Alpine assume meio do grid e mira teste decisivo no Canadá 2026
Com 23 pontos e Colapinto entregando P7 em Miami, a Alpine fechou o bloco americano como melhor carro do meio do grid em 2026. Mas Briatore avisa: Montreal vai dizer se o A526 é mesmo o pacote do midfield ou se Miami foi um pico isolado.

A Alpine encerrou o bloco americano da Formula 1 2026 no lugar que ninguém previa em fevereiro: melhor carro do meio do grid e disparada na briga pelo quinto lugar do Mundial de Construtores. Depois do P7 de Franco Colapinto em Miami e do ponto de Pierre Gasly no sprint, a equipe de Enstone soma 23 pontos em quatro corridas — três a mais que a Red Bull, 53 a menos que a McLaren, e a sensação clara de que o A526 é hoje o pacote a ser batido fora da disputa pelo título.
O número que importa internamente, porém, não é 23. É a distância para os outros três fabricantes Mercedes do grid (a equipe-fábrica, a McLaren e a Williams), e o gap que separa Gasly e Colapinto da Haas e da Racing Bulls, que prometem trazer atualizações pesadas para Montreal. O GP do Canadá, no fim de semana de 22 a 24 de maio, vai dizer se a Alpine virou referência do midfield ou se o desempenho de Miami foi um pico circunstancial de um carro que gosta de pistas de baixa carga aerodinâmica.
O salto que mudou a planilha
Antes de Miami, Colapinto tinha 1 ponto em três corridas e era o piloto mais ameaçado da grade pelos rumores do mercado. O argentino chegava à Florida em sua quinta semana de prazo dado por Briatore, segundo informações que circularam pelo paddock durante a pausa de abril — e que já tinham mexido com o time antes mesmo do voo para os EUA.
O fim de semana, no entanto, virou roteiro perfeito: oitavo no grid após uma classificação tecnicamente limpa, P10 no sprint e P7 na corrida principal, com seis pontos somados no domingo e mais um na manhã anterior. "Franco fechou uma semana realmente boa, num nível que esperamos dele todo fim de semana", afirmou Briatore. A leitura no paddock é menos generosa: o italiano marcou um piso e quem não o sustentar perde o carro.
Gasly entregou a outra metade do plano. O francês pontuou no sprint, alimentou o pacote técnico com dados de carro do começo ao fim do GP e, ainda assim, terminou atrás do companheiro no domingo — situação rara, atribuída a uma estratégia mais conservadora de pneus depois do contato na largada.
Por que a Alpine voou em Miami
A virada técnica não nasceu na Flórida. O A526 chegou ao bloco americano com um novo monocoque mais leve, asa traseira redesenhada, novas wishbones de suspensão e um winglet de escapamento traseiro inspirado na Ferrari — pacote detalhado em análise dos pacotes que a equipe levou para Miami. Em Montreal, Colapinto vai receber a mesma asa traseira que Gasly já usou no domingo, fechando o alinhamento entre os dois carros pela primeira vez na temporada.
Adicione a isso a troca de motor para Mercedes — o ponto que mais aparece nas conversas internas como divisor de águas — e o salto da Alpine, comparado em dados ao do começo da temporada, começa a parecer estrutural, não circunstancial. A equipe de Enstone deixou para trás a unidade Renault que a engessou por uma década e ganhou acesso a um pacote técnico Mercedes que a McLaren também explora — em outro patamar de orçamento, mas com a mesma plataforma de potência.
| Pos | Equipe | Pontos | Motor |
|---|---|---|---|
| 1 | Mercedes | 180 | Mercedes |
| 2 | Ferrari | 110 | Ferrari |
| 3 | McLaren | 94 | Mercedes |
| 4 | Red Bull | 30 | Ford-Honda |
| 5 | Alpine | 23 | Mercedes |
| 6 | Haas | 18 | Ferrari |
| 7 | Racing Bulls | 14 | Honda RBPT |
| 8 | Williams | 5 | Mercedes |
| 9 | Audi | 2 | Audi |
| 10 | Cadillac | 0 | Ferrari |
Fonte: Formula1.com — Constructors' Standings.
A tabela explica a leitura interna de Briatore: a Alpine virou Red Bull no Mundial pela primeira vez em uma década e agora tem três adversários diretos com carros muito mais pesados em desenvolvimento. Haas e Racing Bulls já confirmaram pacotes novos para Montreal, e a Williams promete uma evolução "maior" para Mônaco. Quem ficar parado no Canadá, recua.
O que está em jogo no Canadá
Para Montreal, a Alpine não promete pacote novo — o foco é nivelar os dois carros com a especificação que Gasly correu em Miami e calibrar o A526 para uma pista de freadas duras, alto piano e quase nenhuma curva rápida. Esse perfil é exatamente o oposto do que a equipe encarou em Imola e em Mônaco nas temporadas passadas, e bate com o tipo de circuito em que o pacote de Miami também funcionou.
Há três pressões em paralelo. A primeira é técnica: confirmar que o ritmo de domingo na Florida é replicável e que o carro não depende de temperatura alta de asfalto. A segunda é política: Colapinto precisa entregar um segundo fim de semana consistente para tirar o assunto "substituto" da mesa de Briatore. E a terceira é de mercado: o contrato de Gasly entra em ano de renegociação a partir de Mônaco, e quanto mais a Alpine subir no Construtores, mais o francês vale fora da equipe — e mais Briatore vai cobrar dela para mantê-lo.
A leitura do paddock é direta. Se Gasly e Colapinto fecharem o Canadá com pontos duplos, a Alpine se firma como o time-base do midfield em 2026 e ganha tração para brigar com a Red Bull até o fim do ano. Se Miami foi exceção e Montreal devolver Haas, Racing Bulls e Williams para a janela de pontos, o quinto lugar volta a ser uma briga aberta — e a Alpine perde o argumento mais valioso que conquistou em quatro corridas: o de que o A526 é o melhor carro do meio do grid, e não apenas o que tem o motor certo na hora certa.
Perguntas frequentes
Em que posição a Alpine está no Mundial de Construtores 2026?
5º lugar com 23 pontos, à frente de Haas (18), Racing Bulls (14), Williams (5), Audi (2) e Cadillac (0). Foram quatro corridas: Austrália, China, Japão e Miami.
Qual foi o resultado de Franco Colapinto no GP de Miami 2026?
Largou em 8º e terminou em 7º — o melhor resultado da carreira do argentino na F1. Foi a primeira vez que Colapinto pontuou em 2026 e o salto dele de 1 para 7 pontos puxou a Alpine para o quinto lugar.
Quando é a próxima corrida da Alpine após Miami?
GP do Canadá, em Montreal, entre 22 e 24 de maio. É a sétima etapa do calendário 2026 e o último GP antes do bloco europeu, que começa em Mônaco em 5 de junho.
Por que a Alpine melhorou tanto em 2026?
A equipe trocou de motor (agora Mercedes), introduziu um monocoque mais leve no A526 e passou a importar peças do livro técnico Mercedes — incluindo um winglet do escapamento copiado da Ferrari e novas wishbones de suspensão.
Quem é o chefe da Alpine na F1 em 2026?
Flavio Briatore comanda o projeto desde 2025, em uma volta polêmica ao paddock. Steve Nielsen ocupa o cargo de team principal no dia a dia, mas as decisões estratégicas e de mercado de pilotos passam por Briatore.