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Racing Bulls leva à Áustria o futuro que a Red Bull busca

A Red Bull recebe a F1 em casa, na Áustria, em plena crise — e quem chega de cabeça erguida é a equipe-irmã. A Racing Bulls subiu a sexto, ultrapassou a Haas e guarda, em Lawson e Lindblad, as respostas que o grid sênior procura para 2027. A Sexta no Paddock destrincha o paradoxo de Faenza.

PorFernando Almeida
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Racing Bulls leva à Áustria o futuro que a Red Bull busca
Foto: Wikipedia / CC-BY-SA — Liam Lawson, peça central da Racing Bulls e nome recorrente nas contas da Red Bull para a vaga de 2027.

A Fórmula 1 desembarca em Spielberg na próxima semana para a corrida de casa da Red Bull, e o paddock já chega com a piada pronta — só que ninguém em Milton Keynes está rindo. A Racing Bulls, a equipe-irmã que existe para formar pilotos e testar conceitos, vai à Áustria em sexto no Mundial de Construtores, à frente da Haas que a redação analisou pela manhã, com um trunfo que a estrutura principal perdeu pelo caminho: futuro. Enquanto a Red Bull encara o Red Bull Ring rezando por um pódio, a equipe de Faenza chega como a parte saudável do organograma.

É essa a fotografia que abre a Sexta no Paddock desta semana. E ela tem um detalhe que vai doer no fim de semana mais simbólico do ano para a marca austríaca: os dois nomes que sustentam a esperança da Red Bull para 2027 não estão no carro de Verstappen. Estão no time que deveria ser coadjuvante.

Racing Bulls em sexto: a conta que ninguém quer fazer na Red Bull

Comecemos pelos números que a tabela de construtores carimbou depois de Barcelona. A Racing Bulls saltou do sétimo lugar — eram 14 pontos lá em Miami — para o sexto, com 41, ultrapassando a Haas (21) ao longo do bloco europeu. À frente, só a Alpine (57) ainda escapa, e por uma distância que o ritmo recente de Faenza já não trata como inalcançável.

PosEquipePontosPara a frente
4Red Bull89
5Alpine57-32
6Racing Bulls41-48
7Haas21-68

O dado que incomoda não é a subida em si — é a comparação interna. A Red Bull tem 89 pontos, quase todos com um sobrenome: Verstappen soma 55 sozinho. Tire o tetracampeão da conta e sobram 34 para o outro carro. A Racing Bulls, com a dupla inteira, fez 41. Em outras palavras: o time-irmão, somando seus dois pilotos, entregou mais do que a equipe-mãe entregou sem o melhor piloto da geração. Numa estrutura comum, isso seria curiosidade de planilha. Dentro da Red Bull GmbH, é munição política — a mesma que já vinha sendo carregada desde a virada que a equipe prometeu no Canadá.

A leitura ganha peso porque a Red Bull principal está, por consenso do paddock, vivendo o pior momento técnico em quinze anos. O RB22 é descrito como pesado e de janela de acerto estreita, e Barcelona escancarou o teto: P4 com Verstappen num domingo de caos total. Quando a equipe principal só pontua de verdade graças ao número 1, e o número 1 fala em pausar a carreira, a "fábrica de pilotos" do lado de baixo deixa de ser detalhe administrativo e vira ativo estratégico.

Lawson e Lindblad: o duelo que a Europa embaralhou

Em maio, a história era limpa: Liam Lawson, descartado pela Red Bull no fim de 2025 para abrir a vaga de Isack Hadjar, vinha somando mais pontos que o piloto que herdou seu lugar. Era a narrativa de revanche perfeita. A sequência europeia mexeu nessa conta — e de um jeito que interessa aos dois lados.

Hadjar engatou. O francês fez o número de respeito em Barcelona, terminando logo atrás de Verstappen, e os 34 pontos que carrega hoje mostram um piloto que parou de tropeçar nas próprias estreias. O duelo direto com Lawson, que parecia resolvido há um mês, voltou a ficar apertado. Só que o argumento de Faenza não depende mais de ganhar o confronto individual: depende de provar que a dupla, junta, rende mais do que a Red Bull consegue tirar do banco ao lado de Verstappen. E rende.

Do outro lado da garagem, Arvid Lindblad segue sendo a aposta mais barata e mais promissora do grid. Único novato de 2026, o britânico de 18 anos pontuou na estreia, cravou um Q3 em Suzuka num fim de semana em que Verstappen parou no Q2 e trata cada classificação como vitrine. Alan Permane resumiu a filosofia da equipe ao Formula1.com: "Gostamos de ser uma incubadora de talento." A continuidade de Lawson, disse o chefe, foi pensada justamente para dar chão ao garoto. O recado, lido nas entrelinhas, é direto: Faenza está entregando exatamente o que a estrutura combinou — só que num ritmo que a equipe principal não acompanhou.

