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Cadillac mira Miami com upgrade decisivo: 'Precisamos de um segundo'

Três corridas, zero pontos, mas Pérez e Bottas pedem um upgrade gordo para o GP de Miami — a primeira corrida em casa da Cadillac. O time americano acredita que um salto de um segundo por volta é possível com o pacote planejado.

PorFernando Almeida
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Cadillac mira Miami com upgrade decisivo: 'Precisamos de um segundo'
Foto: GP Blog / Reprodução — Sergio Pérez e Valtteri Bottas lideram o projeto da Cadillac na estreia da marca americana na Fórmula 1

Tem uma frase do paddock que resume bem onde a Cadillac está agora: "Nenhum ponto na tabela, mas ninguém dentro da equipe está em pânico." Depois de três Grandes Prêmios como o 11º time da Fórmula 1, o americano Sergio Pérez deixou clara a próxima missão antes do GP de Miami: a Cadillac precisa encontrar um segundo por volta — e precisa fazer isso já.

"Precisamos de um segundo agora. Espero de verdade que a gente leve um upgrade grande para Miami, e acho que vai ser o maior teste para o time até hoje", disse Pérez logo após o GP do Japão, em Suzuka.

O tom não é de desespero. É de urgência calculada. O tipo de frase que um piloto experiente usa quando sabe que o calendário não perdoa — e que a janela para impressionar está aberta, mas não para sempre.

A conta dos três GPs da Cadillac

A estreia em Albert Park deu o primeiro sinal: a Cadillac tinha potencial para existir no grid, mas ainda não tinha velocidade para brigar por pontos. Bottas completou 52 voltas e ficou a 3,9 segundos do ritmo. Pérez parou na pista ainda no TL2.

Na China, os dois carros evoluíram. Em Suzuka, chegou o marco mais importante até aqui: os dois carros cruzaram a linha de chegada. Mais do que isso — qualificaram à frente de Fernando Alonso e Lance Stroll, que andavam com o AMR26 da Aston Martin, carro que ostenta a honra duvidosa de ser o pior do grid em 2026.

O problema é que "melhor que a Aston Martin" não é exatamente a régua que a Cadillac quer usar para medir seu progresso. O gap real é maior. Segundo dados de qualificação no Japão, a equipe americana estava cerca de 1,2 segundo atrás do fundo do pelotão intermediário — o grupo de times que briga por pontos esporadicamente. Para entrar nessa disputa, o salto precisa ser concreto.

Os números do campeonato após o Japão falam por si: enquanto Mercedes domina com folga e Ferrari tenta se aproximar, a parte de trás do grid tem uma separação brutal. A Cadillac está tecnicamente última no Construtores, junto com a Aston Martin em zero pontos.

"O principal problema é carga aerodinâmica"

Bottas foi mais técnico ao apontar o que falta. "O que precisa ser endereçado é adicionar carga. Esse é o principal problema — onde estamos mais deficientes. O balanço em si não está tão ruim. É que simplesmente falta carga no carro."

A leitura dos engenheiros é parecida: o CCF1-26 — chassi desenvolvido em parceria com a General Motors em Indianapolis — não gera downforce suficiente para aproveitar o que os pneus Pirelli entregam. O carro "escorrega" nos trechos de alta velocidade, forçando os pilotos a cortar velocidade para manter o controle.

No Japão, a Cadillac trouxe um difusor levemente remodelado — uma atualização modesta, mas que funcionou. "Ganhamos um pouco de carga, principalmente na traseira. Esperamos um passo maior em Miami", confirmou Bottas após Suzuka.

O que chega em Miami — e por que isso importa

A pausa forçada de cinco semanas entre o Japão e Miami — provocada pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita por conta do conflito no Oriente Médio — acabou se tornando um presente inesperado para equipes que precisavam de tempo de desenvolvimento. A Cadillac é uma delas.

Com a fábrica em Indianapolis trabalhando em ritmo acelerado desde o final de março, o time promete um pacote de upgrades mais substancial para o Hard Rock Stadium. A natureza exata do pacote não foi detalhada publicamente, mas as pistas apontam para revisões no assoalho e ajustes no gerenciamento aerodinâmico — exatamente as áreas que Pérez e Bottas identificaram como gargalo.

Miami tem um peso extra para a Cadillac além da performance. É a primeira corrida em território americano desde a estreia da equipe. A Fórmula 1 chegando aos Estados Unidos com uma equipe local é o tipo de narrativa que a categoria tem cultivado há anos, e a pressão — tanto esportiva quanto comercial — para mostrar resultados será maior do que em qualquer corrida anterior.

A Cadillac existe há menos de dois meses na Fórmula 1. Já passou por DNFs, panes técnicas, qualificações dolorosas e pela montanha-russa emocional de qualquer equipe estreante. Miami não vai resolver tudo. Mas se o upgrade chegar e funcionar como os pilotos esperam, a narrativa começa a mudar.

Por enquanto, a frase de Pérez continua ecoando nos boxes: "Precisamos de um segundo."

E eles têm três semanas para encontrá-lo.