Cláusula de saída de Verstappen fica ativa e a McLaren avança
Depois de Silverstone, Max Verstappen não alcança mais o top 2 até a pausa de verão — e isso liga a cláusula que o solta da Red Bull. Nos bastidores, a McLaren passou a Mercedes na fila por 2027.

O calendário marca a semana do GP da Bélgica, mas o assunto que corre nas mensagens do paddock não é a chuva de Spa. É uma linha de contrato. A cláusula de saída de Verstappen na Red Bull, que até junho era tratada como hipótese distante, ficou matematicamente ao alcance do holandês depois do GP da Inglaterra — e mudou o tom de todas as conversas sobre 2027.
A engrenagem é simples de explicar e complicada de engolir para Milton Keynes. O acordo de Max com a Red Bull prevê que ele pode se soltar caso esteja fora das duas primeiras posições do Mundial de Pilotos na pausa de verão. Em Silverstone, Verstappen somou 76 pontos e caiu para sétimo. George Russell, o segundo colocado, já tem 154. Faltam corridas demais para fechar essa conta antes da Hungria. Traduzindo: quando a F1 parar para respirar no início de agosto, a porta estará destravada.
O que a cláusula de saída realmente diz
Não é uma multa nem um pedido de demissão. É um mecanismo de desempenho. O vínculo de Verstappen com a Red Bull vai até o fim de 2028, e a equipe chegou a oferecer dinheiro para comprar a cláusula e blindar o contrato. Max recusou — quis manter a saída de emergência aberta. Foi uma decisão que, vista de hoje, parece premonição.
O gatilho é ligado no dia seguinte ao GP da Hungria, última prova antes do recesso. A partir daí, o poder de decisão passa para o lado do piloto, não da equipe. E ninguém no paddock acredita que a Red Bull tenha munição para reverter o quadro esportivo a tempo: Helmut Marko já admitiu que a equipe não mira vitórias antes da pausa de 2027, e relatos internos apontam um motor cerca de dois décimos atrás do pelotão da frente. Quem quiser o contexto técnico dessa queda encontra os números no nosso raio-X do déficit de motor da Red Bull.
McLaren passa a Mercedes na fila
Há uma semana, o roteiro apontava para Brackley. As conversas com a Mercedes, no entanto, esbarraram no tamanho do contrato e esfriaram — a equipe reafirmou a dupla Russell e Antonelli, e Toto Wolff falou em "90 a 95%" de chance de manter a formação atual. Foi o suficiente para reordenar a fila, como já se via desenhar no impasse do mercado de 2027.
Quem assumiu a frente foi a McLaren. As tratativas com Woking são descritas como avançadas, com relato de um vínculo de três anos, e há um detalhe que dá peso à especulação: a migração de gente da Red Bull para o time de Andrea Stella não parou. Rob Marshall, um dos cérebros técnicos da era de ouro de Milton Keynes, já está lá. E Gianpiero Lambiase, o engenheiro de pista que fala no rádio de Max há anos, também tem destino traçado para a McLaren — algo que o paddock sussurrava desde abril e que agora ganha data. Ler o histórico completo dessas contratações ajuda a entender por que ninguém trata isso como coincidência.
O nó chamado Piastri
Zak Brown segue negando publicamente. "Tenho dois pilotos nos assentos, a McLaren é um time incrível, temos um ambiente único", disse o CEO, empurrando o assunto para escanteio. O problema é que a matemática dos assentos não fecha sem sacrifício. Norris está garantido como campeão em exercício. Se Verstappen chegar, o lugar mais exposto é o de Oscar Piastri.
O australiano rebate com serenidade. "Para mim, não muda muita coisa. Estou muito feliz onde estou, confio neles", afirmou ao site oficial da F1. Seu empresário, Mark Webber, foi mais seco: Piastri está contratado "para o futuro previsível". Ainda assim, num xadrez de mercado, uma peça a mais de um lado costuma significar uma peça a menos do outro — e é exatamente esse desconforto que a McLaren tenta abafar enquanto o assunto ferve.
O que esperar até outubro
O prazo que importa não é Spa nem a Hungria — é outubro, apontado como a data-limite para Verstappen comunicar formalmente qualquer movimento à Red Bull. Até lá, a temporada vira um pano de fundo para a novela contratual, e cada resultado ruim do RB22 empurra Max um passo mais para longe. A crise do carro alimenta a saída; a saída, por sua vez, azeda ainda mais o clima interno. É um ciclo difícil de quebrar sem uma virada de desempenho que, hoje, ninguém em Milton Keynes promete.
Para quem acompanha o vaivém de assentos, vale cruzar esse movimento com o resto do tabuleiro no nosso panorama do mercado de pilotos para 2027. Porque, se o dominó de Verstappen cair, ele não cai sozinho — arrasta veteranos, reservas e pelo menos um campeão contrariado junto.
Perguntas frequentes
A cláusula de saída de Verstappen na Red Bull já está ativa?
Na prática, sim. A cláusula libera Max se ele estiver fora do top 2 do Mundial na pausa de verão. Com 76 pontos e em sétimo após Silverstone, ele não alcança mais os 154 de Russell (2º) a tempo, então o gatilho vira efetivo logo depois da Hungria.
Para qual equipe Verstappen pode ir em 2027?
A McLaren é hoje a favorita e teria passado a Mercedes na disputa. As conversas com Woking estão avançadas, com relato de contrato de três anos. A Mercedes reafirmou a dupla Russell e Antonelli.
Até quando o contrato de Verstappen com a Red Bull vai?
Até o fim de 2028. A Red Bull tentou comprar a cláusula de saída para blindar o vínculo, mas Verstappen recusou. Outubro é apontado como prazo formal para ele comunicar qualquer decisão.
Se Verstappen for para a McLaren, quem sai?
O assento mais provável seria o de Oscar Piastri — Lando Norris está garantido como atual campeão. Piastri e seu empresário, Mark Webber, dizem que ele segue contratado e satisfeito em Woking.