Aston Martin zerada em Miami expoe o blefe da era Newey-Honda
Cinco corridas, zero pontos, Alonso a uma volta do líder em Miami: a Aston Martin que prometia ser o McLaren-2024 do novo regulamento estreou como o maior fiasco do projeto Stroll. Newey ainda não apareceu, Honda já queimou seu estoque de peças e o cronograma agora trabalha contra Lawrence.

Cinco corridas. Zero ponto. Cinco. Zero. Repete devagar, porque é assim que Lawrence Stroll vai precisar processar o início de 2026: a Aston Martin é a única equipe não estreante do grid sem nenhum ponto até a quinta etapa, e em Miami Fernando Alonso cruzou a linha em 15º a uma volta inteira do garoto Andrea Kimi Antonelli — que tem 19 anos e lidera o Mundial com 100 pontos.
A propaganda dizia outra coisa. Adrian Newey saindo da Red Bull para liderar o projeto, Honda voltando como fabricante após cinco anos longe da F1, fábrica novinha em Silverstone, simulador de US$ 200 milhões, departamento de aerodinâmica reformado, Alonso prorrogando aposentadoria para "lutar pelo título". Era para ser o "McLaren-2024 do novo regulamento". Virou o "Williams-2019 com bilhete de luxo".
A conta da megalomania de Lawrence Stroll
Lawrence Stroll comprou a Force India em 2018. Em 2020, virou Racing Point. Em 2021, virou Aston Martin. Em 2023, viveu seu melhor momento esportivo com Alonso brigando por podiums. Daí em diante, gastou. Gastou em Newey, em Honda, em Pedro de la Rosa como embaixador, em um simulador novíssimo, em uma fábrica que parece um aeroporto regional. Pediu em troca exatamente uma coisa: que a virada de regulamento de 2026 entregasse um carro vencedor.
A virada chegou. O carro não veio. E aqui está a parte que ninguém em Silverstone quer admitir em voz alta: a estratégia de jogar dinheiro no problema funciona quando o problema é estrutural. Quando o problema é decisão técnica, dinheiro só compra atraso melhor embrulhado.
O álibi Newey já durou tempo demais
Adrian Newey desembarcou na Aston Martin em março de 2025 como Managing Technical Partner, com — segundo a equipe — foco "principalmente no carro de 2026". Marketing perfeito. Realidade: em março de 2025 o AMR26 já estava em fase avançada de desenvolvimento conceitual. O peso, a arquitetura geral, a integração com a Honda — tudo decidido antes de Newey colocar lápis no papel da equipe nova.
A Aston Martin não pode usar Newey como álibi (ele veio tarde demais para mudar este carro), nem pode usá-lo como salvação (o impacto real dele é projeto 2027). É um limbo confortável para quem precisa vender narrativa, mas péssimo para quem precisa marcar ponto.
Honda comeu o estoque do Bahrein e ainda assustou os pilotos
A Honda voltou da aposentadoria parcial com o RA626H prometendo eficiência energética acima da média do grid sob o novo regulamento (350kW elétricos, combustível 100% sustentável). Entregou outra coisa: gastou quase todas as peças reservas durante os testes do Bahrein resolvendo problemas básicos, depois admitiu publicamente — via comunicado da própria Honda — que as vibrações do motor eram fortes o suficiente para causar "dano nervoso" em exposições prolongadas.
Em Miami, Alonso confirmou que as vibrações melhoraram. E imediatamente apontou o próximo problema: "Honestamente, foi mais o câmbio do que o motor o fim de semana inteiro. A eletrônica, alguma coisa muito estranha nas reduções e nas trocas pra cima, sem controle adequado." É o tipo de declaração que, em 2023, Alonso evitava. Em 2026, ele cospe direto. Quando um piloto bicampeão começa a falar mal do equipamento publicamente, é porque internamente já gritou e ninguém ouviu.
