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Hamilton dispensa simulador e quer resetar a SF-26 no Canadá

Hamilton avisou que não vai pisar no simulador da Ferrari entre Miami e Montreal. Cita a P3 da China como prova, fala em setup que 'não funciona' na pista e expõe o que Vasseur chama de limite estrutural da SF-26 — uma crise de correlação que o GP do Canadá pode esconder ou expor.

PorFernando Almeida
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Hamilton dispensa simulador e quer resetar a SF-26 no Canadá
Foto: Wikipedia / CC-BY-SA — Lewis Hamilton, que decidiu cortar o simulador da Ferrari antes do GP do Canadá após o fim de semana frustrante em Miami

Lewis Hamilton fez uma escolha que ecoou bem além de Maranello no fim de semana: não vai pisar no simulador da Ferrari entre o GP de Miami e o GP do Canadá. A fala, dada à Motorsport Week e ecoada pela Sky Sports F1, fechou a semana mais frustrante da SF-26 — o pacote de 11 peças novas levado a Miami não rendeu o que prometia, e o heptacampeão decidiu trocar bytes por instinto.

A escolha tem nome e número: Xangai, P3, fim de março. Foi o melhor resultado de Hamilton em 2026 e veio sem nenhuma sessão de simulador antecedendo. Em Miami, com horas de preparação digital, o britânico cruzou em P7 — e a Ferrari fechou o fim de semana atrás da McLaren no resumo dos onze upgrades da SF-26. A leitura é simples: o carro está enganando os engenheiros antes mesmo de cruzar o portão do paddock.

A frase que pegou o paddock

"Você vai lá, prepara para a pista, dirige, ajusta o carro até um certo ponto — e quando chega no circuito, esse setup não funciona". A fala de Hamilton à Motorsport Week é diagnóstico técnico vestido de desabafo. O número 44 não falou em feeling nem em intuição: apontou para o que Fred Vasseur já vinha admitindo em entrevistas separadas. O simulador da Ferrari está produzindo decisões que pioram o carro real.

Hamilton mantém as reuniões na fábrica. Pesquisa de pista, telemetria comparada com Leclerc, leitura de dados de Miami — tudo isso continua. O que sai do roteiro é o assento. O heptacampeão prefere chegar a Montreal com o setup base do time e refinar nos 60 minutos de TL1 antes do sprint começar a comer tempo de pista. "Eu não vou tocar no simulador entre agora e o Canadá", disse, "mas continuo nas reuniões da equipe".

Por trás do simulador, o super-clipping

O problema do simulador é sintoma, não doença. Vasseur disse à PlanetF1 esta semana que o limite real da SF-26 é estrutural — está no motor, mais especificamente no super-clipping. Em retas longas, Hamilton e Leclerc esgotam a energia do MGU-K antes do ponto de freada, e a falta de empurrão final distorce o que o simulador prevê para a volta seguinte. Resultado: o engenheiro de pista monta o carro para um cenário que nunca acontece exatamente daquele jeito.

A solução, segundo o francês, passa por uma nova especificação de power unit. Isso explica por que o primeiro corte do ADUO — programado para depois do Canadá — virou marco interno em Maranello. Não para Honda e Audi, que são as candidatas naturais ao pacote da FIA, mas para a própria Ferrari pesar se entra no programa a 0,8s da Mercedes. Vasseur não cansa de repetir o número.

O ex-engenheiro de pista da Ferrari Rob Smedley colocou nome no risco. "É um pouco destruidor para a alma, porque do ponto de vista técnico começa essencialmente um loop negativo", disse à PlanetF1. A equipe precisa pausar o desenvolvimento futuro para responder o que cada peça nova de Miami realmente fez no carro — exatamente o tipo de retrabalho que Hamilton quer evitar com a decisão de não simular Montreal.

Canadá é o lugar certo para testar

Hamilton escolheu bem o circuito para experimentar. O Circuito Gilles Villeneuve tem retas curtas, freadas duras e tração baixa rotação — três janelas em que a SF-26 ainda anda razoavelmente bem. É o oposto do perfil que escancarou o déficit de motor em Miami. O traçado de Montreal estreia formato sprint em 2026, e foi justamente o sprint que Hamilton apontou como o cenário onde o erro de simulador dói mais: poucas sessões de pista para corrigir um setup que veio errado da fábrica.

A McLaren leva mais um pacote para o Canadá, segundo a Sky Sports F1, e Otmar Szafnauer já avisou ao GPFans que a equipe de Andrea Stella deve ultrapassar a Ferrari no Construtores em breve — são apenas 16 pontos de diferença depois de Miami. A Scuderia ainda não confirmou peças novas para Montreal, e a impressão no paddock é que o próximo upgrade só vem depois do corte do ADUO. Por enquanto, o plano de Hamilton é mais simples do que parece: chegar em Montreal com a cabeça limpa, deixar o cronômetro do TL1 ditar o setup e dar à SF-26 a chance de mostrar o que sabe num circuito que joga a favor — e não contra — o motor que a Ferrari ainda precisa consertar.

Perguntas frequentes

Por que Hamilton vai cortar o simulador antes do GP do Canadá 2026?

Hamilton diz que o simulador da Ferrari não está correlacionando com o comportamento real da SF-26 na pista. Cita Miami, onde 11 upgrades não renderam, e afirma que setups montados na fábrica deixam de funcionar quando chega no circuito.

Em que GP Hamilton já tinha corrido sem usar simulador em 2026?

China. Hamilton chamou Xangai de o melhor fim de semana da temporada — terminou em P3 na corrida — e fez aquele GP sem nenhuma sessão prévia de simulador. É o padrão que ele agora repete antes de Montreal.

O que é o super-clipping que limita a Ferrari em 2026?

É o esgotamento antecipado da energia elétrica do MGU-K nas retas. Vasseur classifica como limitação estrutural do motor 2026 da Ferrari — Hamilton e Leclerc perdem empurrão antes da freada e o ganho real depende de uma nova especificação de power unit.

Por que o Circuito Gilles Villeneuve favorece a Ferrari na situação atual?

Montreal tem retas curtas, freadas duras e tração baixa rotação — três janelas em que a SF-26 sofre menos com o déficit de motor. A pista esconde a fraqueza que Miami escancarou.

O GP do Canadá de 2026 é um sprint weekend?

Sim. É a estreia do formato sprint em Montreal, com TL1 reduzido a 60 minutos, eliminação de TL2 e TL3 e sprint quali na sexta. Para Hamilton, é o cenário em que o erro do simulador dói mais por sobrar pouco tempo de pista para corrigir o carro.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.