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Aston Martin aposta no upgrade de Newey para salvar 2026

Com apenas 1 ponto em oito corridas e o penúltimo lugar entre os construtores, a Aston Martin transformou 2026 num pesadelo. A esperança tem nome e data: o pacote de Adrian Newey, agora confirmado para o GP da Hungria, com peça nova dos dois lados da garagem.

PorFernando Almeida
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Aston Martin aposta no upgrade de Newey para salvar 2026
Foto: RacingNews365 / Reprodução — Adrian Newey lidera a operação para tirar a Aston Martin do fundo do grid em 2026.

No paddock, a conta que rondava a Aston Martin virou número redondo e cruel: um ponto em oito corridas. Depois de Fernando Alonso cruzar a linha da Áustria em 18º e Lance Stroll abandonar com falha no ERS, a equipe de Silverstone desembarca no GP da Grã-Bretanha — a sua corrida de casa — na penúltima posição do Mundial de Construtores, à frente apenas da estreante Cadillac. E, no entanto, quem circula entre os motorhomes ouve a mesma frase repetida como mantra: a virada tem data marcada, e o nome dela é Adrian Newey.

O tamanho do buraco

Ninguém previa isto quando a Aston Martin desfilou a pintura nova na Arábia Saudita, com Alonso "orgulhoso" de finalmente pilotar um carro de Newey. O AMR26 nasceu torto. As vibrações do motor Honda foram tão severas que, no início do ano, o espanhol dizia aguentar no máximo 25 voltas seguidas — e Stroll, 15. Some a isso excesso de peso, uma aerodinâmica que não entregou o prometido, sustos de câmbio e falta de baterias nas primeiras etapas, e o resultado foi a menor quilometragem de toda a pré-temporada: 334 voltas, contra 821 da McLaren.

A temporada seguiu o roteiro do desastre. Austrália e China terminaram com carro zero na bandeirada. No Japão, Alonso completou 52 voltas e ao menos viu a linha de chegada, um alento depois de meses de sobrevivência. Em Mônaco veio o único ponto do ano, com o 10º lugar. Na Áustria, largando da última fila, a dupla brigou entre si até o abandono de Stroll na volta 46. "Está claro que o nível do nosso pacote está muito longe de onde precisa estar", admitiu Mike Krack, chefe de operações de pista. Nós já havíamos alertado, antes de Spielberg, que o Red Bull Ring seria o fundo do poço de 2026 para a equipe. Foi.

Newey confirma o pacote da Aston Martin para Budapeste

O antídoto tem endereço: o GP da Hungria, em 26 de julho. Newey confirmou que o grande upgrade estreia lá, e nos dois carros ao mesmo tempo — detalhe que importa, porque a Williams, por exemplo, tem segurado seu pacote maior para depois de agosto enquanto Sainz cobra pressa. A Aston resolveu apostar tudo de uma vez.

O conteúdo do pacote é substancial: bico novo, superfícies aerodinâmicas amplamente revisadas e ajustes na suspensão traseira. "Os elementos estruturais principais continuam os mesmos — chassi e arquitetura de câmbio não mudam de forma fundamental —, mas tiramos peso dos dois lados", explicou Newey. O alvo declarado é finalmente encostar no limite de peso regulamentar, algo que o AMR26 nunca chegou perto de fazer.

Fiel ao estilo, o projetista evita cravar números. "Estamos prevendo um passo grande, mas reluto em soltar valores específicos porque nossas ferramentas de simulação ainda não estão tão sofisticadas nem tão bem correlacionadas quanto precisam estar." Traduzindo o eufemismo de engenharia: eles esperam muito, mas ainda não confiam plenamente no que a fábrica diz.

O que está em jogo em Silverstone e depois

Antes da Hungria, tem Silverstone neste fim de semana — e um formato Sprint, que dá menos treino livre para uma equipe que precisa de pista como ninguém. Ninguém em Silverstone espera milagre em casa: a corrida britânica é ponte, não destino. O destino é Budapeste. E o que está em jogo lá vai muito além de sair da vice-lanterna, num Mundial em que a Mercedes já abriu vantagem confortável na dianteira.

O nome por trás da urgência é Alonso. Aos 44 anos, o espanhol não tem tempo para projetos de médio prazo, e Newey sabe disso. "Se conseguirmos mostrar que estamos indo decididamente na direção certa, ele está absolutamente comprometido em seguir no carro", disse o projetista. É uma frase de duas pontas: promete lealdade e, ao mesmo tempo, coloca o cronômetro em cima da própria equipe. Se o upgrade da Hungria falhar, a conversa de silly season que hoje é sussurro pode virar manchete. Por ora, a Aston Martin fez sua escolha: empurrou todas as fichas para 26 de julho e cruzou os dedos para que Newey, mais uma vez, faça a mágica que fez a carreira dele.

Perguntas frequentes

Quantos pontos a Aston Martin tem em 2026?

Apenas 1 ponto em oito corridas, conquistado por Fernando Alonso com o 10º lugar em Mônaco. A equipe é a penúltima do Mundial de Construtores, à frente somente da estreante Cadillac.

Quando chega o grande upgrade da Aston Martin?

Adrian Newey confirmou que o pacote maior estreia no GP da Hungria, em 26 de julho, e vai nos dois carros. Inclui bico novo, superfícies aerodinâmicas bastante revisadas e ajustes na suspensão traseira.

Por que a Aston Martin foi tão mal em 2026?

O AMR26 sofreu com vibrações do motor Honda, excesso de peso e problemas aerodinâmicos. No começo do ano, Alonso conseguia rodar no máximo 25 voltas seguidas, e a equipe fez as menores milhagens da pré-temporada: 334 voltas contra 821 da McLaren.

Como foi a Aston Martin no GP da Áustria de 2026?

Largando da última fila, Fernando Alonso terminou em 18º e Lance Stroll abandonou na volta 46, com suspeita de falha no ERS. Foi mais um fim de semana sem pontos para a equipe.

Fernando Alonso vai continuar na Aston Martin em 2027?

Newey afirma que Alonso segue comprometido desde que o time mostre um progresso decisivo com o upgrade da Hungria. O futuro do espanhol depende diretamente da reação do carro no segundo semestre.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.