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Sexta no Paddock: GP vai para a McLaren — e o paddock sussurra que Verstappen vai junto

Gianpiero Lambiase confirmou que deixa a Red Bull para a McLaren em 2028. É o terceiro ex-Red Bull contratado por Woking em dois anos. Fernando Almeida analisa o que o paddock não está dizendo em voz alta.

PorFernando Almeida
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Sexta no Paddock: GP vai para a McLaren — e o paddock sussurra que Verstappen vai junto
Foto: Sky Sports / Reprodução — Lambiase e Verstappen construíram quatro títulos juntos na Red Bull entre 2021 e 2024

Na quinta-feira, a Fórmula 1 confirmou o que circulava há dias nas mensagens privadas dos paddocks europeus: Gianpiero Lambiase vai deixar a Red Bull no final de 2027 e juntar-se à McLaren como Chief Racing Officer a partir de 2028. A nota oficial foi sóbria e protocolar. No paddock, a notícia chegou pelo apelido: GP foi embora.

Há um silêncio particular quando uma notícia é grande de verdade. Não o silêncio do vazio — o silêncio de quem sabe mais do que está disposto a dizer. Esta semana foi assim. Nos corredores dos motorhomes, nas salas de café dos hotéis europeus onde os engenheiros ficam durante as pausas, a conversa era sempre a mesma — e sempre terminava no mesmo lugar: o que é que o Max vai fazer agora?

Para quem não frequenta os bastidores, o nome Lambiase pode não dizer muito. Para quem passa os fins de semana no paddock desde 2016, GP é a voz que entrou no capacete de Verstappen em Melbourne, em Silverstone, no Brasil, no Abu Dhabi e em dezenas de corridas onde o holandês construiu quatro títulos mundiais. É o homem que, numa escuta de rádio famosa de Las Vegas, recebeu de Verstappen o mais brutal dos elogios: "Sabes que és o melhor."

A McLaren de Lambiase — e o projeto mais longo do paddock

A McLaren não contratou Lambiase por acidente. E não o fez porque estava à procura de um engenheiro de corrida.

O título "Chief Racing Officer" é novo, criado especificamente para ele. É uma função que coloca Lambiase acima da operação de pista — supervisionando estratégia, comunicação piloto-equipa e decisões de corrida em tempo real. Woking não estava a preencher uma vaga. Estava a construir uma estrutura em torno de um homem que, na opinião de quem trabalhou com ele, é talvez o melhor da sua geração nessa função.

O que torna a jogada ainda mais reveladora é o padrão. Nos últimos dois anos, a McLaren contratou Rob Marshall (ex-chefe de design da Red Bull), Will Courtenay (ex-chefe de estratégia da Red Bull) e agora Lambiase. Três peças nucleares do melhor ciclo vencedor da história recente da F1, todas a migrarem para a mesma morada em Woking.

Não é coincidência. É uma declaração de intenções com dois anos de antecedência.

Zak Brown e Andrea Stella estão a construir algo que ninguém no paddock se atreve a nomear em voz alta, mas toda a gente vê: a Red Bull de 2028. Com os mesmos tijolos que construíram a original.

O silêncio de Verstappen

Quando a notícia saiu, Max Verstappen não disse nada.

Não houve post. Não houve entrevista coletiva. Não houve o tipo de declaração curta e afiada com que o holandês costuma responder ao ruído. Só silêncio — que, para quem o conhece, vale mais do que qualquer declaração preparada pela assessoria.

Verstappen já disse, em mais de uma ocasião, que a saída de GP seria um ponto de inflexão para ele. Não de forma dramática — ele não é dado ao dramatismo. Disse-o da forma dele: diretamente, como quem estabelece um facto e não faz ameaças. "Quando ele for, provavelmente serei eu a ir a seguir."

Isso foi antes de 2026.

