Futuro de Alonso vira novela: Aston em crise e Alpine à espreita
Fernando Alonso chamou a Aston Martin de 'pior carro e pior motor' após abandonar em Barcelona, e Briatore apareceu no hospitality da equipe. Com a Alpine sondando o bicampeão para 2027 e o upgrade de Newey só vindo antes do recesso, o futuro de Alonso virou a novela do meio de temporada.

Fernando Alonso passou a carreira inteira transformando frustração em combustível, mas o que ele soltou em Barcelona soou diferente. Depois de abandonar o GP da Espanha, o bicampeão definiu a Aston Martin como o "pior carro e o pior motor" do grid — e, de repente, o futuro de Alonso deixou de ser conversa de fim de temporada para virar a novela do meio do calendário de 2026. No mesmo fim de semana, Flavio Briatore circulou pelo hospitality da equipe diante das câmeras, e a Alpine voltou a ser citada como destino. A meia temporada da superequipe que prometia brigar na frente escorregou de vez para a editoria de mercado.
"Pior carro e pior motor": o desabafo que ninguém esperava tão cedo
O fim de semana espanhol foi cruel com a Aston Martin do começo ao fim. Alonso já havia avisado na quinta-feira que não esperava ser competitivo — "não vou ser competitivo e não vou ficar muito tempo no carro na classificação", disse — e a corrida confirmou o roteiro pessimista, com mais um abandono. O que pegou o paddock de surpresa foi o tom: chamar o próprio carro de o "pior carro e o pior motor" do grid é o tipo de frase que um líder de projeto não solta sem querer mandar um recado.
E havia um segundo recado, mais melancólico. Alonso classificou aquela como "provavelmente minha última corrida em Barcelona na Fórmula 1" — não por aposentadoria iminente, mas porque o circuito de Barcelona-Catalunya sai do rodízio e só volta ao calendário em 2028, quando o espanhol terá 46 anos. Some os dois recados e você entende por que a coletiva virou sessão de terapia sobre o futuro.
O contexto esportivo só agrava. Enquanto Lewis Hamilton vencia em Barcelona e reabria a briga pelo título, a Aston Martin seguia presa ao fundo do grid, com o único ponto da temporada — o 10º lugar herdado de Mônaco — como toda a colheita de sete corridas. A superequipe de Newey, Honda e um bicampeão ao volante continua sendo, no placar, a promessa mais cara da temporada.
O futuro de Alonso e a ponte que nunca se rompeu com Briatore
Foi nesse clima que Flavio Briatore apareceu. Segundo o jornal espanhol AS, em relato reproduzido pela GPFans, o chefe da Alpine foi visto mais de uma vez no hospitality da Aston Martin ao longo do fim de semana — "à plena luz das câmeras", como descreveu a publicação, num gesto que ninguém no paddock leu como casual. A Motorsport Italia foi além e afirmou que a Alpine persegue Alonso para 2027.
A história tem lógica afetiva. Briatore foi o empresário e chefe que conduziu Alonso aos dois títulos mundiais pela Renault, em 2005 e 2006, e o espanhol já vestiu o macacão azul da Alpine em 2021, antes de migrar para a Aston Martin em 2023. A ponte entre os dois nunca foi totalmente derrubada — e a Alpine, hoje comandada justamente por Briatore, é o mesmo projeto que vem usando o mercado de pilotos como arma desde o início do ano.
Convém separar fato de boato: não há acordo, nem proposta confirmada. O próprio Alonso, em entrevista a Lawrence Barretto, da F1, disse estar "aberto a muitos cenários diferentes" e indicou que só vai decidir o futuro depois do recesso de verão. Trocar uma superequipe em crise por outro projeto de meio de grid não é obviamente um upgrade esportivo — mas, quando o piloto chama o próprio carro de pior do grid, a lealdade deixa de ser garantida.
O upgrade de Newey e a conta do recesso
O fiel da balança continua sendo o pacote de Adrian Newey. O projetista confirmou ao PlanetF1 que a grande atualização do AMR26 deve ficar pronta "provavelmente pouco antes do recesso de verão", fruto de uma decisão tomada ainda após Melbourne: em vez de melhorias pontuais, a equipe preferiu investir tempo em uma reformulação mais profunda. Newey já havia admitido que a Aston nasceu "uns quatro meses atrasada" em relação aos rivais — e é esse atraso que o pacote precisa devorar de uma vez.
A matemática do mercado, portanto, depende do cronômetro da fábrica. Se o upgrade entregar o salto prometido logo após a Áustria — próxima etapa, no dia 28 de junho — a Aston Martin compra argumentos para segurar Alonso e enterrar a novela. Se chegar e não funcionar, a porta de saída fica escancarada bem na janela em que o espanhol prometeu decidir: depois do verão europeu.
No meio disso tudo está um bicampeão de 44 anos que poderia simplesmente pendurar o capacete, mas insiste em querer competir. O recesso virou a linha de chegada simbólica desta temporada da Aston Martin — e, possivelmente, da carreira de Alonso. Newey tem algumas semanas para transformar o "pior carro e pior motor" em motivo para ficar. Briatore, do outro lado do paddock, aposta que não vai conseguir.
Perguntas frequentes
O que Fernando Alonso disse sobre a Aston Martin em Barcelona?
Chamou o conjunto de 'pior carro e pior motor' do grid depois de abandonar o GP da Espanha. Foi o desabafo mais duro do bicampeão em 2026 e reacendeu as dúvidas sobre seu futuro na equipe.
Alonso pode mesmo ir para a Alpine em 2027?
É especulação, não acordo. A imprensa espanhola (AS) e italiana (Motorsport Italia) relata que Flavio Briatore, chefe da Alpine, sonda Alonso — visto várias vezes no hospitality da Aston em Barcelona. Briatore foi o empresário dos dois títulos do espanhol, em 2005 e 2006.
Por que Barcelona pode ter sido a última corrida de Alonso na Espanha?
Porque o circuito de Barcelona-Catalunya deixa o calendário e só volta a receber a F1 em 2028, quando Alonso terá 46 anos. Ele próprio disse que foi 'provavelmente minha última corrida em Barcelona na Fórmula 1'.
Quando chega o grande upgrade da Aston Martin em 2026?
Adrian Newey disse que o pacote deve ficar pronto 'provavelmente pouco antes do recesso de verão'. A equipe optou por uma reformulação ampla, e não por melhorias pontuais, desde a Austrália.
Qual é a situação da Aston Martin no Mundial de 2026?
Crítica. A equipe marcou só o ponto de Alonso (10º em Mônaco) em sete corridas e briga no fundo do grid, longe da ambição da superequipe formada por Newey, motor Honda e o bicampeão Alonso.