A cláusula de Verstappen e a vaga que vale 2027

Aqui mora o motivo de tudo isso importar agora, e não daqui a três corridas. Max Verstappen tem contrato com a Red Bull até 2028, mas com uma cláusula de performance que pode liberá-lo no meio de 2026 caso não termine o ano entre os dois primeiros — e, em sétimo a mais de 100 pontos do líder, esse gatilho está longe de ser hipótese. Some a isso as conversas com a Ford para um banco de Le Mans e as próprias declarações sobre pausar a carreira, e o resultado é o mercado inteiro travado à espera de uma decisão. Como resumiu The Race, a escolha do holandês é o pino que destrava todo o grid de 2027.

Se Verstappen sair, abre-se a vaga mais cobiçada da F1 — e a Red Bull não vai buscá-la longe. Os candidatos naturais estão a uma porta de distância, no prédio de Faenza. Lawson tem o argumento da redenção e a quilometragem que faltava em 2025. Lindblad tem o teto e a idade do projeto de longo prazo. Hadjar, hoje no segundo carro, é o favorito a permanecer, mas a régua subiu: não basta mais bater o companheiro, é preciso justificar por que merece o assento ao lado — ou no lugar — de um tetracampeão que talvez nem esteja lá. Helmut Marko nunca teve tanta matéria-prima e tão pouca margem de erro ao mesmo tempo.

Por que a corrida de casa é um teste político para Faenza

O Red Bull Ring é curto, altimétrico e violento com freios e motor — o tipo de traçado que premia tração mecânica e estabilidade na frenagem, justamente onde o VCARB 03 tem se mostrado mais competente do que sugere o teto aerodinâmico do projeto. Pela tabela de tempos, é uma pista em que a Racing Bulls pode brigar de igual para igual com Alpine e Haas pelos pontos do meio do grid. Pela tabela política, é muito mais do que isso.

Marcar pontos na casa da marca, no mesmo fim de semana em que a equipe principal depende de quebras alheias para sonhar com o pódio, é o tipo de gesto que reorganiza prioridades dentro de uma corporação. A F1 confirmou o GP da Áustria entre 26 e 28 de junho, com a corrida no domingo em 71 voltas e sem sprint — um formato tradicional que dá tempo para a equipe explorar acerto, algo que costuma favorecer quem trabalha fino como Permane.

O paradoxo de Faenza é também sua maior força neste momento: a equipe que deveria servir à outra virou a vitrine de tudo o que a outra não tem. Velocidade emergente, dois pilotos com mercado e uma trajetória ascendente enquanto o vizinho desce. Na Áustria, a torcida laranja vai para a arquibancada esperar por Verstappen. Pode ser que a melhor notícia do fim de semana para a Red Bull venha do outro lado do muro — do carro que ninguém comprou ingresso para ver.

Perguntas frequentes

Em que posição a Racing Bulls está no Mundial de Construtores de 2026?

Sexta, com 41 pontos após sete rodadas. Subiu do sétimo lugar — eram 14 pontos em Miami — ultrapassando a Haas (21) durante o bloco europeu, e agora persegue a Alpine, quinta com 57.

Por que a Racing Bulls incomoda a própria Red Bull em 2026?

Porque o time-irmão soma mais pontos com os dois carros (41) do que a Red Bull marcou sem Max Verstappen. Dos 89 pontos da equipe principal, 55 são do tetracampeão; sobram 34 para Isack Hadjar, abaixo do que Faenza entregou com Lawson e Lindblad juntos.

Quando é o GP da Áustria de 2026 e tem sprint?

De 26 a 28 de junho, no Red Bull Ring, em Spielberg. A corrida é domingo, dia 28, em 71 voltas, e o fim de semana não tem sprint — são três treinos livres, classificação e prova.

Quem pode ocupar a vaga da Red Bull em 2027?

Liam Lawson e Arvid Lindblad são os candidatos da casa, ambos na Racing Bulls. A decisão depende da cláusula de saída de Verstappen, tratada no paddock como a peça que destrava todo o mercado. Hadjar é o favorito a permanecer, mas sob pressão.

A Racing Bulls está à frente da Red Bull no campeonato?

Não na tabela: a Red Bull é quarta (89 pontos) e a Racing Bulls, sexta (41). A diferença é inteiramente Verstappen. Retirado o número 1, a equipe-irmã estaria à frente da equipe-mãe.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.