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GP da Hungria 2026: Hamilton e a Ferrari dominam a sexta

Dobradinha da Ferrari no TL2, Norris a meio segundo e Antonelli só em 13º. Mas a bandeira vermelha de Colapinto tirou 26 minutos da sessão — e com eles, quase toda a leitura de ritmo de corrida.

PorLucas Kim
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GP da Hungria 2026: Hamilton e a Ferrari dominam a sexta
Foto: FIA / Reprodução — A Ferrari fechou a sexta-feira de Budapeste com os dois carros na frente do TL2.

A sexta-feira do GP da Hungria 2026 terminou com a Ferrari onde ninguém a via desde Ímola: na frente das duas sessões. Lewis Hamilton cravou 1min18s729 no Treino Livre 2 e colocou Charles Leclerc a 0s148 na sequência, um segundo carro vermelho para completar a dobradinha. O terceiro colocado, Lando Norris, ficou a 0s499 — meio segundo, num traçado de 4,381 km onde o pelotão inteiro costuma caber em um segundo.

O número impressiona. O contexto em que ele foi obtido, nem tanto.

O que os treinos livres do GP da Hungria 2026 mostraram

O TL2 é a sessão de referência do fim de semana: mesmo horário da classificação e da corrida, mesma faixa de temperatura, mesmos compostos. É dela que sai a primeira hierarquia confiável. Esta é a ordem que ela produziu:

PosPilotoEquipeGap
1Lewis HamiltonFerrari1:18.729
2Charles LeclercFerrari+0.148
3Lando NorrisMcLaren+0.499
4Max VerstappenRed Bull+0.692
5George RussellMercedes+0.933
6Isack HadjarRed Bull+1.071
7Liam LawsonRacing Bulls+1.312
8Oscar PiastriMcLaren+1.372
9Nico HülkenbergAudi+1.396
10Arvid LindbladRacing Bulls+1.524

A evolução da Ferrari entre as sessões é o dado mais limpo do dia: de 1min19s075 (Leclerc, TL1) para 1min18s729, uma queda de 0s346. Nenhuma equipe da ponta encontrou tanto em tão pouco tempo. E a distribuição interna também mudou — Hamilton estava a 0s543 do companheiro pela manhã e virou o jogo à tarde.

Atrás, o quadro é mais confuso do que o placar sugere. Norris foi apenas 11º no TL1, a 1s949, antes de a McLaren trocar a configuração de asa traseira entre as sessões e saltar para o pódio virtual. O pacote de alta carga que a equipe reservou justamente para Budapeste funciona; o quanto disso é asa nova e o quanto é combustível ninguém consegue separar com uma tarde de dados.

A sexta que entregou menos informação do que o normal

Aqui está a ressalva que muda a leitura de tudo acima. A bandeira vermelha provocada por Franco Colapinto — traseira perdida na entrada da última curva, batida no muro — parou o TL2 por 26 minutos. O tempo perdido não foi genérico: caiu em cima da janela em que as equipes encadeiam as simulações de classificação no pneu macio e, logo depois, os stints longos com carga de combustível.

O resultado é um conjunto de dados torto. As voltas rápidas saíram, comprimidas no fim da sessão. Os stints longos, que valem mais para prever domingo, praticamente não saíram. Quem tenta projetar a corrida a partir dessa sexta está extrapolando de uma amostra pequena, e a diferença entre 0s148 e 0s499 no papel não sustenta esse peso.

As condições ajudaram a embaralhar. A pista amanheceu mais fria do que o esperado para julho, com vento de rajada, e as curvas 1 e 12 receberam asfalto novo na reforma do Hungaroring — dois pontos de frenagem pesada onde o atrito muda em relação ao resto da volta. Russell descreveu o comportamento do carro como "dreadful" no rádio. Verstappen relatou um eixo traseiro "super stiff" e falta de aderência atrás nas voltas longas, exatamente o sintoma que costuma sumir com um ajuste de altura no sábado.

Vale lembrar o que os históricos dizem sobre Budapeste: como mostramos na análise de por que a pole nem sempre vence no Hungaroring, a posição de largada aqui importa muito — mas o TL2 é um péssimo previsor de quem larga na frente.