Antonio Lobato disse o que o paddock pensa
O comentarista espanhol Antonio Lobato — voz autorizada, ex-narrador oficial da F1 na Espanha, próximo de Alonso há duas décadas — chamou o projeto Aston Martin 2026 de "a maior trapalhada de uma equipe na história recente da Fórmula 1". O paddock se mexeu, fingiu indignação, mas no fundo ninguém discordou. Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren leram o cabeçalho e seguiram fazendo seu trabalho. A tabela do construtores agradece: Mercedes 180, Ferrari 110, McLaren 94. Aston Martin? Empatada com a Cadillac em zero — o que torna a Cadillac, equipe estreante de americano, uma comparação bem mais elogiosa para a Cadillac do que para o time britânico.
Alonso ainda sorri. O cronômetro, não.
Fernando completa 45 anos em julho. Está no quinto contrato de "última chance" da carreira. Em Miami, evitou a explosão pública: "Vibrações estão melhores. Não tivemos problemas de confiabilidade." É a fala de quem, no fundo, sabe que dramatizar agora só queima ainda mais ponte com a engenharia que ainda pode salvar a temporada. A coluna oposta — "decepção velada que vira raiva pública" — já foi escrita por ele em 2017 com a McLaren-Honda. Ele sabe o roteiro de cor.
E Stroll filho? Lance terminou em 17º em Miami. Décimo-sétimo. Em quinto ano de equipe. Com motor de fabricante. Com Newey na casa. Não há álibi possível. A esta altura, o problema não é mais "o carro precisa de tempo". O problema é que a Aston Martin está apenas um degrau acima da Cadillac na entrega do regulamento mais aguardado dos últimos dez anos — e a Cadillac estreou semana passada com Pérez ganhando de Williams e Aston Martin no sprint.
A Aston Martin tem dinheiro, fábrica, Newey, Honda, Alonso e De la Rosa. O que ela não tem, pelo quinto fim de semana consecutivo, é o único item que conta na F1: ponto no construtores. Lawrence Stroll precisa parar de ler a planilha de investimento e começar a ler a tabela. As duas contam histórias diferentes — e a tabela é a única que aparece no telão do domingo.
Perguntas frequentes
Quantos pontos a Aston Martin marcou na F1 2026 ate agora?
Zero. Depois de cinco grandes premios (Bahrein, Australia, Japao, China e Miami), Alonso e Stroll seguem sem cruzar a faixa do top 10. A unica companhia da Aston Martin no marcador zerado e a estreante Cadillac.
Por que a Aston Martin esta tao lenta com a Honda em 2026?
O motor Honda RA626H teve problemas de vibracao serios o suficiente para a fabricante admitir risco de dano nervoso aos pilotos com longas exposicoes, e gastou quase todo o estoque de pecas reservas no teste do Bahrein. As vibracoes melhoraram em Miami, mas agora um defeito de cambio nos downshifts virou a nova prioridade ate o Canada.
Adrian Newey ja esta trabalhando no AMR26 da Aston Martin?
Newey assumiu como Managing Technical Partner em marco de 2025, com foco principal no projeto de 2026. Apesar disso, o AMR26 deste ano e largamente um carro projetado antes da chegada total dele, o que reduz a parcela de impacto direto da assinatura tecnica do britanico ate aqui.
Quem ainda esta sem pontos no Mundial de Pilotos da F1 2026 apos Miami?
Fernando Alonso, Lance Stroll, Sergio Perez, Valtteri Bottas e Nico Hulkenberg seguem zerados. Os dois pilotos da Aston Martin sao os unicos zerados de uma equipe que nao e estreante e tem motor de fabricante de ponta.
Lawrence Stroll vai mexer na estrutura da Aston Martin se a temporada nao melhorar?
A pressao publica ja existe — analistas como Antonio Lobato chamaram a aposta atual de 'a maior trapalhada da historia recente da F1'. Stroll, no entanto, tem historico de bancar projetos longos (fabrica nova, contratacao de Newey, parceria Honda) e dificilmente fara troca de comando em meio de temporada com Newey ainda em fase de integracao.