nenhuma quantidade de otimismo público da equipe muda esse fato.

A Aston Martin pode melhorar ao longo do ano? Claro. Mas "pode melhorar" não é o mesmo que "vai disputar o título", e mais importante: isso não justifica o que está acontecendo agora. Um carro que machuca piloto não é um projeto em desenvolvimento — é um projeto com problema fundamental que precisa ser admitido antes de poder ser resolvido.

Lawrence Stroll e a conta que vai chegar cedo ou tarde

Lawrence Stroll construiu a Aston Martin de Fórmula 1 tijolo por tijolo. Comprou a Racing Point, renomeou para Aston Martin, contratou os melhores nomes disponíveis, atraiu a Honda como parceiro de motor e colocou Adrian Newey para projetar o carro. O sonho era construir uma equipe capaz de desafiar a Red Bull e a Ferrari dentro de três ou quatro anos.

Estamos no segundo Grand Prix de 2026 e o projeto está na mesma linha do Construtores que uma equipe americana que entrou na categoria há cinco meses. Isso não é o fim — o campeonato tem 24 corridas — mas é um sinal de que algo deu muito mais errado do que o planejado, e que o tamanho do investimento não garante competitividade quando o produto básico não funciona.

Suzuka vai ser o terceiro exame real do AMR26. Se a equipe aparecer lá com um carro capaz de terminar a corrida e pontuar, começo a revisar minha posição. Se aparecer com as mesmas vibrações, os mesmos DNFs e os mesmos comunicados de "estamos trabalhando para resolver", aí a pergunta que Lawrence Stroll vai ter que responder não é para a imprensa — é para o espelho.

Zero pontos em dois GPs não é uma fase ruim. É um diagnóstico.

Perguntas frequentes

Quantos pontos a Aston Martin tem no Mundial de Construtores após dois GPs de 2026?

Zero pontos, mesma pontuação da estreante Cadillac. A Mercedes lidera com 98 pontos e a Ferrari soma 67 no mesmo período.

Por que Alonso abandonou o GP da China 2026?

Perdeu a sensibilidade nas mãos e nos pés por causa das vibrações severas do motor Honda no AMR26. Stroll também abandonou no mesmo fim de semana, em falha relacionada à bateria.

Quando acontece o GP do Japão e por que ele é simbólico para a Honda?

Entre 27 e 29 de março de 2026, em Suzuka. É a corrida mais importante do calendário para a Honda — torcida japonesa, história da montadora no circuito e orgulho nacional em jogo a cada largada.

Quantos DNFs duplos a Aston Martin acumulou nas duas primeiras corridas?

Dois fins de semana consecutivos com duplo DNF. Tanto na Austrália quanto na China os dois carros abandonaram, sempre com problemas ligados às vibrações da unidade de potência Honda.

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Sobre o autor

Carla Ribeiro

Colunista

Comentarista de TV. Opinião forte, sem filtros. Polêmica é o sobrenome.