Surpresas e decepções da sexta

Antonelli, 13º. O líder do Mundial não rodou no TL1 (Frederik Vesti ocupou o carro numa das sessões obrigatórias de estreantes) e passou o TL2 travando o eixo traseiro. Abandonou a simulação de classificação depois de um escorregão na curva 6 e fechou a 1s964. Meia sessão a menos e um acerto ainda em aberto explicam boa parte do número, mas é a pior sexta dele desde o início da sequência que o levou à liderança.

Racing Bulls, dois no top 10. Lawson em 7º e o estreante Arvid Lindblad em 10º, ambos dentro de 1s6. É a assinatura clássica da equipe em circuito travado e de baixa velocidade média.

Audi, com o brasileiro no páreo. Hülkenberg foi 9º no TL2 e Gabriel Bortoleto fechou em 11º, a 1s745 — depois de um TL1 bem mais animador, em 6º, com o melhor tempo entre os dois carros da equipe. O Hungaroring é o tipo de traçado onde o pacote alemão tem se defendido melhor.

Aston Martin, o dia perdido. A estreia do AMR26 "B", que a equipe montou em torno da reestruturação do departamento de engenharia, durou pouco: Lance Stroll parou no TL1 com suspeita de falha na suspensão traseira e não conseguiu sair para o TL2. Fernando Alonso terminou em 19º, com vibração na unidade de potência Honda e o carro coberto de tinta de fluxo no fim da tarde — o retrato de quem ainda está tentando entender o próprio pacote.

A classificação do campeonato antes de Budapeste

Nada mudou na sexta, mas o pano de fundo importa: Antonelli lidera com 204 pontos, contra 159 de Hamilton e 154 de Russell. No Mundial de Construtores, a Mercedes tem 73 pontos de vantagem sobre a Ferrari, com a McLaren em terceiro, 163 atrás da ponta.

Ou seja: a equipe que dominou o dia é a mesma que precisa de resultado grande antes do recesso — e o piloto que lidera o campeonato é o que teve o pior dia entre os candidatos ao título. Se a leitura de sexta se confirmar no sábado, a Ferrari tira pontos importantes de uma Mercedes fora de ritmo. Se não se confirmar, a explicação já está escrita: 26 minutos de bandeira vermelha.

Próximo compromisso

O TL3 acontece sábado às 7h30 (Brasília) e a classificação às 11h. A corrida é domingo às 10h, com 70 voltas — todos os horários e a transmissão estão no guia completo do fim de semana.

O sábado vai valer mais do que o normal. Com o TL2 comprometido, o TL3 vira a última chance real de calibrar acerto e leitura de pneu antes da classificação, e num circuito onde ultrapassar é raro, a Q3 praticamente define o domingo. A Ferrari chega com a vantagem de ter encontrado ritmo cedo. Os outros chegam com a vantagem de ainda ter margem para descobrir o que sobrou por achar.


Fontes: FIA, The Race, Motorsport.com e PlanetF1.

Perguntas frequentes

Quem foi o mais rápido nos treinos livres do GP da Hungria 2026?

Lewis Hamilton, com 1min18s729 no TL2, seguido de Charles Leclerc a 0s148. No TL1 a ordem se inverteu: Leclerc liderou com 1min19s075. A Ferrari terminou a sexta com os dois carros à frente.

Por que Kimi Antonelli terminou em 13º no TL2 da Hungria?

O líder do Mundial não correu no TL1 (cedeu o carro a Frederik Vesti) e reclamou de travamentos do eixo traseiro no TL2. Abortou a simulação de classificação após um escorregão na curva 6 e ficou a 1s964 do topo.

O que causou a bandeira vermelha no TL2 do GP da Hungria 2026?

Franco Colapinto perdeu a traseira da Alpine na entrada da última curva e bateu no muro. A sessão ficou 26 minutos parada, justamente na janela em que as equipes fariam as simulações de volta rápida.

Que horas é a classificação do GP da Hungria 2026?

Sábado, 25 de julho, às 11h de Brasília, com o TL3 às 7h30. A corrida é domingo às 10h (BRT), com transmissão de Band, BandSports e F1 TV Pro.