Hoje, o contexto é diferente. O RB22 é o carro mais frustrante que Verstappen conduziu em anos — o sistema de gerenciamento de energia penaliza precisamente o seu estilo agressivo nas curvas lentas, e o superclipping tira-lhe performance exatamente onde deveria brilhar. A Red Bull discutia internamente abandonar o carro e recomeçar do zero, mas o teto de custos torna isso financeiramente suicida. Verstappen está em nono no campeonato de pilotos, com mais de 60 pontos de desvantagem para Antonelli. A Alpine, que terminou 2025 em penúltimo, ultrapassou a Red Bull no campeonato de construtores.

O universo que Verstappen habitou durante quatro anos — o carro desenhado para si, a equipa construída à sua volta, o engenheiro que entendia cada nuance do seu estilo — está a desfazer-se. Não de uma vez, mas peça a peça.

Em abril, ele admitiu que estava a pensar seriamente no futuro na F1. A confirmação da saída de GP em 2028 não muda o calendário imediato, mas muda o peso de tudo o que disse então.

Cinco semanas para Miami — e o que vem a seguir

A pausa de abril existe por força das circunstâncias — Bahrein e Arábia Saudita foram cancelados, deixando um intervalo de cinco semanas que ninguém esperava. Para a Red Bull, esse tempo é simultaneamente uma oportunidade e uma armadilha.

As próximas três reuniões da FIA com fabricantes e equipas — 15, 16 e 20 de abril — vão decidir se o regulamento de energia muda antes de Miami. Para a Red Bull, que tem o carro mais penalizado pelo sistema atual, essas reuniões são literalmente a diferença entre uma época recuperável e um desastre que arrasta para 2027.

Mas mesmo que o regulamento mude, a questão de fundo persiste. A Red Bull perdeu o designer, o estratega e agora o engenheiro de corrida que definiram a era dourada. O dinheiro continua lá. A infraestrutura em Milton Keynes continua lá. Mas o conhecimento tácito, o instinto coletivo que transformava fins de semana complicados em vitórias improváveis — esse está a sair pela porta, de forma metódica e irreversível.

Para a McLaren, o calendário é perfeito. Norris e Piastri chegam a Miami com um pacote de atualização significativo. Lambiase ainda não está em Woking — a sua entrada oficial é em 2028 — mas a dinâmica é clara: a equipa que foi campeã em 2025 está a construir o próximo ciclo dominante com os mesmos tijolos que construíram o anterior.

No paddock, há quem diga — sempre em privado, nunca para gravação — que a McLaren de 2028 pode ser o que a Red Bull foi entre 2021 e 2024. E que a Red Bull de 2028 pode ser o que a Mercedes foi a partir de 2022.

E Verstappen? No paddock, quando a pergunta chega a esse ponto, há um silêncio diferente. Não o silêncio da ignorância. O silêncio de quem já tem uma resposta que ainda não está pronto para dar.


Fernando Almeida cobre o paddock da Fórmula 1 para o Quinto Motor desde 2022.

Perguntas frequentes

Quando Gianpiero Lambiase começa na McLaren?

A partir de 2028, no cargo recém-criado de Chief Racing Officer. Vai supervisionar estratégia, comunicação piloto-equipa e decisões de corrida em tempo real.

Quantos profissionais nucleares da Red Bull a McLaren contratou nos últimos dois anos?

Três. Rob Marshall, ex-chefe de design; Will Courtenay, ex-chefe de estratégia; e agora Gianpiero Lambiase. Todos peças centrais do ciclo de quatro títulos consecutivos da Red Bull.

Por quanto tempo Lambiase trabalhou com Verstappen?

Desde 2016, ano de estreia do holandês na Red Bull. Juntos construíram quatro títulos mundiais consecutivos entre 2021 e 2024.

Em que posição Verstappen está no campeonato após três corridas de 2026?

Em nono no Mundial de Pilotos, com mais de 60 pontos de desvantagem para Antonelli. A Alpine, penúltima em 2025, ultrapassou a Red Bull no campeonato de construtores.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.