McLaren 2026: o diagnóstico do campeão que virou o 4º carro
Campeã de Construtores em 2025, a McLaren saiu de Silverstone como o quarto carro mais rápido do grid, 154 pontos atrás da Mercedes. Andrea Stella admite que o déficit está dividido meio a meio entre motor e aerodinâmica — e os números explicam por que a virada não vem.

Campeã de Construtores em 2025 e dona do título de pilotos com Lando Norris, a McLaren chegou a 2026 com o número 1 no carro e saiu de Silverstone como a quarta força do grid. O ritmo do MCL40 no fim de semana do GP da Inglaterra foi tão ruim que Norris não tentou disfarçar: "o ritmo estava chocante". A frase resume o tamanho da queda — e os números por trás dela contam uma história mais técnica do que uma simples crise de forma.
O que os dados mostram
O placar é brutal para quem vinha de uma temporada de domínio. Depois de nove etapas, a McLaren está 154 pontos atrás da Mercedes no Mundial de Construtores. Norris aparece 82 pontos atrás do líder Kimi Antonelli no campeonato de pilotos, e Oscar Piastri está mais 15 pontos abaixo do companheiro. Em Silverstone, Norris terminou em quarto na corrida e terceiro na sprint, mas ele próprio avisou que o resultado mascarava o problema real: "temos um bocado de coisa para melhorar".
A leitura de ritmo puro é ainda mais reveladora. No GP da Inglaterra, o MCL40 foi, na média, apenas o quarto carro mais rápido — atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Não é a fotografia de uma equipe que perdeu a janela de acerto em um fim de semana ruim; é a de uma equipe que ficou para trás no desenvolvimento das novas regras. A virada que zerou Antonelli em Silverstone mudou o topo do Mundial, mas não mexeu no problema estrutural da McLaren.
A conta dividida em dois: motor e aerodinâmica
Andrea Stella tem sido incomum de franco sobre o diagnóstico. Segundo o chefe de equipe, "o problema está dividido exatamente entre eficiência de motor e downforce aerodinâmica". É uma admissão importante, porque separa a origem do déficit em duas frentes que exigem soluções diferentes — e nenhuma delas é rápida.
Do lado aerodinâmico, o MCL40 sofre com falta de carga e de eficiência. A equipe reconhece a carência de aderência nas curvas de média e baixa velocidade e, principalmente, tem dificuldade em fazer os pneus trabalharem na faixa de temperatura em que rendem melhor. Um carro que não gera downforce suficiente não aquece o pneu como deveria, e um pneu fora da janela não gera aderência — é um ciclo que se retroalimenta e explica boa parte da imprevisibilidade que Norris reclama, agravada pelo vento em pistas de baixo grip como Silverstone.
Do lado do motor, entra um fator que a McLaren não controla: ela é cliente da Mercedes. Esse ponto sempre esteve no radar, mas ficou explícito no fim de semana inglês.
O detalhe de Silverstone que expôs o problema de cliente
Em Silverstone, a McLaren descobriu que os pilotos da Mercedes de fábrica usavam uma técnica de alívio de acelerador nas retas para otimizar o uso do motor — algo que pegou a equipe de surpresa. Stella foi direto: "ficamos um pouco surpresos, porque não é algo que discutimos, e, na verdade, nem tenho certeza de que está disponível para nós".
A frase vale mais que qualquer tabela. Sendo cliente, a McLaren recebe o motor Mercedes, mas não necessariamente o mesmo mapa de gestão, os mesmos modos ou o mesmo nível de integração que a equipe de fábrica explora. Em um regulamento de 2026 que aumentou o peso da parte elétrica e da eficiência de combustível, essa diferença de acesso vira décimos por volta — exatamente a metade "de motor" do déficit que Stella descreve. Não à toa, a McLaren vem cobrando publicamente respostas sobre a vantagem de motor da própria fornecedora.
Por que a recuperação da McLaren é lenta
Há uma razão de calendário para o buraco ser difícil de tapar. Stella admite que a McLaren está dois a três meses atrasada em relação à Mercedes no ciclo de desenvolvimento aerodinâmico. Parte disso é herança do sucesso de 2025: a equipe brigou pelo título até a última corrida da temporada passada, o que atrasou a concepção do MCL40 e obrigou a priorizar uma plataforma "saudável" para evoluir, em vez de um carro rápido de largada.
O problema é que os rivais não esperaram. Mesmo com o pacote de upgrades que a McLaren considerou completo — o "carro completamente novo" de Miami e Canadá —, a Mercedes manteve a vantagem. O déficit não é do tipo que um assoalho novo resolve sozinho, como já mostrava o problema estrutural de entre-eixos do MCL40. Some-se a isso a metade "de motor", que depende menos de gênio aerodinâmico e mais da relação com a Mercedes, e fica claro por que a McLaren não vira a chave de uma etapa para outra.
Houve sinais de vida — no Japão, Piastri brigou pela vitória; em Miami, foi a vez de Norris. Mas foi só um pódio nas cinco corridas seguintes, e o gap para a frente, na conta de Stella, é de "cerca de meio segundo" para Mercedes e Ferrari, com a Red Bull mais perto.
Conclusão analítica
A McLaren de 2026 não é uma equipe que perdeu o rumo; é uma equipe que fez uma aposta de concepção e chegou tarde às novas regras, com um carro que precisa de duas soluções ao mesmo tempo. A metade aerodinâmica está nas mãos da própria fábrica de Woking e tende a melhorar com o tempo de túnel de vento que a equipe está recuperando. A metade de motor é mais política do que técnica — e depende de quanto a Mercedes está disposta a nivelar o acesso de um cliente que também é rival direto de Antonelli e Russell.
Enquanto essas duas contas não fecharem, o campeão de 2025 seguirá defendendo o posto de quarta força — e brigando com a Red Bull por um lugar que, há um ano, parecia impensável. Para os detalhes de quem está à frente na disputa técnica do meio para a frente do grid, vale revisitar os dados por trás da inversão de 2026.
Fonte principal: Sky Sports F1 — Norris e Stella sobre o gap para Mercedes e Ferrari.
Perguntas frequentes
Em que posição a McLaren está no Mundial de Construtores de 2026?
A McLaren aparece 154 pontos atrás da líder Mercedes no Mundial de Construtores após o GP da Inglaterra. Campeã em 2025, a equipe caiu para a quarta força do grid em ritmo puro, atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull.
Por que a McLaren caiu tanto de rendimento em 2026?
Andrea Stella descreve o problema como dividido meio a meio entre eficiência do motor e downforce aerodinâmica. O MCL40 sofre com falta de carga aero e dificuldade em colocar os pneus na janela ideal, enquanto a McLaren, cliente Mercedes, não consegue explorar o motor como a equipe de fábrica.
Qual é o tamanho do gap da McLaren para Mercedes e Ferrari?
Cerca de meio segundo por volta, segundo o próprio Andrea Stella. A Red Bull está mais perto, o que coloca a McLaren em uma disputa direta pelo posto de quarta força — bem longe do carro que dominou 2025.
Quanto Norris e Piastri estão atrás do líder do Mundial?
Lando Norris está 82 pontos atrás do líder Kimi Antonelli após Silverstone, e Oscar Piastri aparece mais 15 pontos abaixo do companheiro. É um cenário improvável para quem chegou a 2026 defendendo o título de pilotos.