McLaren aposta o resgate de 2026 no upgrade da Hungria
Atual campeã de construtores, a McLaren despencou para o terceiro lugar em 2026, a 163 pontos da Mercedes. O plano de recuperação começa no Hungaroring — sua pista mais vitoriosa — com novo assoalho, pacote aerodinâmico e a asa 'Macarena'. Os dados mostram o tamanho do buraco.

A conta que a McLaren fecha ao chegar ao Hungaroring é a de uma campeã que virou coadjuvante. A McLaren na Hungria desembarca terceira no Mundial de Construtores, com 195 pontos — 163 atrás da Mercedes e 90 atrás da Ferrari — depois de dez rodadas em que o carro que deveria defender o título nunca apareceu na ponta. O paradoxo é que o palco escolhido para o início da reação é justamente aquele onde a equipe é a maior vencedora da história. Vale entender o que os números dizem e por que o pacote de atualizações desta semana carrega tanto peso.
O que os dados mostram
Depois da vitória de Antonelli em Spa, a fotografia do campeonato é cruel para Woking. A Mercedes lidera os construtores com 358 pontos, a Ferrari soma 285 e a McLaren aparece só em terceiro, com 195. No campeonato de pilotos, Lando Norris é quinto (103 pontos) e Oscar Piastri, sexto (92) — somados, os dois entregam exatamente os mesmos 195 pontos da equipe, mas 101 atrás do líder Andrea Kimi Antonelli.
| Pos | Construtor | Pontos | Dif. p/ líder |
|---|---|---|---|
| 1 | Mercedes | 358 | — |
| 2 | Ferrari | 285 | -73 |
| 3 | McLaren | 195 | -163 |
| 4 | Red Bull | 151 | -207 |
| 5 | Alpine | 61 | -297 |
Para dimensionar a queda: a McLaren venceu os dois últimos Mundiais de Construtores. Em 2026, não só perdeu a liderança como assiste, de longe, a uma Mercedes que já ganhou seis das onze corridas. O déficit de 163 pontos não é fruto de um fim de semana ruim — é o acúmulo de um carro que nasceu meio passo atrás e nunca recuperou o terreno no ritmo dos rivais.
Há um detalhe que ajuda a ler o momento: a distância para a quarta colocada Red Bull (44 pontos) é maior do que a que separa a McLaren de um retorno ao pódio de construtores. Ou seja, o terceiro lugar está garantido, mas a briga por algo além disso depende inteiramente de o carro dar um salto no segundo semestre. É por isso que o teste da Hungria importa muito mais do que a posição atual no grid sugere.
A anatomia do upgrade da McLaren na Hungria
O pacote que estreia no Hungaroring é o mais ambicioso do ano da equipe. São três frentes: um novo assoalho, um conjunto aerodinâmico voltado a circuitos de alta carga e uma asa traseira experimental, apelidada internamente de "Macarena" e levada ao TL1 apenas para coleta de dados. A própria equipe admite que pelo menos um dos itens não deve correr no domingo — sinal de que parte da atualização é validação para o segundo semestre, não ganho imediato.
A escolha do circuito não é aleatória. O Hungaroring, com seus 4,381 km, é frequentemente descrito como "Mônaco sem os muros": traçado lento, de curvas encadeadas, que premia carga aerodinâmica, aderência mecânica e tração na saída das curvas lentas. É exatamente o tipo de pista em que um assoalho mais eficiente e mais carga traseira rendem mais voltas por segundo. Se o pacote funciona em algum lugar, tende a funcionar aqui. O chefe de equipe Andrea Stella já havia sinalizado que a McLaren redirecionou sua filosofia de desenvolvimento para tentar reencontrar performance nas pistas de alta downforce — e a Hungria é o primeiro teste real dessa aposta.
O apelido "Macarena" para a nova asa traseira diz muito sobre o método. Levar um componente experimental só ao TL1, sem intenção de correr com ele, é o tipo de leitura de túnel de vento em pista real que equipes fazem quando precisam confirmar se um conceito se comporta como o modelo prometeu. Não é desespero — é engenharia metódica. O risco é o tempo: cada fim de semana gasto validando é um fim de semana a menos convertendo a validação em pontos, e o calendário até o recesso de verão é curto. A McLaren precisa que o assoalho novo já entregue no domingo, enquanto a asa serve de aposta para setembro em diante.
Como a campeã ficou para trás
A explicação técnica para o tombo tem uma raiz estratégica. Ao longo de 2025, a McLaren gastou energia e recursos na própria briga interna pelo título, o duelo entre Norris e Piastri que decidiu o campeonato de pilotos. Enquanto isso, o projeto de 2026 perdeu prioridade num momento em que Mercedes e Ferrari já corriam para o novo ciclo. O resultado é o que se vê: a equipe que era referência em trazer atualizações eficientes ficou para trás na corrida de desenvolvimento e passou o primeiro semestre tentando remendar um conceito de carro que não entregou o esperado.
O contraste com a própria história torna tudo mais evidente. A McLaren é a construtora mais vitoriosa do Hungaroring, com 13 vitórias, e fez dobradinha ali em 2024 e 2025 — foi inclusive nesse circuito que registrou seu 200º triunfo na F1. Chegar como terceira força a um lugar onde sempre mandou é o retrato preciso de 2026. E não é a única equipe a tratar a Hungria como ponto de virada antes do recesso: a Aston Martin também mira a corrida para estrear sua própria reestruturação técnica.
Conclusão analítica
O upgrade da Hungria não vai transformar a McLaren em candidata ao título — os 163 pontos de diferença tornam o Mundial de 2026 uma missão perdida. O que está em jogo é outra coisa: entender se o conceito do carro tem teto para crescer ou se o problema é estrutural. Um bom desempenho no Hungaroring, com Norris e Piastri brigando pelo pódio numa pista favorável, validaria a direção de desenvolvimento e daria à equipe uma base sólida para atacar o segundo semestre e, principalmente, 2027. Um fim de semana morno justamente onde a McLaren costuma ser imbatível seria o alerta mais grave possível. Os dados do domingo valem mais do que os pontos que distribuem.
Perguntas frequentes
Em que posição a McLaren está no Mundial de Construtores de 2026?
Terceiro lugar, com 195 pontos após o GP da Bélgica — 163 atrás da líder Mercedes e 90 atrás da Ferrari. É uma queda dura para a atual campeã de construtores.
Quais upgrades a McLaren leva para o GP da Hungria?
Um novo assoalho e um pacote aerodinâmico voltado a circuitos de alta carga, além de uma asa traseira experimental apelidada de 'Macarena', testada no TL1. Pelo menos um dos itens não deve ser usado na corrida.
Por que a McLaren caiu de rendimento em 2026?
A equipe perdeu ritmo no desenvolvimento do carro de 2026 por ter se envolvido na briga interna pelo título de 2025 entre Norris e Piastri, e acabou ultrapassada pelos rivais na corrida de atualizações.
Por que o Hungaroring favorece a McLaren?
É o circuito mais vitorioso da história da equipe, com 13 triunfos e dobradinhas em 2024 e 2025. O traçado lento e de alta carga combina com o perfil do pacote de upgrades que a McLaren estreia lá.