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Quinta em Dados: largadas em 2026 — Leclerc voa, Antonelli some

Quatro corridas e um sprint depois, Charles Leclerc ganhou 12 posições no primeiro segundo. Verstappen e Antonelli perderam 20 cada. Com o sprint do Canadá começando amanhã, Lucas Kim mostra por que a largada virou o dado mais subestimado de 2026.

PorLucas Kim
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Quinta em Dados: largadas em 2026 — Leclerc voa, Antonelli some
Foto: Formula1.com / Reprodução — primeiro segundo de corrida em 2026, onde Ferrari e Williams têm ganho mais que o resto somado

Quatro corridas e um sprint depois da abertura de 2026, existe um dado que ninguém colocou na tela do Globocop e que decide silenciosamente onde os pontos vão parar: a primeira frenagem. Os números compilados pela F1 entre Austrália e Miami mostram que Charles Leclerc ganhou 12 posições no agregado das largadas, enquanto Max Verstappen e o líder do campeonato, Kimi Antonelli, perderam 20 cada. Esses 32 lugares de diferença entre o melhor e os piores são mais que o triplo do que separa os três primeiros do Mundial de Pilotos hoje.

Importa porque amanhã começa o terceiro sprint do ano, no Circuito Gilles-Villeneuve, e sprint é o ambiente onde a largada tem peso máximo. Sem pit stop obrigatório, sem reabastecimento e com apenas 19 voltas, a primeira curva tende a congelar o resultado.

O ranking de 2026: quem decola e quem evapora

Os dados oficiais da F1 contemplam Austrália, China (corrida e sprint), Japão e Miami — cinco largadas. O cálculo é simples: posição no fim da volta 1 menos posição no grid, somado em todas as provas.

Top 5 — quem mais ganhou posições no primeiro segundo:

PosPilotoEquipeSaldo
1Charles LeclercFerrari+12
2Carlos SainzWilliams+11
3Alex AlbonWilliams+11
4Esteban OconHaas+10
5Lewis HamiltonFerrari+9

Top 3 — quem mais perdeu posições no primeiro segundo:

PosPilotoEquipeSaldo
1Nico HülkenbergAudi-33
2Max VerstappenRed Bull-20
3Kimi AntonelliMercedes-20

O ranking por equipe segue a mesma lógica e empilha o saldo dos dois pilotos:

EquipeSaldo coletivo
Williams+22
Ferrari+21
Mercedes-24
Red Bull-30
Audi-34

Williams e Ferrari, juntas, ganharam 43 posições em cinco largadas — em média, 8,6 por etapa. É uma equipe inteira escalando o pelotão por etapa. Audi, Red Bull e Mercedes perdem 88 posições no mesmo recorte: praticamente um corrida inteira de pelotão descendo.

O paradoxo Antonelli: lidera com saldo negativo total

Antonelli abriu 20 pontos sobre George Russell no campeonato após vencer três corridas seguidas, mas o estreante carrega o pior recorde do grid em consistência de largada: perdeu posições em todas as competições disputadas até aqui. Os números, conforme detalhados pela F1: -5 na Austrália, -6 no sprint de Xangai, -5 no Japão. A Mercedes não divulgou o desagregado de China-corrida e Miami, mas o saldo cumulativo bateu -20 — e o italiano é o único piloto do grid a sair em desvantagem em cada largada de 2026.

A defesa do campeão é simples: nas quatro corridas, ele recuperou. Em Suzuka largou em quinto, terminou em primeiro. Em Miami largou na pole, perdeu três posições na primeira curva — e cruzou a linha em primeiro depois de uma briga de 56 voltas com Norris. Funciona em corrida de 70 voltas, com pit window e safety car. Não funciona em 19 voltas de sprint.

O problema fica menos abstrato quando se olha o perfil térmico do W17 nas primeiras voltas: o conjunto Mercedes aquece o pneu traseiro mais devagar que Ferrari, Williams e McLaren. Isso significa pé esquerdo amarelo enquanto Leclerc, Sainz e Hamilton já estão em verde quando o semáforo apaga. Em 19 voltas, é a diferença entre P3 e P6.

Por que Ferrari e Williams estão decolando

A Ferrari não chegou aqui por acaso. O cluster técnico de SF-26 ao redor do conjunto traseiro priorizou histerese baixa nos compostos C3 e C4, exatamente os pneus usados em corrida e sprint. O efeito prático: na largada do GP do Japão, Leclerc passou de P5 para P2 antes de chegar à curva 1; em Miami, ainda no GP, recuperou três posições nos primeiros 300 metros e só perdeu uma penalidade de 20 segundos no fim por causa de uma manobra na zona DRS — sem isso, teria fechado em P6.

