Câmbio vira novo dilema da Aston Martin pós-Miami antes do Canadá
A vibração da Honda saiu do caminho em Miami e os dois carros terminaram a corrida pela primeira vez em 2026. Só que Alonso saiu do paddock americano apontando outro item para a fila: a eletrônica do câmbio do AMR26, que ele descreveu como 'impossível de pilotar' na qualificação. E o Canadá, na agenda do dia 24, é o pior lugar possível para conviver com câmbio aleatório.

A Aston Martin saiu de Miami com a primeira boa notícia técnica do ano. Os dois carros terminaram a corrida — Alonso em 15.º, Stroll em 17.º, ambos a uma volta — e a vibração do motor Honda, que vinha destruindo bateria e perdendo Alonso na China por dormência nas mãos, deixou de ser tema central pela primeira vez em 2026. Mike Krack chamou o avanço de "passo importante na confiabilidade". Trabalho cumprido, item riscado da lista.
Só que sair de Miami sem zerar o boletim significa, para a Aston Martin de hoje, fazer espaço para o próximo problema entrar. E o próximo problema já entrou. Saiu da boca do próprio Alonso, ainda no paddock americano: a eletrônica do câmbio do AMR26 está descontrolada — o suficiente para ele descrever a qualificação como "impossível de pilotar" — e a próxima parada é o Canadá, no dia 24, talvez o pior lugar do calendário para conviver com câmbio aleatório.
Da vibração ao câmbio: o que Alonso disse
Quando os jornalistas perguntaram pelo motor depois da corrida, Alonso desviou. "Honestamente, foi mais o câmbio do que o motor o fim de semana inteiro", afirmou em entrevista publicada pela Motorsport Week e confirmada pela RacingNews365. "A eletrônica, alguma coisa estava muito esquisita nas reduções e nas subidas de marcha, sem controle nenhum."
A descrição mais dura veio sobre a sessão classificatória de sábado. "Agora na quali, era impossível pilotar. Eu perdia a sincronia em cada ponto de freada, então não tinha aceleração na saída das curvas, e as reduções iam para qualquer lado, totalmente aleatórias." Em F1 de 2026 — onde a recuperação elétrica responde direto à curva de torque do trem de força — câmbio aleatório significa entrega de potência aleatória. É um sintoma que mistura mecânica, software e o pacote híbrido novo que a HRC ainda está domando, justamente o mesmo pacote que a Honda tentou estabilizar com o hardware levado para Miami.
Por que o Canadá amplifica o problema
O calendário não ajuda. Montreal é, junto com Bakú, o circuito de freadas mais brutais da temporada. Curvas finais em chicane tomadas em quase 90 graus depois de retas longas, zonas DRS conectadas em sequência, e um traçado em ilha que castiga câmbio e freios em proporção desigual ao restante do ano. Alonso fez questão de citar a pista pelo nome.
"Essa é a correção número um para o Canadá. Eu acho que com todas as zonas de freada forte do Canadá, a gente precisa melhorar o comportamento do câmbio agora." A frase tem peso. Em entrevistas pós-corrida, pilotos costumam falar em melhorias amplas e cronogramas longos. Alonso citou um circuito específico, três semanas à frente, e classificou a urgência como número um — não dois, não cinco.
Para uma equipe que abriu 2026 com zero pontos nas três primeiras corridas e ainda divide a lanterna do construtores com a Cadillac, o calendário é o adversário tão duro quanto o pacote técnico. Cada GP que rola sem solução é GP que prende a Aston Martin no fim do grid sem mostrar dado de chassi limpo. E sem dado de chassi limpo, não dá para saber o que sobra para corrigir depois.
Fila travada: por que o conserto vai ser eletrônica, não peça nova
Aqui mora a parte desconfortável da história. Alonso já avisou que a Aston Martin não traz upgrades de performance até a corrida 12 ou 14 — ou seja, depois da pausa de verão. Não há peça nova prevista. O que existe, do Canadá até agosto, é trabalho de calibração: mapas de motor, lógica de troca de marcha, software de freio regenerativo. É o que cabe entre uma corrida e outra sem janela de homologação aberta.
Isso muda a natureza do problema. Câmbio resolvido não vira meio segundo a mais, vira ausência de surpresa ruim. O ganho é fechar a torneira do erro, não acelerar o carro. Em entrevista publicada pela Crash.net, Alonso resumiu o estado da operação com frieza típica: "Estou em paz porque entendo a situação." Tradução: a Aston Martin trabalha em modo de contenção até a pausa de verão, e Montreal é o próximo teste de contenção, não de progresso.
Krack, do lado da equipe, sustenta a mesma postura. Reconheceu o passo na confiabilidade, ofereceu zero promessa de pace. Honda, na voz de Shintaro Orihara, repete a fórmula: progresso na bateria, progresso na cabine, sem mencionar pole position. Quando todo mundo do paddock fala parecido, é porque a régua interna foi recalibrada — e o objetivo de curto prazo passou de ser competitivo a ser previsível.
A pergunta para o Canadá, então, não é onde a Aston Martin vai largar. É se vai conseguir andar 70 voltas em Montreal sem que o câmbio tire uma das duas pontas do grid antes da chegada. Para uma equipe que ainda chama de marco a primeira corrida com os dois carros na bandeirada, esse é o termômetro real.
Perguntas frequentes
Qual é o novo problema da Aston Martin apontado por Alonso depois de Miami?
A eletrônica do câmbio do AMR26. Alonso disse que tanto as reduções quanto as subidas de marcha estavam descontroladas durante todo o fim de semana, e descreveu a qualificação em Miami como 'impossível de pilotar'.
Quem terminou em que posição pela Aston Martin no GP de Miami 2026?
Fernando Alonso cruzou em 15.º e Lance Stroll em 17.º, ambos uma volta atrás do vencedor. Foi a primeira corrida da temporada em que os dois carros da equipe completaram a prova.
Quando a Aston Martin deve trazer upgrades de performance em 2026?
Não antes da pausa de verão. Alonso afirmou que a equipe não vai introduzir peças novas até a corrida 12 ou 14 do calendário, e que o foco até lá é dirigibilidade, não posição na pista.
Por que o Canadá preocupa mais que outras pistas do calendário?
Porque Montreal é dominado por zonas de freada forte. Alonso pediu que o câmbio seja a 'correção número um' antes da prova do dia 24 de maio, justamente porque cada freada pesada do circuito expõe o problema de sincronização nas reduções.
A vibração no motor Honda foi resolvida em Miami?
Não totalmente, mas reduzida a um ponto operacional. Krack falou em 'passo importante' e a HRC, pela voz de Shintaro Orihara, confirmou progresso tanto no lado da bateria quanto no que chega às mãos do piloto. Os dois carros terminarem a prova é o sinal mais claro disso.