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Calendário da F1 2026: Catar e Abu Dhabi têm prazo em setembro

Stefano Domenicali marcou meados de setembro como o limite para decidir se as duas últimas etapas do ano acontecem no Oriente Médio. Se não acontecerem, a temporada termina na Europa — e Ímola é a favorita para receber a final.

PorRicardo Mendes
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Calendário da F1 2026: Catar e Abu Dhabi têm prazo em setembro
Foto: RacingNews365 / Reprodução — Catar e Abu Dhabi seguem no calendário da F1 2026, mas com prazo de decisão marcado para meados de setembro

O calendário da F1 2026 entrou no recesso de verão com uma data circulada em vermelho, e ela não é de corrida. Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, confirmou que a categoria tem até meados de setembro para decidir se as duas últimas etapas do ano — Catar, em 29 de novembro, e Abu Dhabi, em 6 de dezembro — acontecem onde estão marcadas. Se a resposta for não, a temporada termina na Europa.

É a segunda vez no ano que a guerra no Oriente Médio força a F1 a redesenhar o próprio calendário. A primeira custou duas provas.

O prazo que Domenicali colocou na mesa

O executivo foi específico ao falar com um grupo de veículos, incluindo o RacingNews365: o limite para qualquer alteração no calendário atual é meados de setembro. Até lá, nada muda no papel — Catar e Abu Dhabi seguem confirmados, e os dois já venderam todos os ingressos.

O plano B tem endereço, mas não tem placa. Domenicali disse que Ímola está na cesta de opções, sem estar definida como a escolha. Portimão também foi avaliada. A ressalva do próprio CEO é o clima: uma final de temporada no fim de novembro ou início de dezembro em solo italiano tem risco meteorológico que Lusail e Yas Marina simplesmente não têm. Ele minimizou o problema comparando as temperaturas de Ímola com as de Las Vegas, etapa que a F1 já corre no frio há três anos.

Quem já se moveu foi o Mundial de Endurance. O WEC tirou suas duas últimas rodadas do Catar e do Bahrein e as levou para Barcelona e Monza, em outubro e novembro. A F1 conhece o precedente e está esperando mais tempo antes de puxar o gatilho — a diferença é a escala do frete e dos contratos envolvidos.

Quem paga a conta da corrida na Malásia

A parte já resolvida do calendário da F1 2026 explica bem como esse tipo de emergência é financiada. Bahrein e Arábia Saudita, marcados para 12 e 19 de abril, foram cancelados quando a guerra começou. Só um dos dois foi recuperado: Sepang recebe a prova entre 2 e 4 de outubro, encaixada entre Azerbaijão e Singapura, formando uma sequência de três corridas em três fins de semana.

O detalhe que passou batido: o evento na Malásia continua se chamando oficialmente Grande Prêmio do Bahrein. Não é capricho de nomenclatura. A taxa de sediação devida à FOM — estimada entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões no caso do Bahrein — já tinha sido paga pelo país do Golfo, e é essa quitação que banca a corrida em Sepang. A Malásia entra sem desembolsar o direito de sediar, algo que o circuito não conseguia viabilizar sozinho desde que deixou o calendário em 2017.

É um arranjo de exceção, e vale dizer o que ele não é: não é o retorno da Malásia ao calendário permanente. Para isso, Sepang precisaria pagar a taxa cheia, e o governo malaio já sinalizou publicamente que não coloca dinheiro na conta.

O que muda para o resto do calendário da F1 2026

Nada, por enquanto. Das 23 corridas do ano, 11 já foram disputadas e 12 restam. A retomada é em 23 de agosto, em Zandvoort, e a sequência até o fim de novembro está intacta — incluindo o GP de São Paulo, em Interlagos, marcado para 8 de novembro. O calendário completo está no hub de calendário do portal.

EtapaDataLocal
Holanda23/08Zandvoort
Itália06/09Monza
Espanha13/09Madring
Azerbaijão26/09Baku
Bahrein04/10Sepang
Singapura11/10Marina Bay
Estados Unidos25/10Austin
México01/11Cidade do México
São Paulo08/11Interlagos
Las Vegas22/11Las Vegas
Catar29/11Lusail
Abu Dhabi06/12Yas Marina

O risco real é de escopo limitado, mas alto impacto: as duas etapas sob dúvida são exatamente as que decidem o campeonato. Kimi Antonelli lidera com 219 pontos contra 169 de Lewis Hamilton, e a Mercedes abriu 72 sobre a Ferrari entre os construtores — números que a classificação atualiza a cada rodada, e que 12 corridas ainda podem virar de cabeça para baixo.

2027 fica para o outono europeu

O calendário do ano que vem também virou refém do prazo. A F1 segurou a divulgação para o outono do hemisfério norte, quando pretende publicar uma grade convencional de 24 provas mantendo alternativas engatilhadas. O rascunho que circula abre em 14 de março no Bahrein, com a Arábia Saudita uma semana depois, e testes de pré-temporada em Sakhir entre 25 e 27 de fevereiro. Se a situação não destravar, os testes vão para Barcelona e a Malásia aparece de novo — desta vez como possível abertura de temporada, por questão de logística.

Para as equipes, é mais uma variável num ano em que quase tudo já é variável. O recesso que deveria ser de descanso virou janela de planejamento, e não só no mercado de pilotos: departamentos de logística estão montando dois calendários em paralelo, sem saber qual dos dois vão rodar.

A resposta chega em setembro.

Perguntas frequentes

Quando a F1 decide se o GP do Catar e o de Abu Dhabi vão acontecer?

Até meados de setembro de 2026. O prazo foi dado por Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, na semana em que começou o recesso de verão. As duas provas seguem confirmadas e com ingressos esgotados até lá.

Onde a temporada 2026 da F1 termina se o Oriente Médio for descartado?

Na Europa. Ímola é a candidata mais forte, mas Domenicali afirmou que o circuito é uma opção, não uma decisão fechada. Portimão também foi considerada.

Por que o GP do Bahrein de 2026 vai ser disputado na Malásia?

Bahrein e Arábia Saudita foram cancelados em abril por causa da guerra no Oriente Médio. Sepang recebe a prova entre 2 e 4 de outubro, mas o evento mantém o nome oficial de Grande Prêmio do Bahrein.

Quem paga a corrida da F1 em Sepang?

O Bahrein. A taxa de sediação paga à FOM, estimada entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões, já havia sido quitada pelo país — a Malásia entra sem desembolsar o direito de sediar.

Quantas corridas faltam na temporada 2026 da F1?

Doze, de um total de 23. A retomada é no GP da Holanda, em Zandvoort, entre 21 e 23 de agosto, e a última data prevista é Abu Dhabi, em 6 de dezembro.