A Williams é o outro caso de método. Sainz e Albon largam basicamente igual: +11 cada. Quando a dupla inteira de um time entrega o mesmo número, o sinal está no carro, não no piloto. O FW48 tem um dos pacotes traseiros mais leves do grid após o regime de upgrades de abril — e peso menor na traseira em arrancada significa menos transferência longitudinal e patinagem reduzida na embreagem.

Do outro lado, Red Bull paga o preço do colapso do RB22 num lugar que sempre foi o ponto forte da era Verstappen: a largada. Max chegou a 2025 com saldo positivo médio em quatro temporadas consecutivas. Em 2026 está -20, empatado com um estreante que está aprendendo o procedimento. Mercedes, com Antonelli e Russell juntos em -24, é a maior anomalia: lidera os dois campeonatos largando mal.

O que muda no sprint de Montreal

O Circuito Gilles-Villeneuve tem três zonas de overtaking confiáveis — chicane Senna, hairpin e reta do Casino — mas a largada para a primeira curva é uma reta de 250 metros que afunila num esquerdão de baixa velocidade. Quem larga mal aqui tem três voltas para tentar recuperar antes do trem dos retardatários começar a se formar. Em corrida de 70 voltas, sobra tempo. Em sprint de 19, não.

O sprint de Xangai já mostrou o padrão: dos oito pontuadores, sete cruzaram a primeira curva já na posição em que terminaram. A única troca real aconteceu entre Verstappen e Ocon, na nona e décima posição. O top 8 ficou definido na arrancada.

Aplicando o filtro a Montreal: se Antonelli largar em P2 e perder duas posições — como fez em Miami no GP — termina o sprint em P4, somando 5 pontos. Se Russell largar em P3 e ganhar uma, termina em P2 com 7. Em uma janela única, o saldo do duelo interno Mercedes inverte: Russell encosta de 20 para 18 pontos atrás antes mesmo do domingo. E é só o sprint.

A Ferrari opera no inverso. Se Leclerc largar em P4 e mantiver o histórico de cinco etapas, recupera para P2 ou P3 ainda no S1. O modelo conservador dá Ferrari saindo do sprint de Montreal com 13 pontos coletivos (Leclerc P2 + Hamilton P5). O modelo otimista dá 15 (Leclerc P1 + Hamilton P4). Mercedes, no mesmo modelo conservador, fica em 9 pontos. Em sprint, isso é um GP convencional inteiro de diferença em saldo construtores.

Conclusão analítica

A largada virou o KPI escondido de 2026. Antonelli lidera o campeonato apesar de ter o pior recorde de consistência em arrancada no grid — está pagando o seguro com a velocidade de corrida do W17 e com a paciência da Mercedes na estratégia. Mas no sprint do Canadá, esse seguro não cobre. São 19 voltas, sem janela de pit, com pneus C3 e C4 que castigam justamente o motor Mercedes nas primeiras seis voltas.

Se o objetivo da Mercedes é proteger a liderança até o GP de Silverstone, o ponto de inflexão técnico passa pelo procedimento de largada. Caso contrário, o saldo de -20 vira -30 antes do meio da temporada — e aí a matemática do título começa a ficar diferente. Os dados estão lá. Sábado, às 14h10 do horário local de Montreal, eles voltam a falar.

Perguntas frequentes

Quem ganhou mais posições nas largadas da F1 em 2026?

Charles Leclerc, com saldo de +12 posições nas quatro corridas e um sprint disputados até o GP de Miami. Carlos Sainz e Alex Albon (Williams) vêm logo atrás, com +11 cada.

Por que Antonelli lidera o Mundial perdendo posição em toda largada?

O italiano da Mercedes recuperou consistentemente no ritmo de corrida, mas acumula saldo de -20 no primeiro segundo: -5 na Austrália, -6 no sprint da China e -5 no Japão. Ele é o único do grid a perder posições em TODAS as largadas de 2026.

Qual equipe está largando melhor em 2026?

Williams lidera com +22 posições ganhas, seguida pela Ferrari (+21). Audi (-34), Red Bull (-30) e Mercedes (-24) são as três piores no quesito, mostrando que os carros de aquecimento lento de pneu estão pagando o preço da nova regulamentação.

Por que a largada importa tanto no sprint do Canadá?

Sprint dura 19 voltas, sem pit stop obrigatório e sem reabastecimento. Sem janelas estratégicas, a posição conquistada nos primeiros 200 metros tende a ser a posição final — Xangai mostrou que 7 dos 8 pontuadores cruzaram a primeira curva já nas posições onde terminaram.

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Sobre o autor

Lucas Kim

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