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GP de Mônaco 2026 foi o tédio mais bem disfarçado do ano

Todo mundo está chamando o GP de Mônaco 2026 de clássico. Carla Ribeiro discorda: a corrida foi decidida no sábado, Antonelli liderou as 78 voltas sem ver outro carro e o 'caos' foi só gente batendo no muro. Monte Carlo não entregou um thriller — entregou uma peneira.

PorCarla Ribeiro
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GP de Mônaco 2026 foi o tédio mais bem disfarçado do ano
Foto: Formula1.com / Reprodução — Antonelli liderou as 78 voltas de Monte Carlo sem ver outro carro pelo retrovisor

Acordei na segunda-feira com a timeline inteira chamando o GP de Mônaco 2026 de clássico instantâneo. Sete abandonos, bandeira vermelha, safety car, uma chuva de punições e o pódio mais jovem da temporada. Parece roteiro de filme. Só tem um detalhe que ninguém quer colocar na manchete: a corrida pela vitória acabou no sábado às 15h, quando Kimi Antonelli cravou a pole. O resto foram 78 voltas de gente batendo no muro enquanto o líder andava sozinho. Isso não é um thriller. É uma peneira — e eu, que avisei que Monte Carlo seria procissão, confesso que estava certa pelos motivos errados.

O GP de Mônaco 2026 foi decidido no sábado

Vamos ao fato que estraga a festa: Antonelli liderou as 78 voltas. Todas. Saiu na frente no Sainte-Dévote, abriu vantagem na primeira janela e nunca mais viu outro carro pelo retrovisor que não fosse retardatário. Pole, vitória, volta mais rápida e liderança do começo ao fim — o Grand Chelem completo, a quinta vitória do italiano no ano e o título de mais jovem vencedor da história de Monaco. É uma performance de campeão, e eu não vou tirar um grama de mérito dele. O problema não é o Antonelli. O problema é o que essa vitória diz sobre a corrida.

Quando o vencedor lidera cada volta sem nenhuma ultrapassagem pela ponta, o que você assistiu não foi uma disputa — foi uma confirmação. A classificação de sábado já tinha entregado o resultado com o top 6 espremido em menos de quatro décimos, e Monte Carlo, fiel a si mesma, só carimbou a ordem do grid. Hamilton subiu ao segundo lugar a seis segundos. Hadjar fez o primeiro pódio da carreira em terceiro. Nenhum deles passou ninguém que importasse para terminar onde terminou.

O "caos" que vocês aplaudiram foi gente batendo no muro

Aqui mora a parte que a narrativa romântica esconde. O que deu a Mônaco 2026 a fama de corrida maluca não foi disputa — foi destruição. Verstappen travou na largada com anti-stall, viu o grid inteiro passar e abandonou na primeira volta. Norris parou com falha de motor. Leclerc, de novo Leclerc, bateu na última curva e culpou a pista se quebrando. Sainz se envolveu em colisão na relargada. Stroll foi ao muro. Sete carros não viram a bandeirada.

E teve o capítulo George Russell, que merece um parágrafo só dele. O homem coletou investigação de queima de largada, cinco segundos por excesso de velocidade, violação na saída dos boxes e um drive-through — uma coleção de punições que o jogou para fora dos pontos e, de quebra, atrapalhou meio grid na confusão. Some a isso o Pérez perdendo pontos por punição depois da prova e o Gasly perdendo um pódio na mão por excesso de velocidade no pit lane. Isso não é emoção esportiva. É planilha de comissários. Chamar uma sucessão de batidas e penalidades de "grande corrida" é confundir acidente de trânsito com Fórmula 1.

A peneira que Monte Carlo é — e por que isso é bom

Agora o outro lado, porque opinião honesta encara o contra-argumento. Tem quem diga: "Carla, mas foi imprevisível, teve drama, teve história. Isso não é entretenimento?" É. E eu, sinceramente, prefiro esse domingo a uma corrida de Overtake Mode em que os carros se passam no botão. Foi exatamente o que pedi quando defendi Mônaco sem asa móvel ativa: a versão sem photoshop da F1 de 2026. Tirados os brinquedos da mão, Monte Carlo fez o que sempre fez de melhor — separar quem sabe pilotar entre muros de quem só sabe apertar gadget.

O resultado da peneira é cristalino. Antonelli passou no teste mais difícil do calendário sem encostar numa proteção. Hamilton, veterano, segurou o segundo posto com a frieza de quem já viu esse filme. E os que rodaram, bateram e foram punidos? São os mesmos que passaram o ano se escondendo atrás de energia elétrica extra nas retas. Mônaco não estragou a corrida deles. Mônaco revelou o tamanho do buraco que o pacote de 2026 vinha tapando.

O veredito da Carla

Então não, eu não vou chamar Mônaco 2026 de clássico. Vou chamar do que foi: um veredito. A disputa pela vitória terminou no sábado, o domingo foi um desfile de 78 voltas com um demolition derby acontecendo lá atrás, e a única novidade real é que agora temos a prova documentada de que Antonelli está num campeonato à parte — ele abriu ainda mais vantagem na liderança, Hamilton subiu à vice e Russell despencou para terceiro depois do showzinho de punições.

Monte Carlo não te deve ultrapassagem, nunca deveu. O que ela te entrega é a verdade sobre o grid sem maquiagem, e a verdade de 2026 é desconfortável: tem um piloto pilotando e tem o resto torcendo para o Overtake Mode voltar na próxima corrida. Da próxima vez que alguém te disser que foi a corrida mais emocionante do ano, pergunte quantas ultrapassagens houve pela liderança. A resposta é zero. O resto é barulho — e barulho, por mais alto que seja, não é o mesmo que disputa. Foi um domingo honesto. Só não foi, nem de longe, uma boa corrida.

Resultado oficial e cronologia dos incidentes no relatório de corrida da Formula1.com e nos vencedores e perdedores compilados pelo The Race.

Perguntas frequentes

Quem venceu o GP de Mônaco 2026?

Kimi Antonelli, da Mercedes, da pole à bandeirada. Liderou todas as 78 voltas, fez a volta mais rápida e cravou um Grand Chelem — sua quinta vitória na temporada e o título de mais jovem vencedor da história de Monte Carlo. Lewis Hamilton foi segundo e Isack Hadjar, terceiro.

Por que Verstappen abandonou em Mônaco 2026?

Max Verstappen travou na largada com um problema de anti-stall na primeira fila, viu praticamente todo o grid passar e abandonou logo na volta inicial. Foi o golpe mais duro de um domingo que terminou com sete carros fora.

O que aconteceu com George Russell no GP de Mônaco 2026?

Russell entrou numa espiral de punições — investigação de queima de largada, cinco segundos por excesso de velocidade, violação na saída dos boxes e um drive-through. Terminou fora dos pontos, por volta de 13º, e despencou para terceiro no campeonato.

Quantas voltas Antonelli liderou no GP de Mônaco 2026?

Todas as 78. Saiu na frente no Sainte-Dévote e nunca mais devolveu a ponta, somando pole, vitória, volta mais rápida e liderança em todas as voltas — o Grand Chelem completo.

O GP de Mônaco 2026 foi uma corrida emocionante?

Depende do que se chama de emoção. A disputa pela vitória acabou no sábado: Antonelli passeou sozinho. A 'emoção' veio de abandonos, batidas no muro e uma enxurrada de punições atrás dele — caos, não disputa pela ponta.

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Sobre o autor

Carla Ribeiro

Colunista

Comentarista de TV. Opinião forte, sem filtros. Polêmica é o sobrenome.